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Texto
de Edgard Ribeiro de Amorim
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Com
o êxito da linha musical, a Record criou, a
partir de 1967, programas como Corte Rayol Show, com
Agnaldo Rayol e Renato Corte Real, Esta Noite se Improvisa,
com Blota Jr. e Sonia Ribeiro e ainda Caras e Coroas,
Guerra é Guerra, Alianças para o Sucesso
e outros. Os programas uniam brincadeiras, humor,
competições e atrações
musicais entre compositores, artistas, humoristas
e convidados especiais. Tendo um famoso e milionário
elenco musical, a emissora resolveu contratar também
grandes artistas de outros gêneros, os quais foram
distribuídos por diversos programas.
Além disso, todos se apresentavam juntos no
famoso Show do Dia 7, grande espetáculo mensal
de variedades, assim denominado por causa do número
do canal da emissora. No humor, o mais famoso programa
criado foi Família Trapo, sob o comando de
Ronald Golias e Otelo Zeloni e texto de Carlos Alberto
de Nóbrega e Jô Soares. Veiculado aos
sábados, com a presença de auditório,
a atração humorística dominou a audiência do horário, de 1967
a 1969, e marcou época na história da
televisão como um dos melhores programas do
gênero.
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Com
altos índices de preferência popular, a TV Record
resolveu investir também em telenovela, ante o sucesso
desse gênero nas outras emissoras como Tupi, Excelsior
e Globo. Apostando na audiência cativa de seus shows,
a emissora contratou, em 1969, um elenco dramático
famoso e caro, encabeçado por Geórgia Gomide, Fulvio
Stefanini e Altair Lima. Muitas novelas foram realizadas,
sendo algumas com êxito, como: Algemas de Ouro, As Pupilas
do sr. Reitor ou Os Deuses estão Mortos. Mas o retorno
popular não foi o desejado e a emissora foi
prejudicada por ter investido muito dinheiro nessas
realizações. Apesar
do sucesso dos musicais, dos bons programas de humor
e dos shows de variedades, a TV Record começou
a sofrer um grande desgaste por repetir sempre as
mesmas atrações, ano após ano,
sem uma política de preservação
dos artistas ou de renovação dos programas.
O público estava ficando saturado e até
os programas de Hebe Camargo e de Roberto Carlos perderam
a posição de destaque.
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Da
mesma forma repentina com que a audiência subiu
em 1966, ela começou a cair a partir de 1969. A
emissora percebeu que não poderia mais manter
a política de "Templo da Música
Popular Brasileira", pois os telespectadores
já não se sentiam atraídos nem
mesmo pelas novidades dos Festivais, chamados pela
imprensa de "festivaias". O elenco milionário
começou a ser dispensado, pois o dinheiro estava
escasso. Três fatores contribuíram para
a derrocada da emissora: falta de interesse do patrocinador,
má administração financeira e
o prejuízo causado por quatro incêndios.
Os responsáveis pela administração,
sem maior visão empresarial e confiando no
sucesso obtido, não se precaveram financeiramente
e não adotaram uma política de preservação
dos valores artísticos. Porém, os incêndios
foram de fato a principal causa da derrocada econômica
que se seguiria, visto que praticamente arrasaram
a emissora. De 1966 a 1969, foram destruídos
estúdios, rouparia e maquiagem, arquivos de
fitas de vídeo, equipamentos de telecine, câmeras
e aparelhos de videotape que ficavam na sede do bairro
do Aeroporto, a torre de sustentáculo da antena
de transmissão, num prédio da Avenida
Paulista, e os teatros Record, na rua da Consolação
e Paramount, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio.
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Na
década seguinte, com todos os programas de
sucesso encerrados, a televisão Record sofreria
uma grave crise financeira e manteve-se no ar às
custas de filmes antigos, reprises de seriados e produções
de baixo custo. Assim sobreviveu até a década
de 1990, quando foi vendida para o grupo empresarial
Igreja Universal do Reino de Deus, a quem pertence
até hoje. É a única das
emissoras pioneiras a continuar em atividade. A TV
Record de São Paulo propiciou um movimento
de valorização dos programas
televisivos e revelou artistas importantes para
a história da música popular brasileira.
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