TV Paulista
Texto de Edgard Ribeiro de Amorim  

O Riso dos Cinco - 1963. Uma das realizações mais importantes da emissora foi o teleteatro, principalmente os da série Teledrama. Estes promoviam a encenação de textos da literatura e do teatro internacionais, em razão dos problemas de pagamento de direitos autorais para a exibição de textos brasileiros. Até se encontrar uma linguagem televisiva, as apresentações eram baseadas na movimentação cinematográfica, que era, ainda, a grande escola visual. Havia o teatro musical, uma inovação da emissora, o qual encenava comédias representadas por atores e cantores. O teleteatro exigia tanto esforço dos técnicos quanto dos artistas. Por ser ao vivo, o tempo de troca de roupas era muito curto. Para facilitar, atores e atrizes começavam a representação gordos e acabavam magros, pois vestiam as roupas uma em cima da outra e iam tirando conforme a sequência dos figurinos. Nesta dramaturgia, apresentavam-se, ainda, diversas telenovelas românticas de curta duração. Havia também as obras infanto-juvenis, de cunho educativo, realizadas pelo produtor Líbero Miguel. A programação era forte também no humor. Atrações da rádio Nacional como Praça da Alegria, Cadeira de Barbeiro, PRK-30 e outras, foram transpostas para a televisão, mantendo uma transmissão conjunta: rádio e TV, com a presença de público. O programa Praça da Alegria, produzido por Manoel de Nóbrega e seu filho Carlos Alberto, exibia o mesmo esquema que é visto hoje no SBT. O elenco era composto por humoristas iniciantes como Ronald Golias, Consuelo Leandro, Maria Tereza, Zilda Cardoso, Borges de Barros, Chocolate e outros. Havia, também, shows humorísticos-musicais como São Paulo não te Aguento ou Grandes Espetáculos.


O Mundo é das Mulheres - 1962. Dentre os programas musicais destacava-se o Hit Parade, que ficou muitos anos no ar, oferecendo como principais atrações Hebe Camargo, Wilma Bentivegna, Lana Bitencourt, Ângela Maria, Agostinho dos Santos, Cauby Peixoto e outros cantores. Além de apresentar as músicas de maior sucesso da semana, o Hit Parade exibia diferentes gêneros musicais, tais quais o samba, mambo, valsa, e também mantinha quadros com encenações de atores e bailarinos. Os programas musicais utilizavam os recursos do palco giratório e da piscina. Maiôs em Passarela, por exemplo, que alternava números musicais com desfiles de maiôs, foi um programa idealizado para aproveitar a existência da piscina, que também era útil para alguns comerciais. Havia muita atração musical no canal 5 para se aproveitar, dentre elas, as quatro grandes orquestras que pertenciam ao cast da rádio Nacional de São Paulo. Divulgava-se a música lírica, a erudita, a popular e a folclórica para entretenimento dos telespectadores. No jornalismo, a produção que chegou a caracterizar a emissora foi o telejornal Mappin Movietone, iniciado em 1953, com apresentação de Roberto Corte Real e direção de Mário Mansur. As notícias eram mais faladas que ilustradas. Em 1959, o jornal introduziu a novidade da exibição conjunta de um apresentador, o poeta Paulo Bonfim, acompanhado de duas apresentadoras, as atrizes Cacilda Lanuza e Branca Ribeiro, para divulgarem as notícias. O programa durou até 1965. Em relação a programas de entrevistas, o canal 5 exibiu duas atrações muito famosas: Bate Papo com Silveira Sampaio e O Mundo é das Mulheres. O programa de Silveira Sampaio foi o primeiro talk show do vídeo brasileiro e era todo apoiado no grande talento desse dramaturgo e radialista. O começo contava com uma espécie de editorial. No decorrer dessas críticas irônicas sobre fatos políticos e econômicos, o apresentador era interrompido por um telefonema. Ele fingia estar falando ou com a personalidade comentada ou com um amigo que lhe contava mais novidades e com quem trocava informações sobre o assunto em pauta. Após esta abertura, o apresentador trazia convidados dos mais diferentes segmentos sociais: políticos, artistas, religiosos, esportistas e outros, para um divertido bate-papo. Esse tipo de atração teve continuidade na TV através dos programas de Ferreira Neto e de Jô Soares, antigos colaboradores de Silveira Sampaio.


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