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Texto
de Edgard Ribeiro de Amorim
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Uma
das realizações mais importantes da emissora foi o
teleteatro, principalmente os da série Teledrama. Estes promoviam a encenação de textos da literatura e do teatro
internacionais, em razão dos problemas de pagamento
de direitos autorais para a exibição de textos brasileiros.
Até se encontrar uma linguagem televisiva, as apresentações
eram baseadas na movimentação cinematográfica, que
era, ainda, a grande escola visual. Havia o teatro
musical, uma inovação da emissora, o qual encenava comédias
representadas por atores e cantores. O teleteatro
exigia tanto esforço dos técnicos quanto dos artistas. Por ser ao vivo, o tempo de troca de roupas era muito
curto. Para facilitar, atores e atrizes começavam
a representação gordos e acabavam
magros, pois vestiam as roupas uma em cima da outra
e iam tirando conforme a sequência dos figurinos.
Nesta dramaturgia, apresentavam-se, ainda, diversas telenovelas
românticas de curta duração. Havia também as obras infanto-juvenis,
de cunho educativo, realizadas pelo produtor Líbero
Miguel. A programação era forte também no humor. Atrações
da rádio Nacional como Praça da Alegria, Cadeira de
Barbeiro, PRK-30 e outras, foram transpostas para
a televisão, mantendo uma transmissão conjunta: rádio
e TV, com a presença de público. O programa Praça
da Alegria, produzido por Manoel de Nóbrega e seu
filho Carlos Alberto, exibia o mesmo esquema que é
visto hoje no SBT. O elenco era composto por humoristas iniciantes
como Ronald Golias, Consuelo Leandro, Maria Tereza,
Zilda Cardoso, Borges de Barros, Chocolate e outros.
Havia, também, shows humorísticos-musicais como São
Paulo não te Aguento ou Grandes Espetáculos.
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Dentre
os programas musicais destacava-se o Hit Parade, que
ficou muitos anos no ar, oferecendo como principais atrações
Hebe Camargo, Wilma Bentivegna, Lana Bitencourt, Ângela
Maria, Agostinho dos Santos, Cauby Peixoto e outros
cantores. Além de apresentar as músicas de maior sucesso
da semana, o Hit Parade exibia diferentes gêneros musicais, tais quais o samba, mambo, valsa, e também mantinha quadros com encenações
de atores e bailarinos. Os programas musicais utilizavam
os recursos do palco giratório e da piscina. Maiôs
em Passarela, por exemplo, que alternava números musicais
com desfiles de maiôs, foi um programa idealizado
para aproveitar a existência da piscina, que também
era útil para alguns comerciais. Havia muita
atração musical no canal 5 para se aproveitar, dentre elas, as quatro
grandes orquestras que pertenciam ao cast da rádio
Nacional de São Paulo. Divulgava-se a música lírica,
a erudita, a popular e a folclórica para entretenimento
dos telespectadores. No jornalismo, a produção que
chegou a caracterizar a emissora foi o telejornal
Mappin Movietone, iniciado em 1953, com apresentação
de Roberto Corte Real e direção de Mário Mansur. As
notícias eram mais faladas que ilustradas. Em 1959,
o jornal introduziu a novidade da exibição conjunta
de um apresentador, o poeta Paulo Bonfim, acompanhado
de duas apresentadoras, as atrizes Cacilda Lanuza
e Branca Ribeiro, para divulgarem as notícias. O programa
durou até 1965. Em relação a programas de entrevistas, o canal
5 exibiu duas atrações muito famosas: Bate Papo com
Silveira Sampaio e O Mundo é das Mulheres. O programa
de Silveira Sampaio foi o primeiro talk show do vídeo
brasileiro e era todo apoiado no grande talento desse
dramaturgo e radialista. O começo contava com uma espécie de editorial. No decorrer dessas críticas
irônicas sobre fatos políticos e econômicos, o apresentador
era interrompido por um telefonema. Ele fingia
estar falando ou com a personalidade comentada ou
com um amigo que lhe contava mais novidades e com
quem trocava informações sobre o assunto em pauta.
Após esta abertura, o apresentador trazia convidados
dos mais diferentes segmentos sociais: políticos,
artistas, religiosos, esportistas e outros, para um
divertido bate-papo. Esse tipo de atração teve continuidade
na TV através dos programas de Ferreira Neto e de
Jô Soares, antigos colaboradores de Silveira Sampaio.
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