Década de 90: Violência e Comercialização
Texto de Edgard Ribeiro de Amorim  

Nas TVs a Cabo, havia atrações que retratavam minuciosamente a temática violenta. Eram transmitidos programas sobre agressões familiares, acidentes, catástrofes, crimes e outros. As produções de origem norte-americana, assim como foram, continuam sendo exibidas e vendidas em cópias de vídeo ao público brasileiro. A tendência de exploração da violência foi universal tanto no cinema quanto na televisão. O público, por sua vez, manteve e continua mantendo um ávido interesse nesse tipo de atração, propiciando-lhe enorme audiência.


São Paulo JáEm 1990, o fato jornalístico de televisão mais comentado e assistido foi a transmissão ao vivo de uma guerra, a do Golfo Pérsico. Exibida ao mundo inteiro, com imagens dos lançamentos de mísseis e explosões, a programação só era interrompida para os anúncios comerciais.


HebeA informação, contudo, manteve o seu caráter de esclarecimento social e prestação de serviços. Nas transmissões de grande interesse político e -social foi intensa a participação da TV. Em alguns momentos da vida pública brasileira, essa participação resultou na mudança dos acontecimentos, como na campanha para o impeachement do então presidente Fernando Collor, que o obrigou a renunciar. Ao lado da imprensa em geral, também a televisão funcionou como um órgão de denúncia, não se esquecendo, contudo, de que essa participação lhe favorecia a audiência.


Programa do RatinhoCoerente com o aspecto violento do veículo, intensificou-se, nos anos 90, um tipo de comunicador de auditório distinto à geração passada. Surgia ali um apresentador agressivo, irreverente e propositalmente sem educação. Ele era responsável pelo anúncio de temas escabrosos como a principal atração de seus programas; fazia da televisão um palco da miséria humana. Com isso, esses novos personagens da televisão ganhavam grande audiência e obtinham bons lucros aos seus patrocinadores, às suas emissoras e a si mesmos - ainda hoje, eles recebem os salários mais altos da televisão. Pelo final da década, esses comunicadores precisaram mudar em certos aspectos: em parte, a agressividade de suas apresentações, por conta de protestos, mas, ainda assim, não abandonaram o estilo.

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