Década de 90: Violência e Comercialização
Texto de Edgard Ribeiro de Amorim  

Leandro e Leonardo EspecialOs anos 90 continuaram trazendo à televisão novidades a nível de expansão, de técnica e de conteúdo. Outras redes surgiram, o sistema de TV à cabo cresceu e diversas emissoras independentes em VHF ou UHF foram inauguradas, principalmente pelo interior do Brasil, dirigindo-se a públicos mais específicos.


Padre MarceloAumentou a comercialização de horários em diversas emissoras, alugados para a exibição de programas de vendas diretas ao consumidor e exibição de programas religiosos. A igreja Católica e várias igrejas evangélicas criaram suas redes de transmissão iniciando uma catequese eletrônica sem precedentes, até então, na TV. Sempre houve transmissão de mensagens religiosas, principalmente as da igreja Católica, dentro de programas vespertinos, nos anos 50 e 60. Praticamente desaparecidas do veículo nos anos 70, em meados da década de 80, essas mensagens retornaram, com os horários alugados pelas igrejas protestantes, espíritas e outras, na tentativa de obtenção de novos adeptos.


As igrejas evangélicas conquistaram milhares de fiéis. Assim, conseguiram eleger diversos parlamentares que receberam do governo federal a concessão de emissoras independentes de rádio e televisão em todo o país e tornaram-se grande força de mobilização religiosa e social. O fato obrigou a igreja Católica a iniciar uma ofensiva que acabou se transformando na criação da Rede Vida de Televisão. Ao lado da Rede Família (pertencente a Igreja Universal do Reino de Deus) essas duas corporações se tornaram as maiores, no gênero.
O grande alcance da comunicação via satélite fez com que um padre católico, produtor da Rede Vida, comentasse que se Cristo voltasse à Terra iria pregar sua doutrina através da televisão.


Aqui, AgoraContraditoriamente à produção religiosa, a programação de TV prestigiou, no final dos anos 80 e em toda a década de 90, a violência em diferentes níveis. O telejornalismo foi um dos maiores responsáveis por esse tipo de veiculação. Atrações especiais foram criadas para exibir notícias de desgraças, exploradas com sensacionalismo mórbido e cruel. Esses programas tiveram grande audiência e, por isso, acabaram se dissipando pelas emissoras. Também os filmes e seriados estrangeiros propagaram exageradamente todo tipo de violência, banalizando-a como uma atração normal, a ponto de influenciar o principal produto da televisão brasileira: a telenovela. Esse tipo de dramaturgia incorporou às cenas trágicas uma violência explícita desnecessária e, dessa forma, acabou perdendo audiência. Rapidamente, as emissoras tiveram que voltar aos padrões considerados normais pelo público.


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