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Texto
de Edgard Ribeiro de Amorim
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As
primeiras grandes conquistas técnicas da televisão,
no Brasil, foram a transmissão em rede via satélite
(1970) e a transmissão a cores (1972). A primeira encurtou distâncias e reduziu, a nível de informação, o país
e o mundo, seguindo a preconizada aldeia
global de Marshall Mcluhan. O número de pessoas
atingidas pelo veículo cresceu assustadoramente, pois se
tornou possível informar com imediatismo e credibilidade
de qualquer ponto do planeta. Havia como o telespectador
testemunhar, em tempo real, o fato ocorrido..
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No
Brasil, a formação de redes solidificou ainda mais
a industrialização do veículo, uma vez que qualquer atração
podia, então, ser consumida de imediato em todo o país.
Contudo, como se vivia em uma época de forte repressão
da informação, causada pela ditadura militar, esse
progresso tecnológico fez com que a televisão fosse
rigidamente censurada, sendo mostrado ao público apenas
o que interessava ao regime vigente. Todas
as tentativas de informação livre foram abafadas,
sendo que, algumas, tragicamente.
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A
conquista da cor exigiu
a instalação de novos equipamentos técnicos que, menores
e mais aprimorados, permitiram mudanças inclusive
na linguagem da televisão ao utilizar com grande frequência
os novos efeitos eletrônicos aliados ao video tape.
Essa inovação foi verificada principalmente nos programas
musicais (quando os números musicais puderam deixar
os estúdios e serem gravados nos mais diferentes lugares)
e nos programas humorísticos, pois na dramaturgia
ou na informação ainda não eram bem aceitos.
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Na
telenovela, o público preferia a narração linear do
enredo, sem outras novidades, para não perder o ritmo
da história. Apenas nas novelas de temas surrealistas
ou de realidade mágica, como foram chamadas, foram introduzidos,
em meados da década, diversos efeitos para adequar o contexto fantástico
que ali se buscava. Aliás, nos anos 70, a telenovela teve
uma grande evolução na encenação, no conteúdo, na
estrutura narrativa e na linguagem televisiva. Introduziu
temas paranormais, sátiras políticas, críticas sociais,
ao lado dos temas romântico-convencionais de sempre.
Apesar de algumas dessas inovações não terem tido
boa audiência, elas são muito importantes para a história
da dramaturgia televisiva.
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