|
|
|
Texto
de Edgard Ribeiro de Amorim
|
|
|
|
|
|
O
programa de Hebe Camargo
tornou-se uma espécie de sala de visitas de São Paulo. Lá ela recebia todas as personalidades que estavam de passagem pela
cidade. Dirigido a um público mais exigente, o programa
exibia desfiles de moda, debates, bailados, entrevistas
famosas e a boa música popular brasileira.
|
|
A
telenovela,
produzida em todas as emissoras, mas sem repercussão
popular, despertou, em meados dos anos 60, grande
interesse. A TV Excelsior (SP) passou a transmiti-la
diariamente e conquistou enorme audiência ao lançar
A Moça que Veio de Longe, em 1963. A campeã de
popularidade, no entanto, acabou sendo O Direito de Nascer, folhetim
cubano produzido pela TV Tupi (SP) que, do final de
1964 até meados de 1965, fez quase todo o país parar
no horário de sua exibição. Alcançando índices de
audiência nunca vistos até então, O Direito de Nascer
iniciou um novo fenômeno de lucro para as emissoras:
a telenovela. Diversas destas foram produzidas e passaram
a ser o principal programa das emissoras Tupi, Excelsior
e da recém surgida TV Globo. Nas outras estações, algumas
novelas eram realizadas esporadicamente.
|
|
Adaptada
inicialmente dos folhetins espanhóis ou latino-americanos,
a partir de Redenção (TV Excelsior, de 1965 a 1967)
e de Beto Rockefeller (TV Tupi, de 1968 a 1969), a
telenovela passaria a utilizar textos de autores brasileiros. Dava-se o início de sua nacionalização. Desde os anos 50,
autores brasileiros eram encenados nas telenovelas,
mas houve sempre uma preferência das emissoras pela
adaptação de textos de escritores estrangeiros, principalmente
pelos mais famosos, cujos livros estivessem na memória
cultural do telespectador. A partir do grande impulso
verificado em 1964, as novelas passaram a encenar
os comentados textos dramáticos latinos que obtiveram enorme
sucesso. Muitos eram transportados para o vídeo mantendo
sua ambientação estrangeira. Alguns, no entanto, foram
adaptados, intencionalmente, para a realidade brasileira,
no sentido de acostumar o público de novelas a ver,
no vídeo, uma realidade mais próxima de suas raízes.
De 1968 em diante, excelentes encenações com temas
e ambientações brasileiras passaram a ser realizadas,
propiciando o grande impulso artístico e industrial
que o gênero teria na década de 70.
|

página
2 de 3
|
|
|
|
 |
|