década de 50: época da criatividade, da improvização e do esforço "ao vivo"
Texto de Edgard Ribeiro de Amorim  

Edição ExtraOs telejornais foram constantes na programação, sendo que os mais famosos, emitidos no horário nobre, tiveram longa duração. As reportagens eram feitas em condições precárias, mais lidas que ilustradas e utilizando como fonte de informação notícias recortadas dos jornais locais. Era o que se conhecia humoristicamente como gilete-press. As poucas matérias externas eram realizadas com câmeras de cinema, pois os equipamentos de televisão, muito grandes e pesados, não permitiam a agilidade de coberturas diárias que um telejornal necessita. Utilizavam-se os equipamentos de TV em reportagens externas apenas para a transmissão de esportes.


Clube do LarOutros programas jornalísticos, como entrevistas ou debates, tinham esquemas mais livres. Eles eram emitidos, em geral, no final da noite e tinham a duração quase que estabelecida pelo interesse despertado quanto ao assunto. Havia a participação dos telespectadores, por meio de ligações telefônicas emissoras. As pessoas intervinham com perguntas e opiniões. Nessa época de televisão ao vivo, uma característica interessante foi a do intervalo comercial. Além de veicular a publicidade, os intervalos serviam para socorrer eventuais problemas da programação, durando tempo suficiente para que um estúdio ficasse pronto, por exemplo. Também podia ocorrer de eles serem colocados no ar, repentinamente, após qualquer problema técnico inesperado.


Anúncio de Moda - Casa HenriqueCom a iniciante força de comunicação da televisão, as agências publicitárias intensificaram as pesquisas de opinião para conhecer os hábitos de consumo do telespectador e qual seria o melhor horário para veicular seus produtos. Criado em 1954, o IBOPE - Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa - fornecia a audiência. Acelerava-se o fator que viria a se transformar na força dominante da televisão: a publicidade.


Programa Manoel de NóbregaEntre erros e acertos, os conhecimentos, contudo, iam se aprimorando. No final da década de 50, a televisão já havia sido inaugurada em outras capitais do país. O público ficava cada vez maior: ele podia comprar aparelhos de televisão mais baratos, em razão do crescimento da indústria eletrônica brasileira. As programações, no entanto, tinham caráter inteiramente locais, por conta do pouco alcance de suas emissões. Não havia, ainda, redes de transmissão. Algumas experiências à longa distância ocorriam de uma cidade para outra, como, por exemplo, do Rio de Janeiro para São Paulo, mas eram transmissões esporádicas e que exigiam grandes e difíceis esforços técnicos de realização. Os profissionais mais famosos das emissoras de São Paulo ou Rio de Janeiro, em geral ligados aos musicais ou ao humor, viajavam semanalmente para se apresentarem nas estações das outras capitais.

página anterior   próxima página
página 2 de 3