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Texto
de Edgard Ribeiro de Amorim
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Os
telejornais foram constantes na programação, sendo
que os mais famosos, emitidos no horário nobre, tiveram
longa duração. As reportagens eram feitas em condições
precárias, mais lidas que ilustradas e utilizando
como fonte de informação notícias recortadas dos jornais
locais. Era o que se conhecia humoristicamente como
gilete-press. As poucas matérias externas eram realizadas
com câmeras de cinema, pois os equipamentos de televisão,
muito grandes e pesados, não permitiam a agilidade
de coberturas diárias que um telejornal necessita.
Utilizavam-se os equipamentos de TV em reportagens externas apenas
para a transmissão de esportes.
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Outros
programas jornalísticos, como entrevistas ou debates,
tinham esquemas mais livres. Eles eram emitidos, em geral, no
final da noite e tinham a duração quase que estabelecida
pelo interesse despertado quanto ao assunto. Havia a participação
dos telespectadores, por meio de ligações telefônicas emissoras. As pessoas
intervinham com perguntas e opiniões. Nessa época de
televisão ao vivo, uma característica interessante
foi a do intervalo comercial. Além de veicular
a publicidade, os intervalos serviam para socorrer
eventuais problemas da programação, durando tempo
suficiente para que um estúdio ficasse pronto, por
exemplo. Também podia ocorrer de eles serem colocados no ar, repentinamente,
após qualquer problema técnico
inesperado.
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Com
a iniciante força de comunicação da televisão, as
agências publicitárias intensificaram as pesquisas
de opinião para conhecer os hábitos de consumo do
telespectador e qual seria o melhor horário para veicular
seus produtos. Criado em 1954, o IBOPE - Instituto
Brasileiro de Opinião e Pesquisa - fornecia a audiência.
Acelerava-se o fator que viria a se transformar na
força dominante da televisão: a publicidade.
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Entre
erros e acertos, os conhecimentos, contudo, iam se
aprimorando. No final da década de 50, a televisão
já havia sido inaugurada em outras capitais do país.
O público ficava cada vez maior: ele podia comprar aparelhos
de televisão mais baratos, em razão do crescimento
da indústria eletrônica brasileira. As programações,
no entanto, tinham caráter inteiramente locais, por conta do
pouco alcance de suas emissões. Não havia,
ainda, redes de transmissão. Algumas experiências
à longa distância ocorriam de uma cidade para outra,
como, por exemplo, do Rio de Janeiro para São Paulo,
mas eram transmissões esporádicas e que
exigiam grandes e difíceis esforços técnicos de realização.
Os profissionais mais famosos das emissoras de São
Paulo ou Rio de Janeiro, em geral ligados aos musicais
ou ao humor, viajavam semanalmente para se apresentarem
nas estações das outras capitais. |
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