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Tatu-Bola,
mobiliário vivo
entrevista
e edição
Juliene Codognotto e Paula Bassi
O
mobiliário educativo Tatu-Bola foi desenvolvido para intensificar
as atividades práticas e lúdicas e incentivar a apropriação
dos espaços do CCSP pelos usuários. A idealização
do projeto, exclusivo para o Centro Cultural, levou em conta as
características específicas de cada espaço
e teve como responsável a arquiteta Mariana Ruzante, que
trabalhou levando em consideração as necessidades
da Ação Cultural e Educativa do CCSP, responsável
pelas visitas. Nessa entrevista, ela e Guilherme Sertório
Teixeira, diretor do setor, contam sobre o processo de criação
e os objetivos da utilização do novo mobiliário.
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| Mariana
Ruzante |
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Guilherme
Sertório Teixeira |
Quando começou a idéia do tatu-bola?
Guilherme:
Em 2007. Já existia a idéia de criar um mobiliário
educativo, então, soubemos da possibilidade de uma doação
feita pelo Centro Cultural da Espanha para um projeto voltado ao
público infantil. Em dezembro, já com a verba, entramos
em contato a Mariana. A idéia de mobiliário educativo
já existe em vários museus do mundo. A Tate Britain,
em Londres, por exemplo, tem um carrinho que se chama art trolley,
"carrinho de arte".
Por que "Tatu-bola"?
Mariana: O nome faz referência
a um bicho que, assim como o mobiliário, abre e fecha de
repente, é todo articulado.
Guilherme: Foi uma idéia
que surgiu durante uma reunião de curadoria. Nós queríamos
um nome de animal, divertido e com uma identidade bem brasileira.
Quais são os objetivos da utilização dos carrinhos?
Guilheme: Um mobiliário
que é como um ateliê portátil permite transformar
qualquer lugar em um espaço próprio para a arte. Isso
torna as visitas escolares mais práticas, propondo atividades
relacionadas ao que está sendo dito ou mostrado. Para os
fins de semana, estão sendo planejadas oficinas em família
usando o Tatu-bola. O projeto pretende atingir também o público
que está de passagem, que pode ver uma atividade acontecendo
e participar, porque não é uma sala fechada.
Mariana, como foi conceber este projeto?
Mariana: O Tatu-bola tem
o mesmo conceito de um projeto que eu já desenvolvia, de
um equipamento móvel relacionado a atividades educativas,
que guarda os equipamentos necessários dentro dele e se fecha.
Além disso, esse mobiliário não só transporta
o material, mas também cria um espaço em volta de
si. Um dos carrinhos que vão ser utilizados no CCSP é
a caixa-teatro, que foi meu trabalho final de graduação
na FAU. A partir desse conceito, busquei uma linguagem única
ou similar entre eles.
Os carrinhos mudam a dinâmica das oficinas?
Guilherme:
Algumas exigem uma concentração maior,
então é interessante que aconteçam em uma sala
fechada. Mas outras atividades são mais lúdicas, então
é interessante acontecer em um espaço externo, no
meio da exposição, por exemplo. Nós queríamos
ampliar as relações do público com o espaço,
fazendo as pessoas se apropriarem da exposição de
uma outra forma.
Fale um pouco sobre os materiais utilizados para construir os carrinhos.
Mariana:
Eu tentei buscar usar os mesmos materiais em todos, como a lousa,
que se tornou uma característica do Tatu-bola. A partir dessa
idéia, conversando com o Guilherme, criamos uma nova possibilidade,
a chapa metálica. Outra opção foi usar um material
cru, um compensado de madeira sem revestimento nenhum. Além
disso, optamos por muitas das áreas de armazenagem serem
de fácil reposição. Por exemplo, usamos caixas
plásticas de engradado, que não têm problema
de manutenção - são leves, coloridas e fáceis
de achar. O imã foi outra idéia que surgiu porque
a equipe comentou que seria bom ter um varal para pendurar os trabalhos
produzidos nas oficinas. Esses pequenos elementos que vão
dando graça aos carrinhos.
Os objetos que os Tatus-bolas transportam, como óculos, uniformes,
perucas, gizes, e outros adereços foram idéias da
Ação Educativa?
Guilherme:
Sim, eles são próprios para as visitas. Mas o carrinho
não necessariamente com os mesmos objetos sempre, eles podem
variar de acordo com a utilização.
Mariana: A idéia era
justamente essa com a caixa-teatro. O que está dentro dela
muda conforme a necessidade. É um mobiliário vivo.
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