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de 15/5 a 5/7
Poe, Edgar

grupo: Cia. O Grito - texto: Paula Chagas e Roberto Morettho - direção e concepção cênica geral: Roberto Morettho - concepção cênica: de O Corvo, Tati Guimarães; de O Gato Preto, Eduardo Parisi; de Assassinatos na Rua Morgue, Lilih Curi e Roberto Morettho - elenco: Alessandro Hernandez, Leia Raposo, Perla Frenda, Carol Cashie, Abel Teixeira e Ligia Borges
Drama. O espetáculo intercala ficção sobre o autor Edgar Allan Poe com a encenação de alguns de seus textos. (80min - 12 anos) - sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h - R$15,00 (a bilheteria será aberta com duas horas de antecedência) - preço popular: dia 29/5 (R$2,30) - Espaço Cênico Ademar Guerra (60 lugares)

Para comemorar os duzentos anos de nascimento de um dos precursores da literatura fantástica e de terror, a companhia O Grito estreia a peça Poe, Edgar. Em seu sexto trabalho, o diretor Roberto Morettho recria a atmosfera obscura regida pelas temáticas do escritor americano. Serão seis atores os responsáveis pela representação de três das obras mais populares: O Corvo, O Gato Preto e Os Crimes na Rua Morgue.

Numa escuridão do palco quebrada por velas é onde a Cia O GRITO, fundada em 2003, no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, mostra suas habilidades. O grupo tem adicionados ao seu repertório, também, os espetáculos O Armário Mágico, Caça aos Ratos, A Terra Onde Nunca se Morre, Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca e O Caso da Cãs. Em Poe, Edgar, O GRITO traz os atores Alessandro Hernandes, Abel Teixiera, Leia Rapozo, Ligia Borges, Carol Cashie e Perla Frenda.

Na equipe de produção, Eduardo Parisi, Lilih Curi e Tatiana Guimarães foram responsáveis pela composição do espetáculo. O diretor Morettho também recebeu colaboração da autora Paula Chagas Autran para a construção da dramaturgia e do maestro Luciano de Carvalho para a trilha sonora, além de Carol Autran e Silvestre J.R. para a iluminação.

 

Os Crimes da Rua Morgue (1841)

Que canção cantavam as sereias? Que nome tomara Aquiles quando se ocultou entre as
mulheres? Perguntas são estas de embaraçosa resposta, é certo, mas que não estão fora
de possíveis conjeturas.

Assim começa o conto de Poe que recebeu o título original de The Murders in the Rue Morgue (Os Assassinatos da Rua Morgue). Aqui há o personagem C. Auguste Dupin, considerado precursor de Sherlock Holmes, que é responsável pela investigação do sinistro assassinato de duas mulheres, mãe e filha. A partir daí, o detetive consegue resolver o enigma desse ato de crueldade, cometido no quarto andar de uma casa na Rua Morgue, em Paris.

A narrativa já foi adaptada para o cinema diversas vezes, tendo dois filmes homônimos: um dirigido por Robert Florey, em 1932, e outro, feito para televisão, por Jeannot Szwarc, em 1986. Phantom of the Rue Morgue (1954), de Roy Del Ruth, também segue a mesma história. O conto também serviu de base para as músicas Murders in the Rue Morgue, da banda Iron Maiden e Little Disfunk You, do grupo sueco The Ark.

 

O Corvo (1845)

Este conto trata da misteriosa figura de um pássaro negro que pousa sobre o busto de Pallas (Atenas), na residência de um moribundo homem a sofrer pela perda de Lenora (Lenore), mulher que amava. O poema O Corvo (The Raven) trata de um implacável, insensível e cruel fato: a morte. A própria estrutura literária escolhida por Poe representa quão perpétua é a temática fúnebre: as 18 estrofes que compõem a obra são intercaladas com versos sempre finalizados em more (mais), sendo como palavra ou como sufixo. Nevermore (nunca mais) é a expressão que mais se repete, uma vez representante do som reproduzido pelo Corvo.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o Corvo, "Nunca mais"
Traduzido por Fernando Pessoa
Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore
"
Edgar Allan Poe

 

O poema também foi traduzido para o português por Machado de Assis e para o francês, por Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé. No cinema, o filme O Corvo (1994), de Alex Proyas, foi uma adaptação de uma história em quadrinhos escrita por James O'Barr, que teve sua maior influência na obra de Poe. O escritor é remetido várias vezes, sendo por citação ou por encenação de um costume que as crianças tinham ao avistar Edgar: elas imitavam um corvo e Poe retribuía dizendo nevermore.

 

O Gato Preto (1843)

"Quando falávamos da sua inteligência (a do gato), a minha mulher, que não era de todo impermeável à superstição, fazia frequentes alusões à crença popular que considera todos os gatos pretos como feiticeiras disfarçadas."

Culpado pela morte de sua mulher, um homem é condenado à forca. Este mesmo personagem é, também, o narrador do conto em que ele descreve um suposto gato preto de índoles demoníacas e sobrenaturais que teria o levado a cometer tal crime. Essa história é tida como um estudo da psicologia da culpa, além de ser considerada próxima ao conto The Tell-Tale Heart, também escrito por Poe.

A repercussão de The Black Cat é grande. Desde o século em que Poe viveu, já havia um grande público fã da ficção: o cabaré Le Chat Noir, fundado em 1881 por Rodolphe Salis, recebeu este nome por influência do escritor americano, de Baudelaire e de lendas francesas. No século XXI, quem retomou Edgar foi o cinema, com duas adaptações de mesmo nome: uma lançada em 1941 e outra, dois anos depois. A história volta em 64, com a trilogia de Roger Corman, Tales of Terror.

 

Veja também:

Saiba mais sobre Edgar Allan Poe e confira mais referências de seus poemas em obras de arte no site: http://www.poebrasil.com.br

 

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