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Virada Cultural - maio de 2009
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de 15/5 a 5/7 Para comemorar os duzentos anos de nascimento de um dos precursores da literatura fantástica e de terror, a companhia O Grito estreia a peça Poe, Edgar. Em seu sexto trabalho, o diretor Roberto Morettho recria a atmosfera obscura regida pelas temáticas do escritor americano. Serão seis atores os responsáveis pela representação de três das obras mais populares: O Corvo, O Gato Preto e Os Crimes na Rua Morgue. Numa escuridão do palco quebrada por velas é onde a Cia O GRITO, fundada em 2003, no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, mostra suas habilidades. O grupo tem adicionados ao seu repertório, também, os espetáculos O Armário Mágico, Caça aos Ratos, A Terra Onde Nunca se Morre, Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca e O Caso da Cãs. Em Poe, Edgar, O GRITO traz os atores Alessandro Hernandes, Abel Teixiera, Leia Rapozo, Ligia Borges, Carol Cashie e Perla Frenda. Na equipe de produção, Eduardo Parisi, Lilih Curi e Tatiana Guimarães foram responsáveis pela composição do espetáculo. O diretor Morettho também recebeu colaboração da autora Paula Chagas Autran para a construção da dramaturgia e do maestro Luciano de Carvalho para a trilha sonora, além de Carol Autran e Silvestre J.R. para a iluminação.
Os Crimes da Rua Morgue (1841) Que canção cantavam as sereias?
Que nome tomara Aquiles quando se ocultou entre as Assim começa o conto de Poe que recebeu o título original de The Murders in the Rue Morgue (Os Assassinatos da Rua Morgue). Aqui há o personagem C. Auguste Dupin, considerado precursor de Sherlock Holmes, que é responsável pela investigação do sinistro assassinato de duas mulheres, mãe e filha. A partir daí, o detetive consegue resolver o enigma desse ato de crueldade, cometido no quarto andar de uma casa na Rua Morgue, em Paris. A narrativa já foi adaptada para o cinema diversas vezes, tendo dois filmes homônimos: um dirigido por Robert Florey, em 1932, e outro, feito para televisão, por Jeannot Szwarc, em 1986. Phantom of the Rue Morgue (1954), de Roy Del Ruth, também segue a mesma história. O conto também serviu de base para as músicas Murders in the Rue Morgue, da banda Iron Maiden e Little Disfunk You, do grupo sueco The Ark.
O Corvo (1845) Este conto trata da misteriosa figura de um pássaro negro que pousa sobre o busto de Pallas (Atenas), na residência de um moribundo homem a sofrer pela perda de Lenora (Lenore), mulher que amava. O poema O Corvo (The Raven) trata de um implacável, insensível e cruel fato: a morte. A própria estrutura literária escolhida por Poe representa quão perpétua é a temática fúnebre: as 18 estrofes que compõem a obra são intercaladas com versos sempre finalizados em more (mais), sendo como palavra ou como sufixo. Nevermore (nunca mais) é a expressão que mais se repete, uma vez representante do som reproduzido pelo Corvo.
O poema também foi traduzido para o português por Machado de Assis e para o francês, por Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé. No cinema, o filme O Corvo (1994), de Alex Proyas, foi uma adaptação de uma história em quadrinhos escrita por James O'Barr, que teve sua maior influência na obra de Poe. O escritor é remetido várias vezes, sendo por citação ou por encenação de um costume que as crianças tinham ao avistar Edgar: elas imitavam um corvo e Poe retribuía dizendo nevermore.
O Gato Preto (1843) "Quando falávamos da sua inteligência (a do gato), a minha mulher, que não era de todo impermeável à superstição, fazia frequentes alusões à crença popular que considera todos os gatos pretos como feiticeiras disfarçadas." Culpado pela morte de sua mulher, um homem é condenado à forca. Este mesmo personagem é, também, o narrador do conto em que ele descreve um suposto gato preto de índoles demoníacas e sobrenaturais que teria o levado a cometer tal crime. Essa história é tida como um estudo da psicologia da culpa, além de ser considerada próxima ao conto The Tell-Tale Heart, também escrito por Poe. A repercussão de The Black Cat é grande. Desde o século em que Poe viveu, já havia um grande público fã da ficção: o cabaré Le Chat Noir, fundado em 1881 por Rodolphe Salis, recebeu este nome por influência do escritor americano, de Baudelaire e de lendas francesas. No século XXI, quem retomou Edgar foi o cinema, com duas adaptações de mesmo nome: uma lançada em 1941 e outra, dois anos depois. A história volta em 64, com a trilogia de Roger Corman, Tales of Terror.
Veja também: Saiba mais sobre Edgar Allan Poe e confira mais referências de seus poemas em obras de arte no site: http://www.poebrasil.com.br
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