até 10/5
Aurélio Becherini - São Paulo em
transição
Fotografias históricas que revelam a transformação da
cidade de São Paulo.
Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados,
das 10h às 18h - Sala Tarsila do Amaral.
curadoria: Rubens
Fernandes Junior - realização: Museu da Cidade de São
Paulo.
Sobre Aurélio Becherini
Aurélio Becherini
(1879-1939), italiano de nascimento, é conhecido como o primeiro repórter
fotográfico de que se tem notícia na capital. Seus registros
foram publicados principalmente no jornal O Estado de S. Paulo, mas ele também
trabalhou para o Correio Paulistano, Jornal do Comércio, e nas revistas
A Cigarra, Cri-Cri e Vida Doméstica, entre outras. Devido a essas experiências,
ele imprimiu um olhar jornalístico em toda sua obra.
Seu trabalho na prefeitura
começou quando, no início da década de 1910, o então
prefeito Washington Luís (1914-1919) contratou Becherini para desenvolver
o Álbum comparativo da cidade de São Paulo, um registro
da cidade que, nas primeiras décadas do século XX, buscava adequar-se
aos novos parâmetros instituídos pela modernidade, inspirada
nas reformas realizadas em Paris pelo Barão Haussman. Nesse período
de turbulências e transformações, a fotografia tornou-se
a principal referência iconográfica.
Ele desenvolveu seu trabalho
numa área relativamente pequena da cidade de São Paulo, registrando
aquele instante de significativa alteração na vida cotidiana.
Becherini tem, como fotógrafo documental, a informação
e o estilo que caracterizam os profissionais da época: composição
harmoniosa, equilíbrio impecável e a necessidade de flagrar
um instante fugidio no fluxo inexorável do tempo. Porém, o que
o diferencia dos seus pares é a constante busca de singularidades,
que se tornavam mais importantes que os lugares fotografados.
Sobre a exposição
Esta seleção
mostra quatro fases da cidade entre 1900 e 1928:
1 - Construções
coloniais
Uma cidade calma, com edificações que hoje são referências
históricas - Café Brandão, Bijou Salão, antiga
Igreja da Sé, a sede do Corpo de Bombeiros, entre outros. Becherini
flagrou essa atmosfera, destacando a presença dos tílburis (carro
de duas rodas e dois assentos puxado por um só animal), das carroças
e de bondes.
2 - Demolições
cedendo espaço para os planos urbanísticos
Becherini registra a cidade em plena transição, invadida pelas
obras transformadoras, pelos affiches (outdoors) e pelas propagandas.
Uma São Paulo que abria seus espaços para os projetos urbanos
arrojados e para as novidades tecnológicas, que viriam estabelecer
novas experiências sensoriais. Foi nessa época que o fotógrafo
produziu imagens para o volume Álbum comparativo da cidade de São
Paulo.
3 - A cidade que emerge
a partir da nova configuração
São Paulo é uma metrópole emergente. A cidade abandonou
seu traçado colonial e alterou o gabarito das edificações.
Em algumas fotografias, a câmera é alta; em outras, é
colocada no meio dos trilhos dos bondes; e a lente grande angular dá
conta dos amplos espaços criados para a nova cidade. Becherini sempre
procura se colocar no lugar do olhar curioso do cidadão que passeia
pelo espaço urbano buscando compreender as transformações.
A cidade anuncia as novidades - Cinzano, A Saúde da Mulher, São
Paulo Progride, Casas Pernambucanas, Chocolates Falchi.
4 - Olhar técnico
e contemplativo
Em seu trabalho documental, Becherini fotografou o mesmo lugar em momentos
diferentes, para registrar as transformações urbanas. A exatidão
da sua fotografia deixa clara sua habilidade e seu domínio técnico,
mas o importante é deixar-se contaminar pelos instantes fugidios e
contemplar São Paulo em plena transição.
No dia 24/1, dia da abertura da exposição, também foi
lançado o livro Aurélio Becherini, com 140 imagens de Becherini
que registram a cidade de São Paulo entre 1900 e 1930, além
de textos por Rubens Fernandes Junior, José de Souza Martins e Ângela
Garcia. O volume foi organizado pelo Museu da Cidade de São Paulo e
editado pela Cosac Naify. O projeto gráfico é da diretora de
arte Elaine Ramos.
A mostra e livro dão
continuidade à proposta de difusão da coleção
de imagens da Seção Acervo de Negativos do Museu da Cidade de
São Paulo e Departamento do Patrimônio Histórico. O projeto
começou em 2007, com a publicação do livro BJ Duarte:
Caçador de imagens.
Departamento do Patrimônio Histórico
Divisão Iconografia e Museus
Museu da Cidade de São Paulo
Apoio Centro Cultural São Paulo www.museudacidade.sp.gov.br