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O feminino/masculino na dança Resistindo às muitas marés, por dezessete anos O feminino na dança e O masculino na dança se estabeleceram como mostras que ajudaram a manter o Centro Cultural São Paulo como um dos principais palcos da dança de São Paulo. Fazendo fluir diversos conceitos artísticos, o palco da sala Paulo Emilio Salles Gomes acolheu os mais variados cenários de uma dança que se configura pela sua diversidade: a dança paulista. Ao longo desses anos, muito se experimentou acerca das diferenças entre os sexos na dança, pretendendo-se também problematizar a questão dos gêneros. Em 2009, percebemos a necessidade de uma atualização no discurso conceitual dos projetos da área da dança em uníssono com as reformulações gerais iniciadas com a nova gestão do CCSP, desde 2005. Atualizamo-nos, também, em relação à atual paisagem da dança nacional (e internacional), que vem sendo povoada por jovens criadores que colocam seus corpos como mediação de uma arte que se pretende sem cânones e que solicita, permanentemente, a manutenção da pluralidade em todos os sentidos, apesar e além da irredutível diferença entre homens e mulheres, feminino e masculino. Agora, para homenagear e celebrar estas que foram mostras emblemáticas no cenário da dança de São Paulo, que revelaram e incentivaram criadores de danças de diversas vertentes, propiciando um espaço permanente de reflexão, realizamos esta Mostra O Feminino/Masculino na dança. Os artistas aqui reunidos foram convidados a remontar trabalhos que já apresentaram nas mostras Feminino e Masculino, em anos anteriores, com o olhar de hoje. O que foi apresentado lá passa agora por uma revisão conceitual, esgarçando a discussão acerca das peculiaridades de remontagens de repertório de grupos e artistas contemporâneos, propiciando olhar para essas diferentes trajetórias enquanto processos. Rever espetáculos de décadas passadas remontados em 2009 acende ainda uma luz sobre uma geração de artistas em constante reinvenção, que insiste e permanece evoluindo. A responsabilidade por esta empreitada, vale ressaltar, recai sobre um pensamento crítico, tendo sempre como foco a aproximação entre a arte, a reflexão, a gestão cultural e o público. Lara Pinheiro
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