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Um Recorte do Documentário Brasileiro Contemporâneo
de 7 a 19/7

Idade recomendada: 16 anos
Sala Lima Barreto (100 lugares)
Entrada franca (retirar ingressos uma hora antes de cada sessão)

O Ciclo traz um perfil da produção documental brasileira com a exibição de 14 títulos compreendidos entre 2000 e 2005.

(Os filmes serão apresentados em suporte DVD, exceto 500 Almas, que será exibido em suporte 35mm)

A Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo apresenta um significativo recorte da produção documental brasileira compreendida no espaço de cinco anos que vão de 2000 a 2005. São 14 títulos com obras referenciais do gênero. Em Prisioneiro da Grade de Ferro, por exemplo, Paulo Sacramento esmiúça as entranhas da então Casa de Detenção do Carandiru, porém partilhando essa leitura com os próprios detentos que, em muitos momentos, tomam da câmera e registram o próprio cotidiano. Em Pizza o cineasta paulista Ugo Giorgetti utiliza um acepipe “tipicamente paulista” para fazer uma leitura da urbis, da metrópole: O prato como produto cultural que se espraia por toda cidade onde as pessoas – independentemente da classe social –, pagando mais ou menos pela iguaria, a consomem à farta. No belo Edifício Master um dos principais documentaristas brasileiros em atividade, o paulista Eduardo Coutinho, nos traz o universo rico e multifacetado dos moradores do mítico prédio carioca: suas vidas, seus cotidianos e suas trajetórias como foco essencial da narrativa. Quatro personalidades da cultura brasileira têm as suas trajetórias apresentadas neste ciclo: O poeta Itabirano Carlos Drummond de Andrade, no filme Poeta de Sete Faces, do diretor Paulo Thiago; o sambista baiano Clementino Rodrigues – que influenciou diversos artistas da MPB –, no filme Samba Riachão, do diretor Jorge Alfredo; a vida e obra do cineasta Mário Peixoto são reveladas no filme Onde a Terra Acaba, de Sérgio Machado; e o visceral e revolucionário diretor baiano Glauber Rocha tem sua vida contada com paixão pelas hábeis mãos do diretor Sílvio Tendler no filme Glauber, o filme – Labirinto do Brasil.

As variadas formas como os deficientes visuais “veem”, “leem”, apreendem e sentem o mundo são apresentadas no delicado e denso filme Janela da Alma, dos diretores Walter Carvalho e João Jardim. Nesse filme podemos apreciar a arte do fotógrafo cego Eugen Bavcar e depoimentos de Saramago, Wim Wenders, Antonio Cícero e outros. O chamado da fé, a vocação religiosa, as diferentes formas de exercê-la e suas implicações são objeto do filme O Chamado de Deus, do diretor José Joffily. Já no filme 500 Almas o diretor Joel Pizzini discute o processo de reconstrução da memória e da identidade dos índios Guatós, tribo nômade dispersa pela região pantaneira. O diretor Kiko Goifman, filho adotivo, decide, aos trinta e três anos de idade, pela busca de sua mãe biológica. Essa saga foi retratada no personalíssimo filme 33. Negação do Brasil, do diretor Joel Zito Araújo, realiza uma cuidadosa análise da participação do negro na telenovela brasileira no período compreendido entre 1963 e 1979. Para finalizar este recorte dois belos filmes: O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, dos diretores Paulo Caldas e Marcelo Luna, traz dois personagens do mundo real: Helinho e Garnizé. Eles são o eixo condutor da narrativa. O primeiro é justiceiro. O segundo líder comunitário e músico de um grupo de rap. Diferentes modos de encarar uma mesma guerra surda, uma mesma realidade perversa. Em Um Passaporte Húngaro a diretora Sandra Kogut, a partir da saga que um pedido de passaporte enseja, nos conduz para a reflexão do conceito do que é nacionalidade: o que é ser brasileiro? O que é ser húngaro?

Esperamos que o nosso público aprecie essa seleção deliberadamente diversificada do aguerrido documentário contemporâneo brasileiro. Boa sessão a todos!

Arnaldo Fernandes Junior
Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo

 

curadoria de audiovisual do ccsp arnaldo fernandes junior e luiz felipe miranda arte gráfica solange azevedo impressão gráfica do ccsp

 

 

 

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