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Sessão especial - Cinevivo

produção: A.S.C. Audiovisual
Edital Primeiras Obras da Prefeitura Municipal de São Paulo

Entrada franca
(retirar ingressos com uma hora antes de cada sessão)
Sala Lima Barreto (100 lugares)

Saiba mais no site:
http://www.cinevivo.com.br/


dias 16, 24 e 30/5
14h
Fluidos

O filme que é exibido e gravado ao mesmo tempo
Idealizador do gênero esclarece as ideias de seu projeto

texto e entrevista: Lidia Zuin
edição: Paula Bassi


Os atores Gus Stevaux e Tatiana Eivazian em cena do filme Fluidos

CineVivo é uma experiência múltipla, em que aspectos televisivos, cinematográficos e teatrais se encontram. Entretanto, Alexandre Carvalho, criador do gênero, criador do gênero, moldou Fluidos, seu primeiro longa-metragem no formato, de acordo com técnicas próprias do cinema. Assim, a performance dos atores é direcionada à câmera, os enquadramentos são característicos da linguagem e os espectadores assistem ao filme, que é ao vivo, em uma sala de cinema.

É importante distinguir Cinema Vivo de Cinema Ao Vivo. Este foi um projeto idealizado para o Festival do Rio, em 2007, quando VJs, videoartistas e cineastas se reuniram no palco do Odeon, para um remix experimental de imagens e sons.

Formado em cinema pela USP, Alexandre está cursando mestrado em Interatividade. Tem como influência mestres do cinema como o dinamarquês Lars Von Trier - por conta de suas experiências com a linguagem cinematográfica -, o espanhol Pedro Almodóvar e, da produção nacional, Fernando Meirelles e Chico Teixeira, diretor do filme A Casa de Alice.

O filme Fluidos, produzido pela A.S.C. AUDIOVISUAL, é ganhador do Edital Primeiras Obras, da Prefeitura Municipal de São Paulo e se dispõe em quatro apresentações e dois ensaios abertos.

Como funciona?
A estética não conta com direção de arte, além de utilizar pouca iluminação artificial. O diretor, entretanto, faz a ressalva de que "poderia fazer um formato do CineVivo montado em um set de filmagem", o que não é a proposta de Fluidos.

Apesar de toda essa aproximação com a realidade proposta pelo CineVivo, quase tomando um aspecto naturalista, o filme vai contar com trilha sonora diegética (dentro do contexto ficcional). "A trilha vai ser uma que poderia existir no próprio lugar. Por exemplo, a música estar tocando no bar. Isso serve até para não quebrar o aspecto cotidiano". O conteúdo vai ser essencialmente instrumental e as músicas surgirão em poucos lugares.

Quanto aos aspectos técnicos, serão utilizadas três câmeras e a transmissão será feita por meio de cabos e por ar (método usado pela televisão em programações ao vivo). Alexandre e sua equipe estão há seis meses pesquisando os melhores métodos. A Internet 3G já foi cogitada, mas, como apontou o diretor: "O problema é tanto estrutural quanto financeiro". Ele acredita que o conflito nem esteja tão relacionado ao financiamento, mas à própria insuficiência da tecnologia disponível no Brasil.

Haverá também cenas gravadas previamente, as quais farão parte da narrativa. Os personagens se contextualizarão em outros cenários, como num quarto. Estas são partes essenciais quanto à temática do filme.

O enredo
Fluidos quer mostrar o cotidiano de um Centro Cultural por meio de três duplas de personagens interagindo em torno de uma mesma temática. Todas as histórias falam sobre a atualidade do vídeo, da imagem gravada por webcam, celular ou câmera escondida. Ou seja, a exposição a que todos estão sujeitos. "Hoje, nossa vida está sempre sendo gravada de alguma maneira". Os vídeos pré-gravados têm muito a ver com isso.

Não obstante, também serão explorados conflitos de relacionamento. "É um filme bem contemporâneo, no sentido da dificuldade que as pessoas têm com o afeto. Atualmente, existe uma dificuldade de toque, de relacionamento. Tudo é muito momentâneo. Acontece naquele momento e depois já é outra coisa."

Os atores e os personagens
Os três núcleos são formados por um casal escravo de seus próprios fetiches (gravar suas relações sexuais), uma mulher que apenas tem contato com seu marido através da internet e um garoto que expõe sua vida na televisão, por meio de um programa sensacionalista.

Todos eles se encontram fisicamente, mas as histórias não se cruzam. Não há interferência. Existe um roteiro a ser seguido e as falas são previstas para se encaixar em 70 minutos de reprodução, "só que [o roteiro] está sujeito ao imponderável do ao vivo, às interferências".

Alexandre diz que os atores vão poder agir livremente, mas sem perder o foco do enredo. "Existe um fio narrativo, um sentido na história que não pode ser perdido. Mas eles vão ter que lidar com qualquer interferência. Por exemplo, se alguém interagir com a câmera, o ator vai ter que lidar com isso. Os atores precisam de duas coisas: saber lidar com o 'ao vivo', com o momento, com o tempo real e atuar para a câmera, que é o que interessa".


De onde surgiu a ideia?
Alexandre relaciona o CineVivo com os conceitos explorados em seu mestrado em Interatividade. "Essa proximidade com o público é uma forma de interatividade. (...) Inclusive, o Cinema Vivo não era, mas vai ser minha dissertação agora". O cineasta acrescenta que já faz um tempo que a ideia formal do CineVivo surgiu: "Eu lembro de, no ônibus, estar pensando: mas e se estiver acontecendo uma cena aqui, ao vivo, e ao mesmo tempo passasse numa tela? Então, eu me perguntava: quanto dinheiro vai precisar para isso?"

Apesar das ligações feitas com o teatro, o cineasta afirma que não foi essa a sua intenção, uma vez que não tem proximidade com a técnica regida pelas artes cênicas.

Os espectadores
Com o nascimento da ideia do CineVivo, Alexandre não havia surgido também uma proposta quanto ao direcionamento de público. Tudo começou com uma pesquisa relativa às pessoas que freqüentam centros culturais. A partir daí, ele criaria ficções de um cotidiano distinto que se enquadraria ao local analisado.

O cineasta não tem pretensões quanto ao seu trabalho. "Eu acho que é uma experiência e é assim que eu quero que as pessoas vejam". Apesar disso, em um ensaio realizado em espaço público, houve um mal entendido perante uma cena mais sensual do casal de namorados que faz parte da trama. Por conta disso, em junho, Alexandre se dispôs a abrir um debate no Centro Cultural da Juventude para elucidar melhor seu trabalho.

"Como a gente está trabalhando muito perto das pessoas, tudo serve para retratar o cotidiano. A gente está buscando essa realidade, mas vai isolar o local, para não ficar avisando um por um que é um filme. Às vezes, as pessoas não percebem que tem câmera e entram nesse jogo de ficção. Eu não sei exatamente o que acontece. Nem era nosso objetivo principal, o das pessoas entrarem e não perceberem o que está acontecendo. Mas pelos ensaios, a gente vê que está acontecendo". Dessa forma, os transeuntes acabam se tornando figurantes.

 

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