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produção: A.S.C. Audiovisual Entrada franca Saiba mais no site:
O filme que é exibido e gravado ao mesmo tempo texto e entrevista: Lidia
Zuin
CineVivo é uma experiência múltipla, em que aspectos televisivos, cinematográficos e teatrais se encontram. Entretanto, Alexandre Carvalho, criador do gênero, criador do gênero, moldou Fluidos, seu primeiro longa-metragem no formato, de acordo com técnicas próprias do cinema. Assim, a performance dos atores é direcionada à câmera, os enquadramentos são característicos da linguagem e os espectadores assistem ao filme, que é ao vivo, em uma sala de cinema. É importante distinguir Cinema Vivo de Cinema Ao Vivo. Este foi um projeto idealizado para o Festival do Rio, em 2007, quando VJs, videoartistas e cineastas se reuniram no palco do Odeon, para um remix experimental de imagens e sons. Formado em cinema pela USP, Alexandre está cursando mestrado em Interatividade. Tem como influência mestres do cinema como o dinamarquês Lars Von Trier - por conta de suas experiências com a linguagem cinematográfica -, o espanhol Pedro Almodóvar e, da produção nacional, Fernando Meirelles e Chico Teixeira, diretor do filme A Casa de Alice. O filme Fluidos, produzido pela A.S.C. AUDIOVISUAL, é ganhador do Edital Primeiras Obras, da Prefeitura Municipal de São Paulo e se dispõe em quatro apresentações e dois ensaios abertos. Como funciona? Apesar de toda essa aproximação com a realidade proposta pelo CineVivo, quase tomando um aspecto naturalista, o filme vai contar com trilha sonora diegética (dentro do contexto ficcional). "A trilha vai ser uma que poderia existir no próprio lugar. Por exemplo, a música estar tocando no bar. Isso serve até para não quebrar o aspecto cotidiano". O conteúdo vai ser essencialmente instrumental e as músicas surgirão em poucos lugares. Quanto aos aspectos técnicos, serão utilizadas três câmeras e a transmissão será feita por meio de cabos e por ar (método usado pela televisão em programações ao vivo). Alexandre e sua equipe estão há seis meses pesquisando os melhores métodos. A Internet 3G já foi cogitada, mas, como apontou o diretor: "O problema é tanto estrutural quanto financeiro". Ele acredita que o conflito nem esteja tão relacionado ao financiamento, mas à própria insuficiência da tecnologia disponível no Brasil. Haverá também cenas gravadas previamente, as quais farão parte da narrativa. Os personagens se contextualizarão em outros cenários, como num quarto. Estas são partes essenciais quanto à temática do filme. O enredo Não obstante, também serão explorados conflitos de relacionamento. "É um filme bem contemporâneo, no sentido da dificuldade que as pessoas têm com o afeto. Atualmente, existe uma dificuldade de toque, de relacionamento. Tudo é muito momentâneo. Acontece naquele momento e depois já é outra coisa." Os atores e os personagens Todos eles se encontram fisicamente, mas as histórias não se cruzam. Não há interferência. Existe um roteiro a ser seguido e as falas são previstas para se encaixar em 70 minutos de reprodução, "só que [o roteiro] está sujeito ao imponderável do ao vivo, às interferências". Alexandre diz que os atores vão poder agir livremente, mas sem perder o foco do enredo. "Existe um fio narrativo, um sentido na história que não pode ser perdido. Mas eles vão ter que lidar com qualquer interferência. Por exemplo, se alguém interagir com a câmera, o ator vai ter que lidar com isso. Os atores precisam de duas coisas: saber lidar com o 'ao vivo', com o momento, com o tempo real e atuar para a câmera, que é o que interessa".
Apesar das ligações feitas com o teatro, o cineasta afirma que não foi essa a sua intenção, uma vez que não tem proximidade com a técnica regida pelas artes cênicas. Os espectadores O cineasta não tem pretensões quanto ao seu trabalho. "Eu acho que é uma experiência e é assim que eu quero que as pessoas vejam". Apesar disso, em um ensaio realizado em espaço público, houve um mal entendido perante uma cena mais sensual do casal de namorados que faz parte da trama. Por conta disso, em junho, Alexandre se dispôs a abrir um debate no Centro Cultural da Juventude para elucidar melhor seu trabalho. "Como a gente está trabalhando muito perto das pessoas, tudo serve para retratar o cotidiano. A gente está buscando essa realidade, mas vai isolar o local, para não ficar avisando um por um que é um filme. Às vezes, as pessoas não percebem que tem câmera e entram nesse jogo de ficção. Eu não sei exatamente o que acontece. Nem era nosso objetivo principal, o das pessoas entrarem e não perceberem o que está acontecendo. Mas pelos ensaios, a gente vê que está acontecendo". Dessa forma, os transeuntes acabam se tornando figurantes.
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