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Um pouco de Henfil

Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves-MG, 5/2/1944 - Rio de Janeiro-RJ, 4/1/1988), mais conhecido como Henfil, iniciou sua carreira como cartunista, quadrinhista e colaborador d'O Pasquim (1969). Em 1970, lançou a revista Fradim, que reunia seus personagens mais famosos, portadores de sua marca registrada: um desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros e que retratavam a situação nacional da época. Sua importância na história dos quadrinhos no Brasil se deve à renovação que trouxe ao desenho humorístico nacional. Henfil atuou, ainda, em teatro, cinema, televisão e literatura, tendo sido marcante sua atuação nos movimentos políticos e sociais do país.

 

O desenhista, jornalista e escritor Henfil cresceu na periferia de Belo Horizonte, onde frequentou o Colégio Arnaldo da Ordem do Verbo Divino, um curso supletivo noturno e um curso superior de sociologia, que abandonou depois de dois meses. Henfil morreu no Rio de Janeiro, com 43 anos. Era hemofílico e contraiu Aids por meio de uma transfusão de sangue. Sempre teve uma saúde bastante delicada, assim como seus dois irmãos (Herbert e Francisco Mário), também hemofílicos. Além deles, Henfil tinha mais cinco irmãs.

Foi embalador de queijos, "boy" de agência de publicidade e jornalista, até especializar-se, no início da década de 1960, em ilustração e produção de histórias em quadrinhos, tornando-se conhecido nacionalmente, a partir de 1969, quando passou a colaborar no "Pasquim". Em 1970, lançou a revista Os Fradinhos, ou apenas Fradins. Suas tiras foram posteriormente divulgadas em vários países, com o título The Mad Monks, mas a experiência durou pouco, pois seus personagens foram considerados doentios.

A carreira de cartunista e quadrinhista começou em 1964, a convite do editor e escritor Robert Dummond, da Revista Alterosa, onde nasceram originalmente Os Fradinhos. Em 1965, começou a fazer caricatura política para o Diário de Minas. Em 1967, fez charges esportivas para o Jornal dos Sports do Rio de Janeiro, colaborando ainda nas revistas Visão, Realidade, Placar e o Cruzeiro. A partir de 1969, fixou-se no semanário Pasquim e no Jornal do Brasil, onde seus personagens atingiram um nível de popularidade pouco comum em termos de Brasil.

A produção de histórias em quadrinhos e cartuns do mineiro Henfil já possuía então sua marca registrada: um desenho humorístico político, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros.

Após uma década de trabalho no Rio de Janeiro, Henfil mudou-se para Nova York, onde passou dois anos em tratamento de saúde. A estada resultou em seu livro Diário de um Cucaracha (1976). De volta ao Brasil residiu algum tempo no Rio e depois em Natal - RN, retornando novamente ao Rio de Janeiro.

Além das histórias em quadrinhos e cartuns de estilo inconfundível, Henfil realizou a peça de teatro A Revista do Henfil (em co-autoria com Oswaldo Mendes), escreveu, dirigiu e atuou no filme Tanga - Deu no New York Times e teve uma incursão na televisão com o quadro TV Homem, do programa "TV Mulher", na Rede Globo de Televisão. Como escritor, publicou ainda sete livros: Hiroxima, meu humor, Diário de um cucaracha (ambos de 1976), Dez em humor (coletânea, em 1984), Diretas já, Henfil na China, Fradim de Libertação e Como se faz humor político (1984).

Henfil destacou-se, também, pela sua participação na política do país, devido ao seu engajamento na resistência contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos e pelas Diretas Já.

Finalmente, é importante ressaltar o papel exercido por Henfil na história dos quadrinhos brasileiros e na renovação do desenho humorístico nacional, com a criação de personagens típicos brasileiros - Os fradinhos, o Capitão Zeferino, a Graúna e o Bode Orelana. Sua obra pode ser considerada como um quadrinho da descolonização, já que foi realizada em uma época em que a produção nacional tinha seu desenvolvimento sufocado pela distribuição dos quadrinhos americanos pelo mundo inteiro. Seu combativo e alegórico humor gráfico brasileiro fazia da crítica uma arma de resistência e combate ao sistema político do país.

A Gibiteca Henfil possui para consulta a coleção completa dos Fradins, os livros A volta do Fradim, Diretas já, Isto era, Henfil na China, Fradim de libertação, Como se faz humor político e exemplares do Pasquim, além de acervo para pesquisa sobre o Henfil, entre eles, um fanzine de autoria de José Eduardo Cimó, livros teóricos, recortes de jornais e folhetos.

Fontes:

CIRNE, Moacy. História e crítica dos quadrinhos brasileiros. Rio de janeiro, Europa: FUNARTE, 1990.
CIRNE, Moacy. Uma introdução política aos quadrinhos. Rio de Janeiro, Achiané / Angra, 1982.
ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional
HENFIL morre de Aids aos 43 anos após cinco meses de internamento. Folha de São Paulo, 05/01/88, p.1-12.

Para saber mais sobre a biografia de Henfil, consulte:

MORAES, Denis de. Rebelde do traço: a vida de Henfil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.

 

 

 

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