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2011 - 2012 | ||||||||||||||||||
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| De curador para o público - textos curatoriais Neste momento de entrada em 2012 - ano de aniversário de 30 anos do CCSP -, as curadorias e a divisão de bibliotecas prepararam textos reflexivos sobre o que foi realizado em 2011 e as perspectivas para o ano que se inicia.
Artes visuais | Audiovisual | Bibliotecas | Dança | Educativo | Literatura | Música | Teatro
Artes visuais A
programação de artes visuais do Centro Cultural São Paulo
deste ano pretende dar prosseguimento às atividades iniciadas em 2010,
pensadas com o objetivo de produzir uma perspectiva ampla, mas também crítica,
da produção recente de arte no Brasil. Desde 1990, a identidade
formadora (de público e artistas) da instituição passa necessariamente
pelo Programa
de Exposições. Criado há
22 anos pela então Divisão de Artes Plásticas, à época
coordenada pela crítica de arte Sônia Salzstein, o Programa surgiu
de uma política institucional de incentivo à produção
e à difusão da arte contemporânea no Brasil. Curadoria de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo Audiovisual A
Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo prepara para 2012
várias novidades, a começar pela abertura de uma nova sala de cinema
e a reforma da Sala Lima Barreto, voltando em 2012 com o dobro de eventos e programações
de cinema. Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo Bibliotecas Discute-se,
atualmente, qual o papel que deverá desempenhar uma biblioteca pública
frente ao impacto das tecnologias de informação e comunicação.
Muitos acreditam que a popularização do acesso à internet
e a crescente oferta de livros digitais devem decretar o fim da biblioteca. Divisão de Bibliotecas do CCSP Dança ...e já é 2012: hora de rever e planejar! O
tempo corre a passos largos e, de repente, já chegamos a 2012! E, atrás
dele, corremos você, eu e todos nós, com nossas vidas quase sempre
desenfreadas nessa cidade que não para. E como tem coisas para se fazer
por aqui, não? Programas culturais é o que não nos falta...
Ainda bem! O
ano de 2011 foi o segundo, e último, ano do Eixo
Curatorial Dança Expandida, que
é, sobretudo, um modo de operar, de trabalhar, linkado e ativo, estabelecendo
espaços de trocas e experiências, e também lugares para conflitos,
divergências, contradições, tensões e concorrências
múltiplas. O fundamento desse eixo curatorial é o de operar como
um produtor de instabilidades, fluxos, espaços relacionais e de acordos.
Dentro dessa ideia, a Curadoria
de Dança optou por "marcar" o ano com a realização
de dois grandes projetos:
O
Semanas de Dança, na edição de 2011, foi o resultado
de uma nova, porém sólida e muitíssimo bem-vinda parceria
entre a Curadoria de Dança e a Divisão de Ação Cultural
e Educativa (DACE). Dela surgiu uma articulação entre temporadas
de espetáculos com diversificadas "ações de mediação",
para atingir, além do público específico de dança,
novas e ampliadas audiências. Leticia
Cocciolito Maria
Cristina Lopes Coelho Educativo Lado
a lado com o público Nesse espaço de comunicação entre frequentadores do Centro e nós que pensamos o dia a dia da Ação Cultural e Educativa do CCSP, que pensamos como ampliar a conversa entre todos que aqui convivem e torná-la mais próxima e potente, nosso esforço será o de compartilhar como a DACE pensou suas ações em 2011 e o que deseja para 2012, ano importantíssimo na história da instituição: aniversário de seus 30 anos. Comecemos por pensar a relação íntima entre Ação Cultural e Ação Educativa: se o conceito de cultura pode ser entendido como um conjunto de costumes e valores que um determinado povo tem e o de educação pode ser entendido como um mecanismo da cultura para sua transmissão, traição, questionamento e melhoria, tudo para que possamos conviver de maneira mais saudável, podemos deduzir que a soma de esforços pode nos colocar mais juntos e inteiros em discussões e práticas que dizem de fato respeito a nossa forma de olhar e viver a realidade que nos forma, informa, conforma, deforma, transforma. A partir desse pensamento, a DACE realizou algumas ações em 2011. Projetos curatoriais como o Centro Cultural, Seu Próprio, por exemplo. O projeto CC, Seu Próprio é um dispositivo criado para catalisar as impressões do sujeito do/sobre o espaço público. As ações são contínuas e estão em permanente construção. O nome do projeto foi inspirado na intervenção ocorrida em 2010 pelo Coletivo Bruto no espaço do Centro Cultural. A intenção é a de conhecer o fluxo de público ao mesmo tempo em que este público "conhecido" possa se reconhecer no espaço e construir novos trajetos e programas nos lugares do CCSP. A ideia inicial foi a de pensar mais amplamente o papel do setor educativo numa instituição cultural para além do chamado "serviço educativo", como proposto no eixo curatorial da DACE para o ano de 2011. Nesse sentido, ou seja, de opor-se a essa realidade, criamos o projeto para refletirmos, junto com artistas, educadores, produtores da cultura e, principalmente, frequentadores do CCSP em geral, ideias e práticas culturais em torno de conceitos como pertencimento, reconhecimento e identidade no e do espaço público. O projeto avançou bastante, para além de tudo o que fizemos (que pode ser acompanhado pela página da DACE que integra o site do CCSP), trouxe-nos perguntas importantes para partilharmos com o público que ocupa e vive esse espaço: "Como a ação cultural e educativa pode ampliar contatos e encontros entre pessoas de maneira mais potente? Quais temas e ações dialogam de maneira mais real com o dia a dia do público do CCSP? Como o público do CCSP se relaciona com a programação proposta pela curadoria?" Perguntas estas que se desdobraram e continuarão em 2012 a se desdobrar em projetos de extrema relevância realizados em 2011, como o edital inédito no Brasil de Projetos de Mediação em Arte; os Encontros Interdisciplinares; o projeto Professor no Centro - que trouxe o professor para o centro das discussões urgentes da cultura; os Encontros Agendados - um olhar de horizontalidade e encontro dado às tradicionais "visitas monitoradas de grupos". Projetos de qualidade para um público grande, como foi o caso do Brincando com Música, idealizado e conduzido pelo maestro Jamil Maluf; o Teatro Vento Forte; e a profícua parceria com o grupo Palavra Cantada, que formou um coral infantil no CCSP ao longo do ano de 2011, culminando numa belíssima apresentação de encerramento com Paulo Tatit e Sandra Peres; além do amplo diálogo gerado com as curadorias de Artes Visuais, Audiovisual, Música, Teatro, Interdisciplinar e Dança. E com a Divisão de Informação e Comunicação, em especial no pensamento de ações em rede. Uma imagem para a nossa conversa inicial, no sentido de uma ação que se pretende simultaneamente cultural e educativa, é a Horta que iniciamos - em parceria com a Escola Municipal de Jardinagem, os funcionários do centro e os moradores do entorno - no Jardim Suspenso (fachada da Av. 23 de Maio) e que continuará com tudo em 2012. Horta que trouxe a ideia e a prática do cultivo e da convivência, com o esforço e com a paciência de esperar o momento certo de colher: nem antes, nem depois. Imagem que nos trouxe a certeza de que uma ação que se ambiciona dialógica tem que ser dedicada, cuidadosa e coletiva. 2012 chega com a importante comemoração dos 30 anos do CCSP, no mês de maio, e os projetos da DACE vão continuar ainda mais intensamente, mesmo em meio à importante reforma que acontece nos espaços cênicos do CCSP. A Divisão prepara novas intervenções para o projeto CC, Seu Próprio, novos ciclos de debates, novos projetos cruzados com as diversas curadorias, novos workshops para professores dentro do projeto Professor no Centro, novos Encontros Agendados, novos Encontros Interdisciplinares, novos Projetos de Mediação em Arte; tantos e tantos encontros para pensarmos e vivermos em partilha o pertencimento, o reconhecimento e a identidade de cada um de nós no espaço público em constante invenção. Divisão de Ação Cultural e Educativa do CCSP Literatura e Poesia
A Curadoria de Literatura e Poesia do Centro Cultural São Paulo realiza ações periódicas de divulgação literária, como recitais, palestras, debates e festivais de poesia, com o objetivo de difundir autores brasileiros e internacionais de diferentes gerações e estilos, dos mais tradicionais aos inovadores, apostando na fórmula da diversidade com qualidade. No ciclo Poetas de Cabeceira, recebemos a cada mês um palestrante que conversa com o público sobre a biografia e o contexto histórico de seu poeta favorito, além de analisar sua obra. Em 2011, foram realizadas palestras sobre Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Augusto de Campos, Torquato Neto, Giuseppe Ungaretti, Herberto Helder, Federico Garcia Lorca, Dante Alighieri e Paulo Leminski. Nos recitais do Clube de Leitura de Poesia, que acontecem todos os meses, os poetas convidados fazem leituras de seus textos e conversam com o público sobre questões como a publicação do primeiro livro, a recepção crítica, o papel da internet na divulgação dos novos autores, entre outros temas. Ao longo do ano, recebemos alguns dos mais conhecidos poetas brasileiros da atualidade, como Claudio Willer, Frederico Barbosa, Glauco Mattoso e Alice Ruiz. Em novembro, realizamos uma edição especial do ciclo: Um Estrangeiro na Legião: Leituras de Roberto Piva. O recital integrou a programação do MIX Brasil. Uma outra ação desenvolvida com o objetivo de divulgar a poesia brasileira contemporânea junto ao público é a coleção de plaquetes Poesia Viva, editada pela Curadoria de Literatura. As plaquetes são pequenas publicações, com tiragens de 800 exemplares, impressas e distribuídas gratuitamente no próprio Centro Cultural São Paulo, em locais como a Biblioteca Sérgio Milliet e a Central de Informações. As plaquetes também estão disponíveis em nosso site institucional, na página da Coleção Poesia Viva. Realizamos também o ciclo Poesia dos 4 Cantos, atividade mensal dedicada à divulgação da poesia internacional, num formato que inclui a leitura de poemas na língua original e traduzida, com danças e músicas típicas de cada país, nos intervalos das leituras. Ao longo de 2011, aconteceram leituras temáticas de poesia árabe, italiana, persa, norte-americana, indiana, irlandesa, espanhola, escocesa e do Oriente Médio, na Praça das Bibliotecas do CCSP. Em 2011, aconteceu também o festival 2011 poetas por Km2, em parceria com o Centro Cultural da Espanha, que contou com autores de Brasil, México, Espanha e Peru. O evento, assistido por 400 pessoas, foi filmado e transmitido ao vivo pela internet. Novas linguagens Nossa proposta para 2012 é continuar a investir em atividades de qualidade nos mais diversos estilos e formas de expressão, buscando o que o poeta Haroldo de Campos chamou de "pluralidade de poéticas possíveis". Claudio
Daniel Música Durante o ano de 2011
a programação de música do Centro Cultural São
Paulo manteve seu ritmo intenso, com uma média de sete espetáculos
por semana, sendo cinco shows e dois concertos, além de projetos
especiais. Neste ano, porém, essa programação será
reestruturada devido ao início da reforma de boa parte das nossas
salas. Trata-se de uma notícia a ser comemorada, já que
esta iniciativa visa a proporcionar melhores condições de
infraestrutura que certamente surtirão efeito na qualidade das
apresentações. Ao mesmo tempo, ela nos obriga a reduzir
quantitativamente a programação. Curadoria
de Música do CCSP Teatro 2011, teatro em cada canto do Centro Cultural São Paulo Terminamos 2011 com um saldo muito positivo para a área de teatro no Centro Cultural São Paulo. Este relato é uma forma de compartilhar um pouco do panorama deste ano findo. O ano passado começou com o desafio de reaquecer o espaço teatral no Centro, requalificando o local para a pesquisa estética e trazendo o público jovem para este que é um dos lugares mais queridos dos fazedores de teatro na cidade de São Paulo. Para isso, propusemos três provocações ao trabalho: abrir espaço para trabalhos consagrados e artistas reconhecidos; criar chance para o diálogo entre linguagens; abrir o campo da pesquisa com trabalhos que compartilhassem procedimentos de criação. Longe de se tratar apenas de uma aposta teórica (clique aqui para ler o texto do eixo curatorial de teatro), nosso enfoque possibilitou a afluência de um público médio de 3000 pessoas/mês nos espetáculos, resultando em uma ocupação de 89% das lotações dos espetáculos (teatro adulto). A programação foi organizada enfatizando o perfil de cada espaço do CCSP e estabelecendo diferentes recortes para a ação da curadoria. Propusemos ao Espaço Cênico Ademar Guerra, uma programação bastante experimental, ainda que agremiando artistas já consagrados da cena teatral. Com isso, acolhemos no porão espetáculos como Luis Antonio - Gabriela, da Cia. Mungunzá (vencedor do prêmio APCA de melhor espetáculo em 2011, com quatro indicações ao prêmio Shell e três indicações ao prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, que estreou no CCSP); a estreia de Mantenha Fora do Alcance de Crianças, do PH2 Estado de Teatro; a estreia de Petróleo, de Alexandre dal Farra e Claiton Mariano; Camiños Invisibles... La Partida, marcando os 10 anos da Cia. Nova de Teatro; e a temporada de Ópera dos Vivos, da Cia. do Latão, uma das encenações mais expressivas de 2011. Trabalhos que exploravam o espaço de maneira dinâmica e não convencional, possibilitando a essas produções a efetivação de suas pesquisas relativas à disposição cênica e à intersecção de linguagens. A Sala Jardel Filho manteve seu caráter de ocupação por um teatro mais convencional, mas deu lugar a possibilidades bastante caras ao eixo curatorial proposto. A primeira delas foi a oportunidade de trazer para o público trabalhos mais investigativos, que marcaram encontro de diferentes artistas. Assim, temos que mencionar o encontro de Caco Ciocler com o diretor Roberto Alvim, da Cia. Club Noir, no polêmico espetáculo 45 Minutos; o encontro do Grupo Espanca! com o Grupo XIX de Teatro, no espetáculo Marcha para Zenturo; o encontro de Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli (melhor ator, por sua atuação neste espetáculo, prêmio Shell 2010) e Danilo Grangheia, no espetáculo As Três Velhas. A sala também possibilitou o acolhimento de uma residência artística do grupo de teatro musical jovem Cia. Teatro Rock, com a apresentação de quatro peças de seu repertório, a realização de oficinas para jovens e a criação e a temporada de um espetáculo inédito. Trabalhamos de maneira bastante propositiva com a Sala Paulo Emilio. Apesar de seu tamanho mais reduzido, a sala possibilitou a temporada de um minirrepertório da Cia. Hiato, do premiado diretor e dramaturgo Leo Moreira, além de programar os primeiros ensaios abertos do espetáculo O Jardim (melhor direção APCA 2011 e três indicações ao prêmio Shell). Nesse espaço recebemos um dos mais importantes grupos teatrais nordestinos, o Grupo Bagaceira de Teatro de Fortaleza, com o tocante espetáculo Meire Love, uma Tragédia Lúdica. Realizamos, em parceria com a Divisão de Ação Cultural e Educativa, a curadoria de Literatura e Poesia e a Divisão de Bibliotecas, uma programação abordando a obra do escritor argentino Julio Cortázar, recebendo, na Sala Paulo Emílio (além de outras atividades pelo espaço do CCSP), dois espetáculos baseados em textos do autor: Pronto para Morar e Instruções para Compor uma Peça. Às quartas-feiras de 2011 o teatro teve um espaço especial na Sala Adoniran Barbosa, com uma programação voltada para a improvisação e a participação de público e convidados. Assim, mantivemos uma programação fixa toda última quarta-feira de cada mês com os encontros do DCC - Dramaturgia Concisa e Contemporânea, organizados pelas diretoras e dramaturgas Claudia Schapira e Ana Roxo. DCC é um encontro para criação e experimentação de dramaturgia concisa, aberto à participação de todos, que sempre traz convidados especiais da área para debater os textos escritos e improvisados na hora. Também teve espaço, às quartas-feiras, a Banda Hamlet, composta de atores-músicos de vários coletivos teatrais importantes de São Paulo, que recebem convidados a cada apresentação. Além de uma temporada de grande sucesso do Jogando no Quintal, Jogo de Improvisação de Palhaços. O teatro também ocupou espaços alternativos do Centro com os espetáculos Ver( )Ter, da Cia. Lês Commediens Tropicales, um site specific em vários espaços do CCSP baseado nas obras do artista inglês Banksi; O Disfarce do Ovo, no Espaço Missão, a partir da obra de Clarice Lispector; e Porta(ria) Silêncio, trabalho autoral do artista potiguar João Junior sobre porteiros migrantes nordestinos na cidade de São Paulo, realizado na Sala Tarsila do Amaral. Acolhemos nos diferentes espaços também os repertórios de Denise Stoklos (com seus quatro últimos espetáculos) e o repertório comemorativo de dez anos do grupo Ivo 60. Viabilizamos, em 2011, em três frutíferas parcerias, a Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo, da Cooperativa Paulista de Teatro, em sua 7a edição, e a Mostra Dramática, dentro do Festival MIX. Junto com a Cia. Zin, realizamos a primeira edição das Conversas Poéticas entre Arte e Bebês, discutindo uma programação teatral voltada para crianças de até três anos de idade. Assim, começamos 2012 animados com as reformas que tornarão os espaços cênicos do Centro cada vez mais potentes e receptivos às criações na linguagem e aguardando ansiosamente para retomar uma programação vigorosa como foi a de 2011.
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