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2011 - 2012
 
 

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De curador para o público - textos curatoriais

Neste momento de entrada em 2012 - ano de aniversário de 30 anos do CCSP -, as curadorias e a divisão de bibliotecas prepararam textos reflexivos sobre o que foi realizado em 2011 e as perspectivas para o ano que se inicia.

 

Artes visuais | Audiovisual | Bibliotecas | Dança | Educativo | Literatura | Música | Teatro

 

Artes visuais

A programação de artes visuais do Centro Cultural São Paulo deste ano pretende dar prosseguimento às atividades iniciadas em 2010, pensadas com o objetivo de produzir uma perspectiva ampla, mas também crítica, da produção recente de arte no Brasil. Desde 1990, a identidade formadora (de público e artistas) da instituição passa necessariamente pelo Programa de Exposições. Criado há 22 anos pela então Divisão de Artes Plásticas, à época coordenada pela crítica de arte Sônia Salzstein, o Programa surgiu de uma política institucional de incentivo à produção e à difusão da arte contemporânea no Brasil.

Os artistas participantes do Programa de Exposições são selecionados, a partir da análise dos portfolios inscritos, por uma comissão que a cada ano se renova, composta de críticos e artistas de reconhecida importância no meio artístico nacional. No ano de 2011, os 18 artistas selecionados dividiram espaço com seis artistas convidados em exposições realizadas ao longo do ano. Este ano o número de selecionados vai ser reduzido para até 12, possibilitando assim a ampliação do espaço expositivo destinado a cada artista.

O ano de 2012 será marcado também pela volta do
Programa de Fotografia. Criado em 1998, o programa anual tinha como objetivo fazer o mapeamento da jovem produção fotográfica, abrindo espaço a fotógrafos em início de carreira e atendendo à grande demanda por espaços de exposição e programas de incentivo dedicados exclusivamente ao meio. Interrompida em 2009, a atividade é retomada agora e, a cada dois anos, vai reunir uma comissão de seleção composta de críticos e artistas.

Ao mesmo tempo em que dá espaço para jovens artistas, nossa programação também procura ampliar a perspectiva da arte feita hoje no País. Continuando a série de exposições iniciada em 2010 com Dimensões variáveis (reunindo obras de Daniel Acosta, Felipe Cohen, Marcius Galan e Nicolas Róbbio) e, em 2011, com
Dublê (reunindo trabalhos de Alexandre da Cunha e Débora Bolsoni), em março de 2012 o Centro Cultural São Paulo inaugura uma mostra reunindo trabalhos de Antonio Malta e Érika Verzutti produzidos desde 2000, parte deles inédita.

A série Monográficas também ganha continuidade em 2012. Iniciado em 2011, o projeto foi criado pela Curadoria de Artes Visuais do CCSP a fim de reexaminar a produção de artistas que iniciaram trajetória na virada para a década de 1990. A primeira exposição da série, com peças de
Fernanda Gomes, apresentada de fevereiro a maio de 2011, foi uma das finalistas da categoria Melhor Exposição da edição 2011 do Prêmio Bravo!, promovido pela revista homônima. Em 2012 é a vez de José Damasceno reunir um conjunto de 20 trabalhos seus, realizados entre 1989 e 2011, pertencentes a algumas das mais prestigiosas coleções públicas e particulares do Brasil, com o objetivo de constituir uma visada ampla do desenvolvimento dessa obra.

Assim, a Divisão de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo pretende trabalhar tanto com a potência experimental da arte contemporânea, fornecendo ferramentas para artistas desenvolverem trabalhos que não poderiam estar abrigados em outro espaço que não o CCSP, aberto à investigação artística, quanto com a ampliação das possibilidades que o público tem de experimentar a arte. Ampliar as possibilidades de ação dos artistas e de recepção da arte pelo público é o papel de uma instituição plural como o Centro Cultural São Paulo.

Curadoria de Artes Visuais do Centro Cultural São Paulo

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Audiovisual

A Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo prepara para 2012 várias novidades, a começar pela abertura de uma nova sala de cinema e a reforma da Sala Lima Barreto, voltando em 2012 com o dobro de eventos e programações de cinema.

Além de duas salas de cinema que terão exibição e equipamentos de projeção digital, o Centro Cultural São Paulo espera se alinhar com as salas de cinema do roteiro da cidade de São Paulo, sem deixar de perder seu caráter popular e sua programação contemporânea, trazendo para São Paulo o que de mais atual está acontecendo no cinema mundial e brasileiro.

Para 2012 a Curadoria de Audiovisual do CCSP pretende estender sua parceria com a Vitrine Filmes e a Brazucah, duas das produtoras brasileiras responsáveis por distribuir e trazer para as salas de audiovisual, o que há de mais interessante e independente no cinema brasileiro atual. Pretende também continuar o que começou em 2011, trazendo ciclos de filmes estrangeiros inéditos e a produção de textos e entrevistas para catálogos mensais, que darão projeção e longevidade aos recortes de cinema propostos, e uma oportunidade maior para o espectador de cinema do Centro Cultural São Paulo de aumentar seu conhecimento sobre os filmes, diretores, movimentos e potencializar as reflexões propostas pela curadoria do Centro Cultural São Paulo.

O Centro Cultural prepara para 2012, ainda a confirmar, um Festival de Cinema Japonês, em parceria com a Fundação Japão, trazendo o que há de mais novo e inovador no cinema japonês atual, nos moldes do tradicional festival japonês feito na Austrália, que já está na 15ª edição.

Além deste festival, ainda esperamos continuar nossas tradicionais parcerias com os cinemas japonês, coreano, francês e turco, e também com os festivais de curtas-metragens de São Paulo e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Dentro do projeto curatorial iniciado em 2010, com a ideia de trazer também para o Centro Cultural uma reflexão sobre os gêneros cinematográficos, vamos exibir grandes panoramas sobre o cinema de gênero chinês com a mostra CHINA BEAT, trazendo as grandes bilheterias dos últimos anos do cinema chinês.

Dentro do recorte da tradicional mostra de animação da Secretaria de Cultura, o Criança Entra X Criança Não Entra, o Centro Cultural São Paulo pretende trazer a produção completa, em qualidade digital, dos Estúdios Ghibli, o gigante da animação japonesa, casa do já conhecido animador japonês Hayao Miyazaki.

Entre as retrospectivas de grandes filmes e diretores, ainda teremos a segunda edição da Mostra de Restauro, em parceria com a Cinemateca de Bolonha, exibindo grandes clássicos do cinema mundial em cópias recém-saídas do forno, e um ciclo sobre o novo cinema da Austrália, liderado pela produtora Blue Tongue, com grandes filmes no currículo, que correram e venceram festivais independentes de grande calibre, como Sundance, entre outros, ganhando até algumas indicações para o Oscar. E, finalmente, uma retrospectiva do australiano Nicolas Roeg, diretor de Bad Timing - contratempo, entre outros filmes considerados clássicos do cinema de gênero.

Curadoria de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo

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Bibliotecas

Discute-se, atualmente, qual o papel que deverá desempenhar uma biblioteca pública frente ao impacto das tecnologias de informação e comunicação. Muitos acreditam que a popularização do acesso à internet e a crescente oferta de livros digitais devem decretar o fim da biblioteca.

Da mesma maneira que, em outra época, o teatro e o cinema foram declarados em vias de extinção por conta do aparecimento da televisão e, até hoje, continuam suas trajetórias, mas se modificando e reinventando, as bibliotecas públicas terão que procurar outros caminhos e oferecer novos serviços e/ou aperfeiçoar os já existentes.

Nessa fase de transição, além de atender ao público que vem à procura de seus serviços tradicionais, terá que estar atenta às novas exigências e necessidades, provenientes tanto das consequências do acelerado desenvolvimento tecnológico como também da decorrente forma de abordar a informação e o conhecimento por parte desse novo usuário partícipe dessa revolução tecnológica.

Nesse sentido, a biblioteca pública deverá, entre diversas outras funções, perceber-se como uma prestadora de serviços a distância e, ao mesmo tempo, um local de encontro, pois o ato de aprender exige a interação entre pessoas e a troca de ideias. Quando dizemos um local de encontro, não significa apenas receber passivamente, mas, sobretudo, ter uma atitude proativa, estimulando o debate, o compartilhamento de opiniões e estando atenta aos caminhos cada vez mais difusos e acelerados que percorrem a aprendizagem e o conhecimento.

Uma das maneiras para se procurar atender a essa função em especial é por meio da oferta de uma programação cultural diversificada, que dialogue com as diferentes formas de expressão e aborde uma gama de assuntos na qual una o interesse do público com sua capacidade de estimular o debate.

Assim, no ano de 2011, a Divisão de Bibliotecas iniciou um processo de reformulação de suas propostas de programação e difusão cultural. Essa reformulação teve como eixos norteadores o estímulo à leitura, a divulgação de seus acervos e serviços e a diversificação de temas abordados. Para tanto, trabalhou em parceria com as curadorias do Centro Cultural São Paulo, sobretudo com a de Literatura e Poesia, no intuito de ampliar seu público, otimizar recursos e diversificar as formas de manifestações culturais. Compreendendo a Biblioteca Sérgio Milliet, a Gibiteca Henfil, a Biblioteca Louis Braille e a Sala de Leitura Infanto-juvenil, a programação procurou, simultaneamente, atender aos anseios e interesses de seus usuários, propor novas formas e abordagens e comemorar uma data, no caso os
20 anos da Gibiteca Henfil, com eventos atraentes e significativos.

Para atender a essas propostas, foram realizadas exposições, oficinas, saraus, debates, palestras, workshops, contações de histórias, apresentações teatrais, projeções de filmes e a produção de um vídeo institucional em celebração aos 20 anos da Gibiteca Henfil.

E para 2012? Além de sempre procurar o aperfeiçoamento dos trabalhos tradicionalmente ofertados, pretendemos realizar uma pesquisa para avaliar o grau de satisfação com os serviços oferecidos e os interesses e desejos do público, continuar com a proposta de uma programação cultural diversificada e iniciar o processo de oferta de serviços por meio do sítio eletrônico da biblioteca.

Divisão de Bibliotecas do CCSP

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Dança

...e já é 2012: hora de rever e planejar!

O tempo corre a passos largos e, de repente, já chegamos a 2012! E, atrás dele, corremos você, eu e todos nós, com nossas vidas quase sempre desenfreadas nessa cidade que não para. E como tem coisas para se fazer por aqui, não? Programas culturais é o que não nos falta... Ainda bem!

Você, provavelmente, aproveita bastante do que aqui se oferece e muito possivelmente esteve conosco, acompanhando a programação de dança do CCSP (entre outras), durante o ano de 2011. E, como começo de ano é sempre um momento para olharmos para trás e refletirmos sobre o que foi realizado, para darmos o novo passo para diante, aqui nos propomos a fazer um apanhado do que aconteceu nos doze últimos meses, para só então olharmos para os outros doze que estão por vir.

O ano de 2011 foi o segundo, e último, ano do Eixo Curatorial Dança Expandida, que é, sobretudo, um modo de operar, de trabalhar, linkado e ativo, estabelecendo espaços de trocas e experiências, e também lugares para conflitos, divergências, contradições, tensões e concorrências múltiplas. O fundamento desse eixo curatorial é o de operar como um produtor de instabilidades, fluxos, espaços relacionais e de acordos.

Dentro dessa ideia, a Curadoria de Dança optou por "marcar" o ano com a realização de dois grandes projetos:

  • Semanas de dança - Públicos, que aconteceu nos meses de maio e junho;
  • Novos Coreógrafos - Novas Criações: Site Specific, que teve sua mostra entre outubro e novembro.

O Semanas de Dança, na edição de 2011, foi o resultado de uma nova, porém sólida e muitíssimo bem-vinda parceria entre a Curadoria de Dança e a Divisão de Ação Cultural e Educativa (DACE). Dela surgiu uma articulação entre temporadas de espetáculos com diversificadas "ações de mediação", para atingir, além do público específico de dança, novas e ampliadas audiências.

Nessa iniciativa, tivemos como desafio pensar em como as ações de difusão podem caminhar juntas com ações de formação. Foram realizadas 100 apresentações, de 23 companhias/artistas, durante oito semanas, de quinta a domingo. As "ações de mediação" aconteciam em dias diferentes das apresentações, como forma de ampliar a participação de novos e diversificados públicos.

O projeto Novos Coreógrafos - Novas Criações: Site Specific chegou à sua terceira edição e, desde sua criação, tem por objetivo valorizar a relação mais próxima e coerente com a arquitetura e a história do CCSP. Por edital, foram escolhidas oito criações coreográficas para serem concebidas exclusivamente para os espaços do CCSP. Os artistas fizeram uma residência no espaço escolhido da instituição (rampas das bibliotecas, foyer, jardim superior, etc.) durante um período de três meses e, ao final, apresentaram-se numa mostra que, em 2011, foi realizada em dois finais de semana. O NC-NC:SS proporciona a sensibilização do público em relação à dança, mas mobiliza também, em seu cotidiano de ensaios, um grande número de funcionários que, antes, não tinham contato com a programação de dança.

Veja também o vídeo especial sobre o NC-NC:SS produzido pela Web TV do CCSP

Além desses dois grandes projetos apresentados, também foram realizadas, mensalmente, temporadas curtas (de um ou dois finais de semanas) de espetáculos inéditos, ou que tivessem circulado pouco pela cidade de São Paulo e que mereciam ser revistos e reapresentados ao público do CCSP.

Para 2012, ano em que o CCSP comemora seus 30 anos, pretende ampliar sua atuação junto a públicos não "tradicionais" de dança, por meio de ações conjuntas e integradas com outras curadorias e uma consequente desmistificação dessa linguagem que ainda hoje é vista por muitos como hermética e inacessível.

Que venha este novo ano, com seus muitos desafios, e nele esperamos contar sempre com sua parceria!

Leticia Cocciolito
Curadora de Dança do CCSP

Maria Cristina Lopes Coelho
Curadora Associada


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Educativo

Lado a lado com o público

2011 foi um ano de importantes realizações para a Divisão de Ação Cultural e Educativa do Centro Cultural São Paulo, a DACE, como costumamos abreviar o nome, que é extenso por abranger dois campos bastante complexos e vitais numa instituição cultural que tem a relevância do Centro Cultural São Paulo: de um lado a Ação Cultural, ação que pretende ativar os diversos aspectos da cultura que estão implicados na forma de vivermos e convivermos. De outro lado, a Ação Educativa, ação que, por tão extensa atuação - desde a educação formal e escolar até a não formal, em movimentos sociais e em instituições culturais -, provoca entendimentos diferentes sobre o que de fato representa.

Nesse espaço de comunicação entre frequentadores do Centro e nós que pensamos o dia a dia da Ação Cultural e Educativa do CCSP, que pensamos como ampliar a conversa entre todos que aqui convivem e torná-la mais próxima e potente, nosso esforço será o de compartilhar como a DACE pensou suas ações em 2011 e o que deseja para 2012, ano importantíssimo na história da instituição: aniversário de seus 30 anos.

Comecemos por pensar a relação íntima entre Ação Cultural e Ação Educativa: se o conceito de cultura pode ser entendido como um conjunto de costumes e valores que um determinado povo tem e o de educação pode ser entendido como um mecanismo da cultura para sua transmissão, traição, questionamento e melhoria, tudo para que possamos conviver de maneira mais saudável, podemos deduzir que a soma de esforços pode nos colocar mais juntos e inteiros em discussões e práticas que dizem de fato respeito a nossa forma de olhar e viver a realidade que nos forma, informa, conforma, deforma, transforma.

A partir desse pensamento, a DACE realizou algumas ações em 2011. Projetos curatoriais como o Centro Cultural, Seu Próprio, por exemplo. O projeto CC, Seu Próprio é um dispositivo criado para catalisar as impressões do sujeito do/sobre o espaço público. As ações são contínuas e estão em permanente construção. O nome do projeto foi inspirado na intervenção ocorrida em 2010 pelo Coletivo Bruto no espaço do Centro Cultural. A intenção é a de conhecer o fluxo de público ao mesmo tempo em que este público "conhecido" possa se reconhecer no espaço e construir novos trajetos e programas nos lugares do CCSP.

A ideia inicial foi a de pensar mais amplamente o papel do setor educativo numa instituição cultural para além do chamado "serviço educativo", como proposto no eixo curatorial da DACE para o ano de 2011. Nesse sentido, ou seja, de opor-se a essa realidade, criamos o projeto para refletirmos, junto com artistas, educadores, produtores da cultura e, principalmente, frequentadores do CCSP em geral, ideias e práticas culturais em torno de conceitos como pertencimento, reconhecimento e identidade no e do espaço público. O projeto avançou bastante, para além de tudo o que fizemos (que pode ser acompanhado pela página da DACE que integra o site do CCSP), trouxe-nos perguntas importantes para partilharmos com o público que ocupa e vive esse espaço: "Como a ação cultural e educativa pode ampliar contatos e encontros entre pessoas de maneira mais potente? Quais temas e ações dialogam de maneira mais real com o dia a dia do público do CCSP? Como o público do CCSP se relaciona com a programação proposta pela curadoria?" Perguntas estas que se desdobraram e continuarão em 2012 a se desdobrar em projetos de extrema relevância realizados em 2011, como o edital inédito no Brasil de Projetos de Mediação em Arte; os Encontros Interdisciplinares; o projeto Professor no Centro - que trouxe o professor para o centro das discussões urgentes da cultura; os Encontros Agendados - um olhar de horizontalidade e encontro dado às tradicionais "visitas monitoradas de grupos". Projetos de qualidade para um público grande, como foi o caso do Brincando com Música, idealizado e conduzido pelo maestro Jamil Maluf; o Teatro Vento Forte; e a profícua parceria com o grupo Palavra Cantada, que formou um coral infantil no CCSP ao longo do ano de 2011, culminando numa belíssima apresentação de encerramento com Paulo Tatit e Sandra Peres; além do amplo diálogo gerado com as curadorias de Artes Visuais, Audiovisual, Música, Teatro, Interdisciplinar e Dança. E com a Divisão de Informação e Comunicação, em especial no pensamento de ações em rede.

Veja também o registro da ação no Twitter Cutuque sua memória, a primeira em 2011 promovida em parceria entre a DACE e a DIC

Uma imagem para a nossa conversa inicial, no sentido de uma ação que se pretende simultaneamente cultural e educativa, é a Horta que iniciamos - em parceria com a Escola Municipal de Jardinagem, os funcionários do centro e os moradores do entorno - no Jardim Suspenso (fachada da Av. 23 de Maio) e que continuará com tudo em 2012. Horta que trouxe a ideia e a prática do cultivo e da convivência, com o esforço e com a paciência de esperar o momento certo de colher: nem antes, nem depois. Imagem que nos trouxe a certeza de que uma ação que se ambiciona dialógica tem que ser dedicada, cuidadosa e coletiva.

2012 chega com a importante comemoração dos 30 anos do CCSP, no mês de maio, e os projetos da DACE vão continuar ainda mais intensamente, mesmo em meio à importante reforma que acontece nos espaços cênicos do CCSP. A Divisão prepara novas intervenções para o projeto CC, Seu Próprio, novos ciclos de debates, novos projetos cruzados com as diversas curadorias, novos workshops para professores dentro do projeto Professor no Centro, novos Encontros Agendados, novos Encontros Interdisciplinares, novos Projetos de Mediação em Arte; tantos e tantos encontros para pensarmos e vivermos em partilha o pertencimento, o reconhecimento e a identidade de cada um de nós no espaço público em constante invenção.

Divisão de Ação Cultural e Educativa do CCSP

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Literatura e Poesia


Uma "Pluralidade de Poéticas Possíveis"

A Curadoria de Literatura e Poesia do Centro Cultural São Paulo realiza ações periódicas de divulgação literária, como recitais, palestras, debates e festivais de poesia, com o objetivo de difundir autores brasileiros e internacionais de diferentes gerações e estilos, dos mais tradicionais aos inovadores, apostando na fórmula da diversidade com qualidade.

No ciclo Poetas de Cabeceira, recebemos a cada mês um palestrante que conversa com o público sobre a biografia e o contexto histórico de seu poeta favorito, além de analisar sua obra. Em 2011, foram realizadas palestras sobre Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Augusto de Campos, Torquato Neto, Giuseppe Ungaretti, Herberto Helder, Federico Garcia Lorca, Dante Alighieri e Paulo Leminski.

Nos recitais do Clube de Leitura de Poesia, que acontecem todos os meses, os poetas convidados fazem leituras de seus textos e conversam com o público sobre questões como a publicação do primeiro livro, a recepção crítica, o papel da internet na divulgação dos novos autores, entre outros temas. Ao longo do ano, recebemos alguns dos mais conhecidos poetas brasileiros da atualidade, como Claudio Willer, Frederico Barbosa, Glauco Mattoso e Alice Ruiz. Em novembro, realizamos uma edição especial do ciclo: Um Estrangeiro na Legião: Leituras de Roberto Piva. O recital integrou a programação do MIX Brasil.

Uma outra ação desenvolvida com o objetivo de divulgar a poesia brasileira contemporânea junto ao público é a coleção de plaquetes Poesia Viva, editada pela Curadoria de Literatura. As plaquetes são pequenas publicações, com tiragens de 800 exemplares, impressas e distribuídas gratuitamente no próprio Centro Cultural São Paulo, em locais como a Biblioteca Sérgio Milliet e a Central de Informações. As plaquetes também estão disponíveis em nosso site institucional, na página da Coleção Poesia Viva.

Realizamos também o ciclo Poesia dos 4 Cantos, atividade mensal dedicada à divulgação da poesia internacional, num formato que inclui a leitura de poemas na língua original e traduzida, com danças e músicas típicas de cada país, nos intervalos das leituras. Ao longo de 2011, aconteceram leituras temáticas de poesia árabe, italiana, persa, norte-americana, indiana, irlandesa, espanhola, escocesa e do Oriente Médio, na Praça das Bibliotecas do CCSP.

Em 2011, aconteceu também o festival 2011 poetas por Km2, em parceria com o Centro Cultural da Espanha, que contou com autores de Brasil, México, Espanha e Peru. O evento, assistido por 400 pessoas, foi filmado e transmitido ao vivo pela internet.

Novas linguagens

Hoje, há uma nova geração de poetas brasileiros que trabalham com a poesia eletrônica, realizada no computador, a videopoesia e a poesia visual, obtendo inclusive premiações em festivais internacionais. A Curadoria de Literatura e Poesia realizou em 2011 a mostra Videopoéticas, organizada por Élson Fróes, com trabalhos experimentais de poetas como Arnaldo Antunes, Lenora de Barros, Lúcio Agra e André Vallias, entre outros, expostos em 20 telas de plasma distribuídas na biblioteca e nos pisos Flávio de Carvalho e Caio Graco do CCSP.

Nossa proposta para 2012 é continuar a investir em atividades de qualidade nos mais diversos estilos e formas de expressão, buscando o que o poeta Haroldo de Campos chamou de "pluralidade de poéticas possíveis".

Claudio Daniel
Curador de Literatura e Poesia


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Música

Durante o ano de 2011 a programação de música do Centro Cultural São Paulo manteve seu ritmo intenso, com uma média de sete espetáculos por semana, sendo cinco shows e dois concertos, além de projetos especiais. Neste ano, porém, essa programação será reestruturada devido ao início da reforma de boa parte das nossas salas. Trata-se de uma notícia a ser comemorada, já que esta iniciativa visa a proporcionar melhores condições de infraestrutura que certamente surtirão efeito na qualidade das apresentações. Ao mesmo tempo, ela nos obriga a reduzir quantitativamente a programação.

Com uma breve interrupção durante os meses de janeiro e fevereiro, a nossa agenda de música volta em março já reformulada por esse processo. Assim, ficam temporariamente suspensas as séries Concerto ao meio-dia e Show ao meio-dia, que eram realizadas, respectivamente, às terças e sextas-feiras, sempre na hora do almoço.

No período noturno, nossa programação prossegue, ainda que num ritmo menor, com o mesmo objetivo que consagrou este Centro Cultural, que é promover espetáculos que contemplem as diversas tendências musicais com artistas consagrados e já estabelecidos, mas, sobretudo, privilegiando a produção independente nacional e internacional.

Estudos de viabilidade técnica estão em andamento para a adequação acústica de alguns espaços alternativos para concertos, espetáculos mais intimistas e eventos de maior envergadura, envolvendo orquestras, coros, etc. Além disso, a ideia é ainda dar continuidade a iniciativas voltadas a outras vertentes musicais que raramente tem espaço no circuito comercial. O principal caso é o
Festival de Improvisação, série dedicada à improvisação livre, que há quase dois anos tem agregado um público considerável no CCSP por meio de concertos mensais e oficinas em horários e locais variados, dependendo da formação instrumental.

A necessidade de reformulação da programação é também uma oportunidade de planejamento e pesquisa para futuros projetos e parcerias. Nesse sentido, vale ressaltar o vínculo da Curadoria de Música com a
Web Radio do CCSP e a Discoteca Oneyda Alvarenga - que possui um dos maiores acervos de discos do País, principalmente no formato 78rpm -, bem como a colaboração com outros equipamentos da Secretaria Municipal de Cultura, como Centro Cultural da Juventude, Galeria Olido e bibliotecas municipais.

Enfim, pedimos a compreensão do público e deixamos aqui um convite a todos que acompanham nossa programação a se manterem atualizados sobre nossas atividades, por meio do site ou no próprio CCSP, pois, com plena consciência da importância de um espaço público como este, continuaremos nos esforçando para oferecer uma programação variada e de qualidade.

Curadoria de Música do CCSP

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Teatro

2011, teatro em cada canto do Centro Cultural São Paulo

Terminamos 2011 com um saldo muito positivo para a área de teatro no Centro Cultural São Paulo. Este relato é uma forma de compartilhar um pouco do panorama deste ano findo.

O ano passado começou com o desafio de reaquecer o espaço teatral no Centro, requalificando o local para a pesquisa estética e trazendo o público jovem para este que é um dos lugares mais queridos dos fazedores de teatro na cidade de São Paulo. Para isso, propusemos três provocações ao trabalho: abrir espaço para trabalhos consagrados e artistas reconhecidos; criar chance para o diálogo entre linguagens; abrir o campo da pesquisa com trabalhos que compartilhassem procedimentos de criação.

Longe de se tratar apenas de uma aposta teórica (clique aqui para ler o texto do eixo curatorial de teatro), nosso enfoque possibilitou a afluência de um público médio de 3000 pessoas/mês nos espetáculos, resultando em uma ocupação de 89% das lotações dos espetáculos (teatro adulto).

A programação foi organizada enfatizando o perfil de cada espaço do CCSP e estabelecendo diferentes recortes para a ação da curadoria.

Propusemos ao Espaço Cênico Ademar Guerra, uma programação bastante experimental, ainda que agremiando artistas já consagrados da cena teatral. Com isso, acolhemos no porão espetáculos como Luis Antonio - Gabriela, da Cia. Mungunzá (vencedor do prêmio APCA de melhor espetáculo em 2011, com quatro indicações ao prêmio Shell e três indicações ao prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro, que estreou no CCSP); a estreia de Mantenha Fora do Alcance de Crianças, do PH2 Estado de Teatro; a estreia de Petróleo, de Alexandre dal Farra e Claiton Mariano; Camiños Invisibles... La Partida, marcando os 10 anos da Cia. Nova de Teatro; e a temporada de Ópera dos Vivos, da Cia. do Latão, uma das encenações mais expressivas de 2011. Trabalhos que exploravam o espaço de maneira dinâmica e não convencional, possibilitando a essas produções a efetivação de suas pesquisas relativas à disposição cênica e à intersecção de linguagens.

A Sala Jardel Filho manteve seu caráter de ocupação por um teatro mais convencional, mas deu lugar a possibilidades bastante caras ao eixo curatorial proposto. A primeira delas foi a oportunidade de trazer para o público trabalhos mais investigativos, que marcaram encontro de diferentes artistas. Assim, temos que mencionar o encontro de Caco Ciocler com o diretor Roberto Alvim, da Cia. Club Noir, no polêmico espetáculo 45 Minutos; o encontro do Grupo Espanca! com o Grupo XIX de Teatro, no espetáculo Marcha para Zenturo; o encontro de Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli (melhor ator, por sua atuação neste espetáculo, prêmio Shell 2010) e Danilo Grangheia, no espetáculo As Três Velhas. A sala também possibilitou o acolhimento de uma residência artística do grupo de teatro musical jovem Cia. Teatro Rock, com a apresentação de quatro peças de seu repertório, a realização de oficinas para jovens e a criação e a temporada de um espetáculo inédito.

Trabalhamos de maneira bastante propositiva com a Sala Paulo Emilio. Apesar de seu tamanho mais reduzido, a sala possibilitou a temporada de um minirrepertório da Cia. Hiato, do premiado diretor e dramaturgo Leo Moreira, além de programar os primeiros ensaios abertos do espetáculo O Jardim (melhor direção APCA 2011 e três indicações ao prêmio Shell). Nesse espaço recebemos um dos mais importantes grupos teatrais nordestinos, o Grupo Bagaceira de Teatro de Fortaleza, com o tocante espetáculo Meire Love, uma Tragédia Lúdica. Realizamos, em parceria com a Divisão de Ação Cultural e Educativa, a curadoria de Literatura e Poesia e a Divisão de Bibliotecas, uma programação abordando a obra do escritor argentino Julio Cortázar, recebendo, na Sala Paulo Emílio (além de outras atividades pelo espaço do CCSP), dois espetáculos baseados em textos do autor: Pronto para Morar e Instruções para Compor uma Peça.

Às quartas-feiras de 2011 o teatro teve um espaço especial na Sala Adoniran Barbosa, com uma programação voltada para a improvisação e a participação de público e convidados. Assim, mantivemos uma programação fixa toda última quarta-feira de cada mês com os encontros do DCC - Dramaturgia Concisa e Contemporânea, organizados pelas diretoras e dramaturgas Claudia Schapira e Ana Roxo. DCC é um encontro para criação e experimentação de dramaturgia concisa, aberto à participação de todos, que sempre traz convidados especiais da área para debater os textos escritos e improvisados na hora. Também teve espaço, às quartas-feiras, a Banda Hamlet, composta de atores-músicos de vários coletivos teatrais importantes de São Paulo, que recebem convidados a cada apresentação. Além de uma temporada de grande sucesso do Jogando no Quintal, Jogo de Improvisação de Palhaços.

O teatro também ocupou espaços alternativos do Centro com os espetáculos Ver( )Ter, da Cia. Lês Commediens Tropicales, um site specific em vários espaços do CCSP baseado nas obras do artista inglês Banksi; O Disfarce do Ovo, no Espaço Missão, a partir da obra de Clarice Lispector; e Porta(ria) Silêncio, trabalho autoral do artista potiguar João Junior sobre porteiros migrantes nordestinos na cidade de São Paulo, realizado na Sala Tarsila do Amaral. Acolhemos nos diferentes espaços também os repertórios de Denise Stoklos (com seus quatro últimos espetáculos) e o repertório comemorativo de dez anos do grupo Ivo 60.

Viabilizamos, em 2011, em três frutíferas parcerias, a Mostra Latino-americana de Teatro de Grupo, da Cooperativa Paulista de Teatro, em sua 7a edição, e a Mostra Dramática, dentro do Festival MIX. Junto com a Cia. Zin, realizamos a primeira edição das Conversas Poéticas entre Arte e Bebês, discutindo uma programação teatral voltada para crianças de até três anos de idade.

Assim, começamos 2012 animados com as reformas que tornarão os espaços cênicos do Centro cada vez mais potentes e receptivos às criações na linguagem e aguardando ansiosamente para retomar uma programação vigorosa como foi a de 2011.


Maria Tendlau
Curadoria de Teatro do CCSP

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