A Discoteca Oneyda Alvarenga do Centro Cultural São
Paulo é uma das mais antigas coleções da Secretaria
Municipal de Cultura. Data da época em que a Secretaria ainda
era o Departamento de Cultura, criado em 1935 por Mário de
Andrade numa proposta que trouxe pela primeira vez a ideia de política
cultural. No mesmo ano, foram criadas algumas divisões culturais
e a Discoteca Pública Municipal, uma seção
da Divisão de Expansão Cultural cuja organização
ficou a cargo da aluna predileta de Mário de Andrade, natural
da cidade mineira de Varginha e que tinha grande interesse pelas
manifestações folclóricas e musicais: Oneyda
Alvarenga.
A Discoteca esteve localizada em diversos endereços na cidade
de São Paulo, como na Rua Florêncio de Abreu, Avenida
Brigadeiro Luis Antônio, Rua Catão, até se fixar
definitivamente no número 1000 da Rua Vergueiro com a inauguração
do Centro Cultural São Paulo em 1982. No ano de 1987, recebeu
o nome de Oneyda Alvarenga em homenagem à primeira diretora.
O Departamento de Cultura ficou sob a direção de Mário
de Andrade até 1938, mas a Discoteca prosseguiu sob a gestão
de Oneyda Alvarenga até 1968. No período em que esteve
à frente da Discoteca, Oneyda desenvolveu, na gênese
de um serviço biblioteconômico voltado à música,
uma catalogação criteriosa do acervo de discos, livros,
partituras e monografias.
A iniciativa da criação de um selo fonográfico
data de 1937, quando foram produzidas gravações do
Coral Paulistano do Teatro Municipal, regido pelo compositor Camargo
Guarnieri, entre outras de música erudita brasileira contemporânea.
Na década de 1940, Oneyda idealizou a gravação
dos 1230 fonogramas coletados no Norte e no Nordeste do Brasil pela
equipe da expedição conhecida como Missão de
Pesquisas Folclóricas. Foram produzidos discos de 78 rotações,
preservando o mais importante acervo sonoro de músicas de
nossas raízes. Esse material foi digitalizado em 2002 com
o apoio da Fundação Vitae. Em 2006, parte do acervo
foi editada em parceria com o SESC em uma coleção
de seis CDs.
A Discoteca foi contemplada no edital do Programa Petrobras Cultural
2004 com o projeto Música Contemporânea Brasileira,
que recebeu o incentivo do Ministério da Cultura através
da Lei de Incentivo à Cultura nº 8313.
Com o objetivo de recuperação histórica, a
Coleção Música Contemporânea Brasileira
busca referência no antigo projeto de gravação
da música brasileira dos anos 1930 e 1940. Ao mesmo tempo
em que o trabalho faz jus à proposta pioneira de Oneyda Alvarenga
de registrar a produção musical de sua época,
a mesma iniciativa com os recursos tecnológicos atuais possibilita
agora gravar a música erudita brasileira que se faz nos dias
de hoje.
Assim, a coleção faz uma retrospectiva, olhando para
o que foi feito no passado, e uma projetiva, lançando músicas
inéditas de cinco relevantes compositores brasileiros da
atualidade: Almeida Prado, Edino Krieger, Edmundo Villani-Côrtes,
Gilberto Mendes e Rodolfo Coelho de Souza.
O produto cultural do projeto destaca cada compositor com os seguintes
materiais: um caderno com o catálogo de obras e textos assinados
por personagens do âmbito da cultura e da música; um
segundo caderno com a edição de partituras inéditas;
um CD anexado à contracapa contendo a gravação
dessas partituras com a participação de grandes intérpretes
brasileiros.
Neste hotsite, você poderá conhecer um pouco da Coleção
Música Contemporânea Brasileira, disponível
integralmente para consulta na Discoteca Oneyda Alvarenga e para
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