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Escrita na Pele das Coisas
(Novos poetas brasileiros)

A poesia brasileira contemporânea apresenta múltiplas tendências de criação estética, como o minimalismo, voltado ao retrato conciso e fragmentário de paisagens, o neobarroco, que busca imagens e sonoridades raras, a poesia coloquial, que incorpora temas e vocábulos da realidade urbana, a poesia eletrônica, que utiliza os recursos da tecnologia, entre várias outras modalidades criativas (sem nos esquecermos das formas tradicionais que ainda são praticadas hoje, como o haikai, o soneto e o romance de cordel). A Curadoria de Literatura e Poesia do Centro Cultural São Paulo apresenta, na edição de fevereiro da Agenda de Programação do CCSP, uma pequena mostra de novos autores brasileiros, representativos do que se faz hoje em nossa cena literária.

Claudio Daniel
Curador de Literatura e Poesia do CCSP

 

 

TEXTO PARA INICIADOS.
NÃO PODE SER ACABADO.


1 - achar a palavra que reverbera a aura das coisas. Palavra flor, palavra cor, palavra luz. Um som total num só tom, em todas as línguas. Palavra poema, um verbo que seja, por exemplo, verbena.

2 - precisa-se da palavra que seja precisa, mais que casa, teto, lar, porta, madeira, que seja fogueira em brasa.

3 - procurar a palavra exata que encontre a veia aberta e a violência do seu silêncio atravesse como um grito o verso certeiro.

4 - grafar só o momento ou, talvez, a eternidade, sempre que ela se for com o vento

Alice Ruiz, poeta, haikaísta e compositora, tem mais de 20 livros publicados, quatro deles fazendo parte do PNBE. Recebeu por duas vezes o prêmio Jabuti de poesia. Na música, tem parcerias com Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Alzira Espíndola, Zé Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, entre outros.

 

 


Miniantologia poética


POEMA I

Duas esfinges devorando-se
entre as paredes do silêncio.
palavras
coagulam
junto ao enigma.

Jonatas Onofre, poeta e músico pernambucano, nascido em 1991, é estudante de Letras na UFPE.

 

AMIANTO

vulva com dentes
de amianto
a mastigar o câncer de cada dia
fornalha de vitrificar entranhas
azulejos vermelhos
de sangue e água
ao calor que ali espera
guardar ternos
em conforto
de aquários precipitados

Edson Bueno de Camargo, poeta paulista, nascido em 1962. Publicou, entre outros títulos, o livro Cabalísticos (2011). Escreve no blog umalagartadefogo.blogspot.com

 

ANÔNIMA PEDRA

Fragmentada em metal branco
Perpetua caminhos
De agarras fincadas

Mãos fluidas rasgam-se...
No dorso jazzístico de tuas vértebras

Marcela Cividanes Gallic nasceu em São Paulo e reside na Califórnia. Graduou-se em Direito e é mestre em Direito Comparado pela CWSL. É poeta e praticante de escalada esportiva.

 

* * *
se for aquilo que se foi que volta
ao paraíso o pecador que torna
em torno desse próprio posto à prova
sentir o sabor de outra boca à boca
é outro o velho gosto que se arrota
sentir o sabor de outra boca à boca
em torno desse próprio posto à prova
ao paraíso o pecador que torna
se for aquilo que se foi que volta

Luiz Ariston é poeta e reside em São Paulo. Publicou poemas na revista Zunái.

 

CONTRACORRENTE

a pele da água
sobre a pedra polida do tempo
tem seu próprio ritmo
modela a forma
encobre as rugas
apesar de transparente

mas não impede

que as vísceras da pedra endureçam
a ampulheta no tempo medido em eras
marcadas na vitrine do tempo
tempo que o homem implode
com sua própria história
no tempo marcado por minutos

Maria Alice Vasconcelos é poeta e curadora do Sarau Prata da Casa, da Casa das Rosas. Publicou em antologias e nos sites literários
Cronópios, Germina e Zunái

 

MARÍTIMOS

I.
Porque és um corpo
E me afogas.
Todo um oceano
Arrastas:
Redes, vertigens,
Peixes, voragens.
Porque o teu anzol
Lanceia minha fome;
Tua isca,
Meu beijo rasga.

II.
Estiolam meus cabelos
Que não ventam
Nos teus olhos
Arremessam águas.
Furam meus cardumes de pedra.

III.
Teu corpo obcecado
Vence a matéria de rochedos.
Deito na pedra;
Quebras com sangue,
Por imaginá-la.
Acaso meu corpo,
Essa espécie de água
Viva em que ardes
O flagelo das algas.

Roberta Tostes Daniel, poeta carioca, nasceu em 1981. É funcionária pública e estudante de Letras. Escreve no blog Sede em Frente ao Mar

 

ONDE O SILÊNCIO

a mulher na água brota braços
onde no peito
raízes líquidas a fazem árvore lacrimae

chora o corpo pedindo sede a cada

músculo
areias

ancestrais escorrendo a garganta dentro
nos seios, a gravidade invertida retorce
amores convexos onde tudo quer rasgar sóis

arco-íris obscuros cantam em sua boca
cantilena espectral,

onde o silêncio é braço soberano
onde o silêncio é dor que se cala

onde o silêncio

Diogo Cardoso nasceu em São Bernardo do Campo (SP). É estudante de Letras na Universidade de São Paulo.

 

NÃO PERGUNTES POR QUE TOCO O TEU ROSTO

não perguntes por que toco o teu rosto

só com a ponta dos dedos.

deixa-me redesenhar as linhas da expressão

que perdeste

quando o sol descarrilou de ti.

não perguntes por que falo baixo, como se

um ninho

- esta boca em que ainda canta um sem fim

de enxadas e hélices -

respirasse no interior do candeeiro.

és tão próximo, tão nu,

que só sei te amar ao modo de quem limpa

um corpo

a ser velado.

Marceli Andresa Becker é estudante de filosofia e professora. Publicou poemas nas revistas Zunái, Germina, Eutomia e Pausa. Mantém o blog De Ter de Onde se Ir

 

* * *

É um cristal ou melhor: cristalização. Quase. Uma estrela
Do mar, na ponta de cada tentáculo
Dentes, de lobo: animal faminto
Devorando as bordas
Do mundo.

Oito-Olhos no centro: aranha cravada no eixo
Do nada
Patas caçando
Um porto seguro
No vazio, raízes em expansão:

Pensar num besouro caído com o dorso
No chão quente: movimentos descoordenados no ar:
Membros de uma pessoa jogada do terraço de um arranha
Céu.

Tudo isso.

Um corpo que sente a vida ser criada
Apaixonadamente, como dor, feridas
Que se cristalizam, mineralizando-se:

Assim o desejo se cristaliza em poema.
Assim o lodo se cristaliza em história.
Assim o caos se cristaliza em cosmo.

Daniel Faria é historiador e poeta. Autor do livro O mito modernista (EdUFU, 2006). Publicou o livro de poemas Matéria-prima, em 2007. Foi incluído na antologia Pequena cartografia da poesia brasileira contemporânea, organizada por Marcelo Ariel. Escreve no blog Língua Epistolar

 

TULIPAS QUASE TODAS

em seu estado de êxtase seu mundo parece cromo de "dolores".

em seu talo de fúria, angústia lhe escorrem
por adendos recortes de cegueira
em manhã de flores...

seu ódio suplanta o cheiro, o aroma e o couro
abrindo e fechando a carteira
escorrem sítios entre seus ledores.

querendo chorar em travesseiro, arrancando até o último bulbo de cabelo,
com olhar fixo no cantar da chaleira,
entre seu gozo e vapores...

seus bolores. cozinhando tulipas, tílias e cheiros, oráculos do medo,
mantra e louvores:

os seus amores são parreiras...

Adriana Zapparoli é escritora, poeta e tradutora. Publicou as plaquetes de poesia A Flor da Abissínia Cocatriz (2008), Violeta de Sofia (2009), Tílias e Tulipas (2010) e o livro O Leão de Neméia, todos pela Lumme Editor.

 

ENCARNADA PIETÀ

sou o corcunda de teus megatons

meu vulto atrofiado pela acústica de 11
estopins

curva é minha coluna
nos braços armados da matéria escura

ah vigília dos ciclopes
ah coragem dos abissais
ah dimensões

se elevasse sobre 11
minha artilharia
(endiabrada sístole)
seria um mártir
simetricamente orquestrado
na guernica
de tuas têmporas acuadas?

Andréia Carvalho é poeta curitibana. Seu primeiro livro, A cortesã do infinito ransparente, foi publicado em 2011 pela Lumme Editor.

 

OS GRANDES POETAS

Os grandes poetas
serão arrancados
de seus nomes,
como leões e leoas
ficarão vagando
no deserto,
onde o vento
cantará a luz
única do dia e da noite,
uma partitura semiapagada
escrita na pele das coisas,
a canção da vida
nas horas
eternas
dentro dos dias efêmeros.
Serão como
galhos entrelaçados
de árvores
arrancadas pelo vento.

Marcelo Ariel é poeta e performer, autor dos livros Tratado dos anjos Afogados (2008), O Céu no fundo do mar (2009), Conversas com Emily Dickinson e outros poemas (2010), A segunda morte de Herberto Helder (2011), entre outros títulos.

 

A NOITE DOS PUGILISTAS ESFARRAPADOS

estampido de gatilhos
e ruído de facas
riscando o asfalto:

gatos bêbados
farejam conhaque
nas latas de lixo:

a lua suja espelhada
na poça de lama do beco:

um fraco facho prata
alcança um rato
que treme de medo:

trôpegos e arrebentados
os pugilistas
entram em cena:

há manchas de sangue e raiva
na penumbra do poema

Ademir Assunção, poeta e jornalista, publicou, entre outros títulos, LSD Nô (poesia) e Adorável criatura Frankenstein (romance).

 

* * *

tudo vermelho hoje
a noite vermelha
minha conta no vermelho
minha calcinha vermelha
hoje não verei as estrelas
atrás das sirenes
dos semáforos vermelhos
das luzes de freio
nem irei a lugar algum
- tenho contas a pagar -
tampouco farei um filho
tudo vermelho hoje:
até mesmo o céu
o sangue e as maçãs

Tatiana Fraga é poeta e jornalista. Autora dos livros Brasa (2009), Espelho (2008) e Pitangas (2002).

 

VI-ME

xaxará, o corpo de vime
xaxará, o peso da palha
xaxará, um rebento Kinlê

e a pele a pele a pele

pelando no fogo de Oyá
amarga nas ervas de Ewê
arranca as feridas, pai

ki pembê ki pembê ki pembê

as ramas viçosas
ventosas calcâneo
os ísquios soltando nos banhos

o dendê o dendê o dendê

atotô, Obaluaê

a goma do azê a areia o milho
a lisura delgada do velho menino
Kinlê na-se-cura no Arê

guerreiro nupê
Xapanã desveste
a palha a palha a palha

vestido desfeito Kinlê é rebento andando o mundo

Atotô!

Silvia Nogueira é poeta e mora em São Paulo.

 

* * *

O futuro não ancora
O presente é demora
De sua mão

O que se recobra
É fora de hora
Tudo uma só volta,
Corpo coração

A idade que vigora
É mão na mão
O que esgota o agora
Agora não tem chão

 
Um trecho de canção

O que finda também aflora
Pra lá de toda obra
O rosto além do não

Danilo Bueno, poeta paulista, publicou a plaquete Fotografias (2001) e os livros crivo (2004), Corpo sucessivo (2008) e Dia útil (2011).

 

ENTÃO É PRIMAVERA

no branco-lírio 
dos olhos 
é noite
primavera de astros

firo os pés em estrela marinha
flor de pedra
                vermelho coágulo

sangro fome de pássaros

Jacineide Travassos, poeta e professora pernambucana. É autora do Livro dos Ventos (poesia, 2009). Escreve no blog A Odisséia de Penélope

 

SINOPSE

Canetas que falham ao lado do telefone.
O baque das havaianas na escadaria.
O labor sigiloso de um poema.
Um gemido de geladeira
nalgum ponto perdido do dia.

Um copo que nosso brusco
e cômico malabarismo
evitou que se quebrasse.

Marcelo Montenegro (São Caetano do Sul, SP, 1971) é autor de Orfanato portátil (2003) e Garagem lírica (2012).

 

ÁRVORE GENEALÓGICA

sua mão me susteve
até aqui
murcha
mas recusa
o status de folha
seca
retendo
ainda certa
seiva
me estreita
quando
escapo
onde escapo
é lá
que pulsa

Andréa Catrópa, poeta paulista, publicou o livro de poemas Mergulho às avessas (2008) e integra a coletânea Rock book - contos da era da guitarra (2011).

 

* * *

Lavoura ofendida
por aço devasso,
MASTIGADA.
Crassos bagos esbatidos,
em círculo guloso
por seus mil ciganos
(menos um avesso),
dentes imprudentes.
Cuspida exuvia,
feito maresia
vai carpida ao rés do chão.
Imponente seu (jaz) conduzente,
faz volta enquanto gira.
Sangria!
Horror da senda RESENTIDA.

Celso Vegro é poeta e pesquisador científico do Instituto de Economia Agrícola - IEA/SP.

 

RELATIVIDADE

os dias dão voltas
na órbita absurda
do coração disparado

singular curvatura
onde tempo e espaço
pulsam em desatino

energia inconstante
massa variável
luz ao quadrado

comboio de corda
que não cabe
em nenhuma equação

Victor Del Franco, poeta e designer gráfico. Editor da revista Celuzlose. Livros: A urdidura da tramA (1998), O elemento subterrâneO, EsfingE (2012).

 

* * *

Em gravíssimas Crises de Abstinência os adoidados Vinte e Dois
Ludopedistas a correr quais adoidados em agora agudas Crises
de Abstinência atrás de uma, - se não "anabólica esteroidal" -,
"anfetamínica" Bola-Bolinha das mesmas diminutas Dimensões
daquela que andam esdruxulamente por desempenhar - uma
Bola-Bolinha deste Tamanho ó:

Fabrício Slaviero, poeta, nasceu em Taboão da Serra em 1982.

 

GUANABARA, DOIS RIFLES SOBRE AS NUVENS

selei meu lábio ao seu
- antes a espada
recitava wilde

cheirava a sexo
e cantava janis
mary jane
na tv

chorávamos à hora do êxtase, sangue

hemorragia, aborto

silenciosa despedida

como atravessar o rio
se tudo canta "

che amiamo?

Nina Rizzi, historiadora, arte-educadora e escritora, vive em Fortaleza. Publicada em diversas antologias e revistas literárias, seu primeiro livro, quandos.tudos.quases, será lançado em 2012 pelo selo Orpheu, da Editora Multifoco. Edita os blogs Ellenismos e ninaarizzi.blogspot.com

 

PERFUME QUE ENCHE A BOCA D'ÁGUA

lira de aroma e ruído
flocos rangem os pés
de gelo e fogo no outono
narina em geada branda
sob asas do fogo em milho
anela vaga de árvore
anilha amarelas linhas
molda pilares novos
aliança perfume de espigas

Célia Abila é poeta e reside em São Paulo.

 

SANGUE DO CÉU

sangue do céu é chuva
cerúleos olhos
tinta pra palavra gris
o corpo da chuva é água
abraçando estrelas cadentes
letras na língua sonora
rabiscando o canto calado
firmamento firma mente
escorrida pelos olhos do tempo
que embrulha luzes de largos comprimentos
raios risos alagados gotasemente
serpentes rastejando pelas paredes
da atmosfera fera rasgando
a cara suja
a vida dura

Beatriz Bajo, poeta paulista, reside em Londrina (PR). Publicou os livros a face do fogo (SP, 2010) e : a palavra é (PR, 2010). Mantém os blogs Linda Graal e Esquina Literária

 

A PERA

Enquanto os carros passam
ela oferece
ao mundo
deformação
no rosto
inclinação
da cabeça
mapas
e objetos infláveis.

Hoje
como escultura na calçada,
hora de folga,
mastiga solene
uma pera.
O queixo profundo
de um lado pro outro
nem dor
nem sorriso.

Cristina Mira é escritora e jornalista. Autora dos livros JARI - Uma aproximação sensível e CORDISBURGO, duas incursões no universo dos cadernos de viagem.

 

NOITE

Noite
A luz avança sobre a noite,
o chicote enrosca-se no crânio,
deixa o cérebro exposto
sobre retorcidos caracóis,

Percorrendo a espuma do abismo.
Brotam galhos da frondosa árvore
Sobre faíscas rotativas,
e intensas dores abdominais

cachoeira em seus olhos,
É o alimento para os frutos,
Com forma de ovos estalados.

A árvore, tem suas
fortes raízes fincadas ao chão,

balança com grande agonia,
um esforço sobre-humano, a ajuda não chega...
E do ventre que sangra,
a vida se extinguiu.
A noite voltou.

Dora Dimolitsas é poeta, escritora, atriz e produtora de eventos.

 

CASA NA AVENIDA SAGRES

Ia à mostra, ao carril das fantasias
podia pegar o que quisesse
– a distância o sabor nacarava
dos olhos dos imensos
                a claridade sexual
                das frutas escolhidas
                durante o jantar

as imagens seriam vividas sozinhas
sozinhos o carpete a sala do andar
                                                     de cima
misturada às toscas asneiras
com seu toca-discos azul
e as cirandinhas já às cracas
que ninguém percebia

No escuro nu
ele-ela mordiam-se no pelo

O melhor segredo
do mundo – pensava
era pôr-se numa jaula

Infantil e deliberadamente
A sério

Roberta Ferraz, São Paulo, 1980, é autora de lacrimatórios, enócoas (2009), Dioniso e Ariadne (2010), fio, fenda, falésia (com Érica Zíngano e Renata Huber, 2010) e desfiladeiro (2011)

 

TEORIA DOS GÊNEROS

este poema é, e não haveria como não ser,
dedicado à minha mãe

Lyrika® é um remédio contra fibromialgia que a minha mãe toma todas as noites (antes de dormir) quando está em período de crise. A fibromialgia é uma espécie de reumatismo - só que dos músculos, tendões e ligamentos - e causa dor, fadiga, indisposição, dentre outros sintomas. Além de tomar o Lyrika® (todas as noites) antes de dormir, a minha mãe faz três sessões de fisioterapia por semana, o que ajuda a diminuir bastante a dor, afirma convicta. O Lyrika® é fabricado pela Pfizer™, indústria farmacêutica responsável por arrematar a maior fatia do mercado de medicamentos para o coração: o Norvasc®, por exemplo, que a minha mãe também toma (todas as noites antes de dormir), é, sem dúvida, o mais vendido para pressão alta. De origem norte-americana, a Pfizer™ tornou-se conhecida em todo o mundo pela fabricação do Viagra®, que, por incompatibilidade de gênero, claro, a minha mãe não toma.

(esse poema foi escrito com dados retirados do Google Inc. e a poeta se exime da responsabilidade pela veiculação de quaisquer dessas informações. infelizmente, parece que o poema está fazendo propaganda para a Pfizer™, apesar de parecer, ela garante que a intenção primeira desse poema não era a de fazer propaganda nenhuma, mas a de fazer uma singela homenagem aos hábitos medicamentosos de sua mãe - se falhou em tal empreitada, pede desculpas, e avisa que continuará tentando)

Érica Zíngano, poeta cearense, nasceu em 1980. Mora em Lisboa. Cursa o doutorado em Literatura. Publicou o livro fio, fenda, falésia (2010), em parceria com Renata Huber e Roberta Ferraz, que recebeu o prêmio ProAc. Escreve no blog 1000 e 1 notas

 

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