Não
gostando de televisão, Dias Gomes se tornou um dos principais responsáveis
pelo sucesso do veículo e é considerado um dos seus melhores
autores. |
Nos anos
60, época da censura militar, o autor teve a peça O Berço
do Herói (1965) proibida de ser encenada. A partir desse ano, mais de
300 peças, de diversos autores, foram proibidas. Com a criação
do Ato Institucional número 5 (1968), que cerceou a liberdade de expressão,
os autores nem mais podiam protestar contra a censura. Para Dias Gomes: "
Em 68 todas as luzes se apagaram. A minha geração, violentamente
castrada, enfrentou a estranha situação de a própria realidade
ser considerada subversiva pelos militares, pois ela era injusta, o governo
sabia disso e a proibiu nos palcos. Restaram duas opções: ou você
se adaptava ao regime e não questionava nada ou partia para um texto
de metáforas, caminho que alguns autores encontraram para continuar resistindo
e denunciando".
Nesse período, o autor ingressou na televisão, na então
TV Globo, onde já trabalhava sua esposa Janete Clair, autora de telenovelas.
Adaptando um texto folhetinesco, A Ponte dos Suspiros, de autoria de
Michel Zevaco, ambientado em Veneza (Itália), no século 16, conseguiu,
habilmente, ir alterando a trama do dramalhão, comentando assuntos políticos
em sociedades autocráticas, despistando a censura através de situações
ambientadas no ano de 1.500. Ainda assim, considerando que o tema era forte
para ser exibido às 19h, a emissora preferiu transferir A Ponte dos Suspiros
para às 22 h, inaugurando esse novo horário de telenovelas na
emissora. FOTO 2
Seu próximo texto, Verão Vermelho, em 1970, fez o autor
voltar às raízes brasileiras (tão bem expressas em suas
obras teatrais), exibindo um tema urbano de relações familiares
conflitantes no qual colocava sua opinião política sobre a sociedade
do país, com discussões a respeito da educação e
da reforma agrária.
As encenações seguintes, principalmente Bandeira Dois (exibindo
o sub-mundo dos chefões do jogo do bicho no Rio de Janeiro) e O Bem
Amado (tendo como tema principal a corrupção política
na administração de uma pequena cidade bahiana) foram grandes
sucessos nacionais e consagraram definitivamente o autor, no veículo.
Assediado pela imprensa em geral, Dias Gomes declarava suas intenções
de produzir textos para a televisão em que o debate das questões
sociais brasileiras e a quebra de alguns tabus fossem tão importantes
quanto a trama romântica: "Pensei em fazer novelas que espelhassem
a nossa realidade e acabassem com o maniqueísmo exagerado dos personagens
da televisão, os heróis com todas as virtudes e os maus com todos
os defeitos. Procurei também introduzir problemas reais do país
como o preconceito racial, o conflito de gerações, o fanatismo
religioso, o poder de corrupção do dinheiro etc. Ao lado disso,
fui acrescentando um elemento pouco freqüente nas telenovelas até
então: o humor, o humor mesmo na tragédia pois, como diz o poeta,
ao lado de quem chora, há sempre alguém que ri. Além do
público em geral, em algumas novelas eu procurei conquistar também
a juventude. Em Assim na Terra Como no Céu, por exemplo, coloquei
assuntos de interesse dos jovens tais como a insegurança, a violência
e a recusa em aceitar o mundo que está lhes sendo legado...".
Apesar de ter os temas apoiados no eixo amor-dor, a telenovela, a partir dos
anos 70, sempre procurou retratar a realidade da sociedade com a qual se comunicava.
Essa identificação concorreu para manter o interesse do telespectador.
Nas palavras de Dias Gomes: "A telenovela mostra gente que não sabe
o que fazer com o dinheiro que ganha e gente que não sabe o que fazer
para ganhar dinheiro, gente boa, gente não muito boa, gente má,
gente não muito má, enfim, todo o mundo e submundo da sociedade
heterogênea na qual vivemos, contraditória, louca, que constrói
e destrói, onde o ter é muito mais importante que o ser, onde
Deus e o Diabo dão as mãos e dançam juntos".
Comentando seu esquema de trabalho em telenovelas, o autor se declarava com
total incapacidade de organização: "Admiro as pessoas organizadas,
mas eu não sou. Não estabeleço início ou fim para
um trabalho que escrevo. Antes de tudo faço a pesquisa e a criação
das linhas gerais da trama, estabelecendo o estilo e o ambiente que ela terá.
Surge daí uma sinopse. Entretanto, dentro dessas linhas gerais não
estão previstos todos os personagens ou o fim da história. Muita
coisa pode mudar e tudo pode ser criado. À proporção que
escrevo os capítulos, novas idéias vão surgindo e nem mesmo
eu sei o que virá depois. Contudo, não se pode parar, não
existe a possibilidade de ficar esperando um momento de inspiração
para um autor de novelas, pois ele precisa
escrever
um capítulo por dia. Aliás, é necessário modificar
essas condições de trabalho. Se o autor continuar a ter que escrever
seis capítulos por semana e esses capítulos continuarem a ser
gravados a toque de caixa, todo o esforço de um bom texto esbarrará
nessa limitação. Isso não diminui a nossa capacidade de
criação mas diminui a qualidade dessa criação. A
telenovela devia ser uma forma nova de arte dramática, adaptada ao seu
tempo e decorrente de uma evolução tecnológica cada vez
mais surpreendente. Uma arte popular, de massas, com uma linguagem acessível
a todas as camadas sociais. Quando eu fui para a televisão esta não
tinha uma linguagem dramática específica. A telenovela era um
subproduto folhetinesco cercado de preconceitos. Ela era muito teatral no mau
sentido. Eu acho que as minhas experiências nos anos 70 ajudaram a criar
uma linguagem de telenovela tal como existe hoje, com muito parentesco com o
cinema e o teatro mas mantendo suas características de televisão".
Ao ser criticado pela militância de esquerda por ter aderido à
produção de textos inferiores como os de novela e ainda mais numa
emissora de TV que era um dos sustentáculos do governo militar, Dias
Gomes declarou: " Eu levei para a televisão a minha temática,
o meu universo teatral, único modo que tinha de me conservar fiel a mim
mesmo, sem me deixar dominar pelo monstro televisivo. Foi uma linguagem que
tive que aprender levando em conta que a televisão é um meio linear,
superficial, efêmero. Quase todas as novelas que fiz foram, basicamente,
extraídas de minhas peças: O Bem-Amado é uma peça
teatral, Bandeira 2 foi tirada em parte de A Invasão, Quando os
Homens criam Asas virou Saramandaia, Roque Santeiro é O
Berço do Herói. Mesmo o que escrevi diretamente para a TV nunca
se afastou do meu universo teatral.
A televisão é um veículo que mostra uma realidade da qual
é produto, por isso não tenho preconceito algum em trabalhar nela,
aliás, se tivesse não teria ido. Mas se eu pudesse escolher passaria
a vida toda escrevendo para o teatro. Fui para a televisão num momento
em que todas as minhas peças estavam sendo proibidas e eu precisava sobreviver
economicamente. Por outro lado, dentro das minhas convicções sociais,
achei importante encarar essa platéia gigantesca. Toda a minha geração
sonhou com o teatro popular. A televisão me oferecia esse meio de expressão
popular. Fui para a rede Globo e me senti à vontade porque, naquela época,
nunca alguém mudou uma vírgula dos meus textos, nem me disse o
que escrever. Meus textos eram alterados pela censura militar. Várias
vezes a censura pediu a minha cabeça e a de outros autores comunistas,
mas a Globo não concordou. Apenas mais recentemente a censura interna
da emissora interferiu num texto meu, mudando diversas coisas na nova versão,
para a TV, que eu tinha feito de O Pagador de Promessas."
Dias Gomes
é considerado um dos maiores autores de telenovelas do país em
razão do seu grande talento em retratar a sociedade brasileira através
de uma contundente crítica social, exibida de maneira franca, lúcida
e repleta de humor. Os textos do autor procuram espelhar as angústias
da atualidade sem explorar dogmas. Questionam problemas sem a pretensão
de apresentar soluções.Apenas os evidenciam para chamar a atenção
do público sobre determinadas questões sociais, sem a intenção
de propagar "mensagens". Até porque utiliza-se constantemente
da comicidade quando mostra o trágico. Procura provocar o riso quando
revela a farsa e o ridículo que se ocultam sob tantas situações
político-administrativas injustas.
O gênero humor aliado à crítica social foi introduzido na
televisão em 1968 por Bráulio Pedroso em Beto Rockefeller, novela
que marcou a ruptura dos textos latinos na dramaturgia de novelas da televisão
brasileira. Dias Gomes desenvolveu o mesmo tipo de dramaturgia televisiva, com
maior diversificação de temas e personagens, em razão de
sua prática com esses textos no teatro.
Outro ponto de interêsse da obra televisiva do autor é a coerência
de narração do tema e da condução dos personagens
dentro da história. Como a telenovela é uma obra aberta em relação
ao seu desenvolvimento diário, ou seja, tudo pode acontecer na trama
quotidiana para que se tenha história durante 150 capítulos, muitos
autores iniciam assuntos secundários que não são terminados,
dão fim inverossímel a outros assuntos ou a personagens ou ainda
se perdem no emaranhado de tramas. Dias Gomes é um dos poucos autores
do gênero a ter lógica narrativa em todas as suas obras.
Por outro lado, o seu modo de utilizar temas surrealistas ou mesmo absurdos
em suas histórias abriu o leque de perspectivas da temática do
gênero. O surrealismo já havia sido introduzido na telenovela desde
os anos 60, em histórias sobre extra-terrestres ou super-heróis,
não obtendo grande aceitação do público. A maneira
de mesclar o realismo fantástico, o insólito, com a realidade
e com o tipos folclóricos do país foram muito bem explorados pelo
autor em novelas como O Bem Amado, Saramandaia ou Roque Santeiro e tiveram enorme
aceitação. Roque Santeiro, aliás, continua até a
atualidade a telenovela de maior audiência da TV.
Em relação aos temas fantásticos que aborda, Dias declarou:
"Isso vem do entendimento de que é impossível fazer uma reflexão
sobre o Brasil de uma maneira estritamente realista, sem a conotação
do absurdo, pois ele faz parte do quotidiano".
Apesar do sucesso, o autor
declarava continuamente que não pretendia mais fazer televisão
e que chegava mesmo a abominá-la, em razão do veículo nocivo
em que ela havia se transformado ao buscar sucesso e audiência a qualquer
preço. Mesmo assim, foi sempre solicitado a escrever ou adaptar suas
obras. Cansado do longo trabalho de fazer telenovelas, preferiu, nos últimos
anos, realizar minisséries, que considerava mais imediatas e uma boa
forma de abordagem dos temas nacionais.
Para ele: "uma novela boa tem três capítulos: começo,
meio e fim. Parei de escrevê-las porque é o caminho mais curto
para um enfarte. Assisti-las, então, nem pensar..."
OBRAS PARA TELEVISÃO:
TELENOVELAS
A PONTE DOS SUSPIROS
TV Globo - 1969. Baseado em obra de Michel Zevaco, o tema exibe romance, intrigas
políticas, vinganças e reconciliações em Veneza
(Itália), no século 16, no melhor estilo folhetinesco ainda em
vigor na maioria das telenovelas brasileiras da década de 60. Dias Gomes
usou o pseudônimo de Stela Calderón porque, além de não
querer aparecer com o próprio nome, os textos e nomes com acentuação
castelhana, nessa época, impressionavam melhor o público nacional.
Exibida de 9 de julho a 30 de dezembro, inicialmente às 19h e mais tarde
transferida para às 22h. Elenco: Carlos Alberto, Yoná Magalhães,
Jardel Filho, Arlete Salles, Mario Lago, Maria Helena Dias, Emiliano Queiroz,
Carlos Vereza e outros.
VERÃO VERMELHO
Rede Globo - 1970. História de problemas familiares com crise matrimonial,
desquite e relacionamentos conflitantes entre pais e filhos. O tema abordou
também algumas questões sociais brasileiras da época. Exibida
de 10 de janeiro a 17 de julho, às 22h. Elenco: Jardel Filho, Dina Sfat,
Ary Fontoura, Paulo Goulart, Arlete Salles, Maria Claudia, Ida Gomes, Carlos
Vereza e outros.
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Rede Globo - 1970. Trama de suspense policial com assassinato de personagem
e de crise religiosa, na qual padre abandona a Igreja Católica para poder
se casar. Para não se tornar um tema muito pesado o autor introduziu
no texto elementos de humor. Exibida de 20 de julho de 1970 a 23 de março
de 1971 às 22h.Elenco: Jardel Filho, Francisco Cuoco, Dina Sfat, Renata
Sorrah, Mario Lago, Maria Claudia, Wanda Lacerda, Osmar Prado, Ary Fontoura,
Maria Luiza Castelli, Heloisa Helena e grande elenco.
BANDEIRA 2
Rede
Globo - 1971. História de rivalidades entre dois bicheiros, no Rio de
Janeiro (RJ), com personagens paralelos que mostram a difícil luta pela
vida nas zonas populares da cidade, tais como motorista de taxi, retirantes
nordestinos, porta-bandeira de escola de samba e outros. Exibida de 01 de novembro
de 1971 a 18 de julho de 1972, às 22h. Elenco: Paulo Gracindo, Marília
Pera, Felipe Carone, Ziembinsky, Elisângela, José Wilker, Eloisa
Mafalda, Milton Moraes, Miriam Pires, Grande Otelo, Sebastião Vasconcelos,
Ilka Soares e outros.
O BEM AMADO
Rede Globo - 1973. Trama baseada em peça do próprio autor, é
desenvolvida em um local imaginário (Sucupira), no interior da Bahia,
aonde o prefeito Odorico Paraguassu é o protótipo do político
sem caráter com todos os seus defeitos de malandragem, demagogia e corrupção.
Como meta principal de seu governo, Odorico quer inaugurar um cemitério
e não consegue obter um morto, apesar de todos os seus esforços
e armadilhas.
Em
tom de sátira, humor e muita metáfora, a novela expõe as
misérias da política e da administração do país
e os esforços de uma oposição política honesta,
que não se deixa abater. Ao mesmo tempo, exibe a vida do interior brasileiro,
através de situações e personagens muito bem construídos.
Primeira novela inteiramente colorida, tornou-se um marco na história
da Televisão por sua trama, pelo interesse social que despertou, pela
audiência obtida e pelo excelente nível de interpretação
de seus atores, tanto nos papéis principais quanto secundários.
É considerada pela crítica especializada uma das melhores realizações,
no gênero, da televisão brasileira.
Exibida de 24 de janeiro a 09 de outubro, às 22h., foi reprisada em 1977
e deu origem ao seriado do mesmo nome, exibido uma vez por semana, em 1980.
Elenco: Paulo Gracindo, Lima Duarte, Jardel Filho, Emiliano Queiroz, Zilka Salaberry,
Ida Gomes, Maria Claudia, Dirce Migliaccio, Milton Gonçalves, Dorinha
Duval, Ruth de Souza, Ana Ariel, Carlos Eduardo Dolabella, Sandra Bréa
e outros.
O
ESPIGÃO
Rede Globo - 1974. Novela que tratou da urbanização selvagem de
uma grande cidade (Rio de Janeiro) e a tentativa de luta de entidades contra
a construção de prédios e conjuntos comerciais monumentais,
anulando paisagens, demolindo edificações históricas e
prejudicando estilo de vidas. O eixo da trama foi calcado no desejo de construção
de um grande hotel, o maior do país, por poderoso e inescrupuloso empresário
e a necessidade de demolição de um casarão pertencente
a tradicional e empobrecida família da cidade. Exibida de 03 de abril
a 01 de novembro, às 22 h. Elenco: Betty Faria, Claudio Marzo, Milton
Moraes, Debora Duarte, Rosamaria Murtinho, Ary Fontoura, Suzana Vieira, Carlos
Eduardo Dolabella, Suely Franco e outros
SARAMANDAIA
Rede Globo - 1976. Novela cujo tema introduziu diversos elementos surrealistas,
misturando lendas e folclore regionais à realidade de uma pequena cidade
do interior brasileiro, que desejava trocar de nome. Alguns grupos defendiam
a mudança e outros, mais tradicionais, desejavam manter o nome. Na verdade,
a novela tratou da constante luta entre as tentavivas de inovação
e o conservadorismo, surgindo daí diversos problemas decorrentes das
rivalidades das duas facções. Aproveitando a fase de realismo
fantástico que fazia sucesso na literatura latino-americana, Dias Gomes
o utilizou na televisão, obtendo grande êxito.
A novela também surpreendeu pela utilização de inúmeros
recursos técnicos para realização de momentos fantásticos
tais como professor virar lobisomem, coronel expelir formigas pelo nariz, mulher
gorda explodir de tanto comer, personagem criar asas e voar e outros. Exibida
de 03 de maio a 31 de dezembro, às 22h. Elenco: Juca de Oliveira, Dina
Sfat, Antonio Fagundes, Yoná Magalhães, Castro Gonzaga, Milton
Moraes, Ary Fontoura, Eloisa Mafalda, Sonia Braga, Brandão Filho, Wilza
Carla e outros.
SINAL DE ALERTA
Rede Globo - 1978. Outra novela com denúncias à respeito das más
condições de vida nas grandes metropóles, a história
retrata a vida de um industrial, proprietário de fábricas que
poluem os locais aonde estão instaladas e os esforços de seus
oponentes para acabar com a poluição. Por se tratar de um tema
árido, com situações tristes conseqüentes do ar envenenado
que os personagens respiravam, Sinal de Alerta não teve grande aceitação
do público, apesar da séria advertência que veiculou. Exibida
de 31 de julho a 26 de janeiro de 1979, foi a última telenovela a ser
exibida no horário das 22 h, na emissora. Elenco: Paulo Gracindo, Yoná
Magalhães, Jardel Filho, Renata Sorrah, Isabel Ribeiro, Vera Fischer,
Eduardo Conde, Elza Gomes, Bete Mendes, Milton Gonçalves e outros.
ROQUE SANTEIRO
Rede Globo - 1985. Uma das melhores sátiras sobre a vida brasileira ao
nivel sócio-econômico, político e religioso e ao mesmo tempo
uma das melhores exibições da ingenuidade e autenticidade do povo
humilde do país, Roque Santeiro é considerada pela crítica
especializada a obra mais importante de Dias Gomes.
Escrita em parceria com Aguinaldo Silva, Marcílio de Moraes e Joaquim
Assis, a trama se passa numa pequena cidade do interior do Brasil, aonde o personagem
Roque Santeiro, escultor de santos, tinha a fama de ter morrido defendendo a
cidade do ataque de
um
perigoso bandido. Mitificado pelo povo do lugar, passou a ser considerado santo
e a realizar milagres. Essa crença foi muito útil para enriquecer
a prefeitura e empresários locais. Entretanto, Roque não havia
morrido e volta ao lugarejo muitos anos depois. Os poderosos locais criam, então,
todos os artifícios para que a verdade não seja revelada e assim
poder manter os interesses políticos e econômicos preservados,
mesmo que tenha de matar, de fato, o falso herói. Com as verdades vindo
à tona, desenvolve-se um texto extremamente crítico, com analogias
aos políticos e à classe dominante do país. Tendo um tratamento
mais humorístico que dramático, a novela teve excelentes personagens,
interpretados com boa atuação por todos os artistas nela envolvidos.
Roque Santeiro foi exibida de 24 de junho a 21 de fevereiro de 1986, às
20h30. Elenco: Regina Duarte, José Wilker, Lima Duarte, Paulo Gracindo,
Ari Fontoura, Heloisa Mafalda, Lucinha Lins,Yoná Magalhães, Fábio
Jr., Armando Bogus, Cássia Kiss, Ewerton de Castro, Patrícia Pillar,
Lídia Brondi, Claudio Cavalcanti, João Carlos Barroso, Nelson
Dantas, Ilva Niño, Wanda Kosmo, Tony Tornado e outros.
MANDALA
Rede Globo - 1987. Novela escrita em co-autoria com Marcílio Moraes.
Baseada em Édipo, de Sófocles, a trama se desenvolvia no Rio de
Janeiro contemporâneo, de 1961 a 1987, com envolvimento de família
carioca na busca de bebê que havia sumido, encontros com bicheiro e o
sub-mundo do Rio e outras aventuras. Apesar da liberdade de tratamento, alguns
aspectos básicos da peça grega foram mantidos. Exibida de 12 de
outubro de 1987 a 14 de maio de 1988, às 20h30. Elenco: Nuno Leal Maia,
Vera Fischer, Felipe Camargo, Lúcia Veríssimo, Carlos Augusto
Strazzer, Gracindo Jr., Paulo Gracindo, Gianfrancesco Guarnieri, Ilka Soares,
Walmor Chagas, Giulia Gam, Taumaturgo Ferreira e outros.
ARAPONGA
Rede
Globo - 1990 . Em co-autoria com Lauro César Muniz e Ferreira Gullar.
História policial na qual o detetive Araponga, tenta desvendar as causas
e consequências da morte de um político num motel e o envolvimento
de jornalista, jovem namorada e outros personagens. A novela tentou introduzir
uma linguagem próxima a do seriado, com alguns assuntos resolvidos e
outros se desencadeando, numa sequência de tramas que acabou por confundir
o telespectador. Com pouca audiência foi encerrada antes do previsto.
Exibida de outubro a fevereiro de 1991, às 21h30. Elenco: Tarcísio
Meira, Paulo José, Taumaturgo Ferreira, Christiane Torloni, Carla Marins,
Ary Fontoura, Ewerton de Castro, Ângela Leal e outros.
IRMÃOS CORAGEM
Rede Globo- 1995. De autoria de sua 1ª esposa Janete Clair, Dias Gomes,
com a colaboração de Marcílio Moraes, atualizou a história
que já havia sido exibida em 1970. O texto narra a saga de três
irmãos, os irmãos Coragem, dos quais, dois são garimpeiros
na pequena cidade de Coroado e o terceiro é um famoso jogador de futebol
no Rio de Janeiro. Todos se envolvem em diferentes aventuras e romances. A trama
central é baseada no amor do irmão mais velho, João, que
apaixona-se por Lara, filha de seu maior adversário, o dono da firma
exploradora do garimpo. Surgem daí todas as complicações
decorrentes dessa inimizade. Além disso, a moça tem problemas
mentais e transforma-se na sensual Diana e, no final, na equilibrada Márcia.
Melodrama exagerado e folhetinesco, com muitas histórias paralelas, a
novela contou com boa atuação de atores e excelente encenação.
Exibida de 02 de janeiro a 01 de julho de 1995, às 18h. Elenco: Marcos
Palmeira, Marcos Winter, Ilya São Paulo, Letícia Sabatella, Claudio
Marzo, Laura Cardoso, Eliane Giardini, Murilo Benício, Gabriela Duarte,
Reynaldo Gonzaga, Jonas Bloch, Rita Guedes e outros.
SERIADOS
CARGA PESADA
Rede Globo. Seriado realizado a partir de 1979, contando diversos fatos e aventuras
da vida de dois camioneiros interpretados pelos atores Antonio Fagundes e Stênio
Garcia. O autor Dias Gomes escreveu alguns episódios. Outros autores
do seriado, que permeneceu no ar por mais de um ano, escreveram novas histórias.
Exibido uma vez por semana, às 22h30.
O BEM AMADO
Rede Globo. Seriado escrito por Dias Gomes, baseado na novela homônima,
dando continuidade a história, com fatos corriqueiros do dia a dia entre
os mesmos personagens da novela, interpretado pelos mesmos atores.No ar, de
1980 a 1984,exibido uma vez por semana, às 22h30.
Elenco: Paulo Gracindo, Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Ida Gomes, Dirce Migliaccio,
Milton Gonçalves e outros.
MINISSÉRIES
O PAGADOR DE PROMESSAS
Rede Globo - 1988. Adaptada para a televisão pelo próprio Dias
Gomes, a história narra a dificuldade do personagem Zé do Burro
em cumprir sua promessa carregando uma cruz do sertão baiano até
uma igreja na cidade de Salvador. Querendo atualizar a história, Dias
Gomes envolveu na trama problemas de reforma agrária e ocupação
de terras, fazendo com que a censura interna da emissora vetasse a veiculação
de parte da minissérie. Assim, idealizada para 12 capítulos, ela
foi apresentada em apenas oito. Exibida de 5 a 15 de abril de 1988, às
22h30. Elenco: José Mayer, Walmor Chagas, Nelson Xavier, Denise Milfont,
Osmar Prado, Carlos Eduardo Dolabella, Joana Fomm e outros.
AS NOIVAS DE COPACABANA
Rede Globo - 1992. De autoria de Dias Gomes em parceria com os autores Ferreira
Gullar e Marcílio Moraes, esta trama policial tinha como fato base o
interesse de um homem por anúncios de venda de vestidos de noiva, através
dos quais ele reconstituía a trajetória de suas antigas proprietárias,
as envolvia amorosamente e as matava. Após muitas mortes e dificuldades,
o policial que investiga o caso consegue obter pistas e colocar o psicopata
na cadeia. Exibida de 2 a 26 de junho de 1992, às 22h30. Elenco: Miguel
Falabella, Reginaldo Faria, Patrícia Pillar, Tássia Camargo, Yara
Lins, Cristiane Torloni, Zezé Polessa, Raul Cortez, Hugo Carvana e outros.
DECADÊNCIA
Rede Globo - 1995. História da ascenção econômica
de um menino pobre de rua que, adotado por família socialmente importante,
ao crescer torna-se um pastor de igreja evangélica milionário
e corrupto. Entremeados a envolvimentos amorosos, perseguições
religiosas e decadência social, o texto apresenta ainda fatos políticos
como a morte do presidente Tancredo Neves, a renúncia do presidente Fernando
Collor e as suas consequências no país. Pelo tipo de pregação
religiosa feita pelo personagem principal e a crítica do texto ao fanatismo
dos adeptos desse tipo de igreja, a minissérie causou polêmicas
e protestos. Exibida de 5 a 22 de setembro de 1995, às 22h. Elenco: Edson
Celulari, Milton Gonçalves, Rubens Correa, Stenio Garcia, Adriana Esteves,
Ariclê Perez, Maria Padilha, Oswaldo Loureiro, Zezé Polessa, Betty
Gofman e outros.
O FIM DO MUNDO
Rede Globo - 1996. Trama de realismo fantástico na qual um paranormal
anuncia o fim do mundo, propiciando inúmeros acontecimentos de satisfação
de paixões amorosas, desejos sexuais, vinganças, corrupção
e outras transgressões sociais. Texto de intensa crítica social,
a minissérie surpreendeu pelos bons efeitos técnicos e por boas
interpretações. Com duração de 35 capítulos
e inicialmente programada para às 22h30, foi veiculada de 6 de maio a
15 de junho de 1996, às 20h30, preenchendo esse horário de novelas
até que uma nova atração da emissora ficasse pronta para
ser exibida. Elenco: José Wilker, Paulo Betti, Otávio Augusto,
Lima Duarte, Bruna Lombardi, Paloma Duarte, Ângela Vieira, Tato Gabus
Mendes, Cininha de Paula, Vera Holtz, Mauricio Mattar e outros.
DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS
Rede Globo - 1998. Adaptação de Dias Gomes, Marcílio Moraes
e Ferreira Gullar da famosa obra do escritor Jorge Amado, na qual uma viúva,
Dona Flor, casada pela segunda vez, começa a ter visões da presença
do seu primeiro marido, o malandro Vadinho. Boa ambientação e
interpretação de atores, nessa adaptação que envolveu
problemas políticos e culturais da Bahia, além da trama amorosa
em si.
Exibida em abril e maio de 1998, às 22h. Elenco: Edson Celulari, Giulia
Gam, Marco Nanini, Milton Gonçalves, Francisco Cuoco, Suely Franco, Walderez
de Barros, Oscar Magrini, Claudia Liz, Myriam Muniz, Lilia Cabral e outros.