Um teatrólogo na TV
Edgard Ribeiro de Amorim
Não gostando de televisão, Dias Gomes se tornou um dos principais responsáveis pelo sucesso do veículo e é considerado um dos seus melhores autores.

Dias Gomes (l923-1999) nasceu em Salvador (BA) sendo membro de uma família de classe média que o estimulava nas atividades culturais. Assim, desde a infância interessou-se pela literatura (chegou a ter publicado um pequeno livro de poesias) e por representações teatrais. Escreveu sua primeira peça A Comédia dos Moralistas aos 15 anos de idade, em 1937. Embora não tenha sido encenada, a obra foi premiada e publicada pelo Serviço Nacional de Teatro.
Residindo na cidade do Rio de Janeiro, a então capital federal, o jovem autor escreveu Pé de Cabra, sua primeira realização teatral de sucesso, que foi produzida e encenada pelo ator Procópio Ferreira e exibida em diversas capitais brasileiras nos anos de 1943 e 1944. A peça foi proibida no dia da estréia por ser considerada marxista, o que fez despertar no autor a vontade de ler Marx, um escritor que pensava de modo semelhante ao seu. Liberada mais tarde, serviu, no entanto, para caracterizar Dias Gomes como comunista muito antes de ele ingressar, de fato, no partido comunista brasileiro.
Convidado pelo dramaturgo Oduvaldo Viana, em 1945 o autor transferiu-se para São Paulo (SP), onde fez parte do corpo de redatores da rádio Panamericana, por um ano. Foi contratado também das Emissoras Associadas. Voltando ao Rio de Janeiro, paralelamente à criação de textos teatrais, continuou a trabalhar no rádio até a década de 60, onde fez de tudo: direção administrativa, redação de textos (humorismo, variedades, dramaturgia), e chegou a atuar como rádio-ator. Seu principal trabalho, entretanto, foi como adaptador de peças do repertório universal para serem exibidas no programa semanal Grande Teatro, que teve a duração de dez anos.
"Fiz mais de 500 adaptações para o rádio-teatro. Foi um trabalho de grande valia porque tive que ler quase toda a dramaturgia e literatura universais. O meu volume de leitura, nesses anos, acabou tendo grande importância na minha formação cultural. Ao mesmo tempo, adquiri uma prática artesanal de experimentar, montar os diálogos, as cenas, com grande rapidez, em razão da demanda que o rádio exigia".
Também para a televisão, nesses anos 50, o autor escreveu textos como comédias, teatros policiais e shows. Perseguido politicamente em 1953, continuou produzindo, mas não assinou seus trabalhos durante um ano.
Em todo esse período a atuação mais marcante de Dias Gomes foi como escritor de textos teatrais, sua grande paixão.
"De todas as artes acho o teatro a mais atuante. Foi uma das primeiras manifestações culturais no Brasil e serviu de propósitos catequéticos e políticos. Era a conquista do índio para o Deus branco e consequentemente para o senhor branco. A valorização do teatro era evidente, pois se não fosse, eles teriam escrito romances ou pintado quadros. Mas não. Anchieta escreveu e encenou peças".
A notoriedade de Dias como autor foi obtida com a peça O Pagador de Promessas (1959) que, ao ser adaptada para o cinema, obteve grande sucesso e conquistou vários premios internacionais. O Pagador de Promessas é uma das peças brasileiras recordistas em traduções e encenações no exterior. Nos Estados Unidos foi encenada quatro vezes, por diferentes diretores norte-americanos.
No teatro, Dias Gomes criou ainda obras como: Os Fugitivos do Juízo Final, A Revolução dos Beatos, O Santo Inquérito, O Berço do Herói, A Invasão, Campeões do Mundo, Vargas, O Rei de Ramos, Meu Reino por um Cavalo e outras. Alguns desses textos serviriam de fonte de inspiração e desenvolvimento de personagens para diversas telenovelas.

Nos anos 60, época da censura militar, o autor teve a peça O Berço do Herói (1965) proibida de ser encenada. A partir desse ano, mais de 300 peças, de diversos autores, foram proibidas. Com a criação do Ato Institucional número 5 (1968), que cerceou a liberdade de expressão, os autores nem mais podiam protestar contra a censura. Para Dias Gomes: " Em 68 todas as luzes se apagaram. A minha geração, violentamente castrada, enfrentou a estranha situação de a própria realidade ser considerada subversiva pelos militares, pois ela era injusta, o governo sabia disso e a proibiu nos palcos. Restaram duas opções: ou você se adaptava ao regime e não questionava nada ou partia para um texto de metáforas, caminho que alguns autores encontraram para continuar resistindo e denunciando".
Nesse período, o autor ingressou na televisão, na então TV Globo, onde já trabalhava sua esposa Janete Clair, autora de telenovelas. Adaptando um texto folhetinesco, A Ponte dos Suspiros, de autoria de Michel Zevaco, ambientado em Veneza (Itália), no século 16, conseguiu, habilmente, ir alterando a trama do dramalhão, comentando assuntos políticos em sociedades autocráticas, despistando a censura através de situações ambientadas no ano de 1.500. Ainda assim, considerando que o tema era forte para ser exibido às 19h, a emissora preferiu transferir A Ponte dos Suspiros para às 22 h, inaugurando esse novo horário de telenovelas na emissora. FOTO 2
Seu próximo texto, Verão Vermelho, em 1970, fez o autor voltar às raízes brasileiras (tão bem expressas em suas obras teatrais), exibindo um tema urbano de relações familiares conflitantes no qual colocava sua opinião política sobre a sociedade do país, com discussões a respeito da educação e da reforma agrária.
As encenações seguintes, principalmente Bandeira Dois (exibindo o sub-mundo dos chefões do jogo do bicho no Rio de Janeiro) e O Bem Amado (tendo como tema principal a corrupção política na administração de uma pequena cidade bahiana) foram grandes sucessos nacionais e consagraram definitivamente o autor, no veículo.
Assediado pela imprensa em geral, Dias Gomes declarava suas intenções de produzir textos para a televisão em que o debate das questões sociais brasileiras e a quebra de alguns tabus fossem tão importantes quanto a trama romântica: "Pensei em fazer novelas que espelhassem a nossa realidade e acabassem com o maniqueísmo exagerado dos personagens da televisão, os heróis com todas as virtudes e os maus com todos os defeitos. Procurei também introduzir problemas reais do país como o preconceito racial, o conflito de gerações, o fanatismo religioso, o poder de corrupção do dinheiro etc. Ao lado disso, fui acrescentando um elemento pouco freqüente nas telenovelas até então: o humor, o humor mesmo na tragédia pois, como diz o poeta, ao lado de quem chora, há sempre alguém que ri. Além do público em geral, em algumas novelas eu procurei conquistar também a juventude. Em Assim na Terra Como no Céu, por exemplo, coloquei assuntos de interesse dos jovens tais como a insegurança, a violência e a recusa em aceitar o mundo que está lhes sendo legado...".
Apesar de ter os temas apoiados no eixo amor-dor, a telenovela, a partir dos anos 70, sempre procurou retratar a realidade da sociedade com a qual se comunicava. Essa identificação concorreu para manter o interesse do telespectador.
Nas palavras de Dias Gomes: "A telenovela mostra gente que não sabe o que fazer com o dinheiro que ganha e gente que não sabe o que fazer para ganhar dinheiro, gente boa, gente não muito boa, gente má, gente não muito má, enfim, todo o mundo e submundo da sociedade heterogênea na qual vivemos, contraditória, louca, que constrói e destrói, onde o ter é muito mais importante que o ser, onde Deus e o Diabo dão as mãos e dançam juntos".

Comentando seu esquema de trabalho em telenovelas, o autor se declarava com total incapacidade de organização: "Admiro as pessoas organizadas, mas eu não sou. Não estabeleço início ou fim para um trabalho que escrevo. Antes de tudo faço a pesquisa e a criação das linhas gerais da trama, estabelecendo o estilo e o ambiente que ela terá. Surge daí uma sinopse. Entretanto, dentro dessas linhas gerais não estão previstos todos os personagens ou o fim da história. Muita coisa pode mudar e tudo pode ser criado. À proporção que escrevo os capítulos, novas idéias vão surgindo e nem mesmo eu sei o que virá depois. Contudo, não se pode parar, não existe a possibilidade de ficar esperando um momento de inspiração para um autor de novelas, pois ele precisa escrever um capítulo por dia. Aliás, é necessário modificar essas condições de trabalho. Se o autor continuar a ter que escrever seis capítulos por semana e esses capítulos continuarem a ser gravados a toque de caixa, todo o esforço de um bom texto esbarrará nessa limitação. Isso não diminui a nossa capacidade de criação mas diminui a qualidade dessa criação. A telenovela devia ser uma forma nova de arte dramática, adaptada ao seu tempo e decorrente de uma evolução tecnológica cada vez mais surpreendente. Uma arte popular, de massas, com uma linguagem acessível a todas as camadas sociais. Quando eu fui para a televisão esta não tinha uma linguagem dramática específica. A telenovela era um subproduto folhetinesco cercado de preconceitos. Ela era muito teatral no mau sentido. Eu acho que as minhas experiências nos anos 70 ajudaram a criar uma linguagem de telenovela tal como existe hoje, com muito parentesco com o cinema e o teatro mas mantendo suas características de televisão".
Ao ser criticado pela militância de esquerda por ter aderido à produção de textos inferiores como os de novela e ainda mais numa emissora de TV que era um dos sustentáculos do governo militar, Dias Gomes declarou: " Eu levei para a televisão a minha temática, o meu universo teatral, único modo que tinha de me conservar fiel a mim mesmo, sem me deixar dominar pelo monstro televisivo. Foi uma linguagem que tive que aprender levando em conta que a televisão é um meio linear, superficial, efêmero. Quase todas as novelas que fiz foram, basicamente, extraídas de minhas peças: O Bem-Amado é uma peça teatral, Bandeira 2 foi tirada em parte de A Invasão, Quando os Homens criam Asas virou Saramandaia, Roque Santeiro é O Berço do Herói. Mesmo o que escrevi diretamente para a TV nunca se afastou do meu universo teatral.
A televisão é um veículo que mostra uma realidade da qual é produto, por isso não tenho preconceito algum em trabalhar nela, aliás, se tivesse não teria ido. Mas se eu pudesse escolher passaria a vida toda escrevendo para o teatro. Fui para a televisão num momento em que todas as minhas peças estavam sendo proibidas e eu precisava sobreviver economicamente. Por outro lado, dentro das minhas convicções sociais, achei importante encarar essa platéia gigantesca. Toda a minha geração sonhou com o teatro popular. A televisão me oferecia esse meio de expressão popular. Fui para a rede Globo e me senti à vontade porque, naquela época, nunca alguém mudou uma vírgula dos meus textos, nem me disse o que escrever. Meus textos eram alterados pela censura militar. Várias vezes a censura pediu a minha cabeça e a de outros autores comunistas, mas a Globo não concordou. Apenas mais recentemente a censura interna da emissora interferiu num texto meu, mudando diversas coisas na nova versão, para a TV, que eu tinha feito de O Pagador de Promessas."

Dias Gomes é considerado um dos maiores autores de telenovelas do país em razão do seu grande talento em retratar a sociedade brasileira através de uma contundente crítica social, exibida de maneira franca, lúcida e repleta de humor. Os textos do autor procuram espelhar as angústias da atualidade sem explorar dogmas. Questionam problemas sem a pretensão de apresentar soluções.Apenas os evidenciam para chamar a atenção do público sobre determinadas questões sociais, sem a intenção de propagar "mensagens". Até porque utiliza-se constantemente da comicidade quando mostra o trágico. Procura provocar o riso quando revela a farsa e o ridículo que se ocultam sob tantas situações político-administrativas injustas.
O gênero humor aliado à crítica social foi introduzido na televisão em 1968 por Bráulio Pedroso em Beto Rockefeller, novela que marcou a ruptura dos textos latinos na dramaturgia de novelas da televisão brasileira. Dias Gomes desenvolveu o mesmo tipo de dramaturgia televisiva, com maior diversificação de temas e personagens, em razão de sua prática com esses textos no teatro.
Outro ponto de interêsse da obra televisiva do autor é a coerência de narração do tema e da condução dos personagens dentro da história. Como a telenovela é uma obra aberta em relação ao seu desenvolvimento diário, ou seja, tudo pode acontecer na trama quotidiana para que se tenha história durante 150 capítulos, muitos autores iniciam assuntos secundários que não são terminados, dão fim inverossímel a outros assuntos ou a personagens ou ainda se perdem no emaranhado de tramas. Dias Gomes é um dos poucos autores do gênero a ter lógica narrativa em todas as suas obras.
Por outro lado, o seu modo de utilizar temas surrealistas ou mesmo absurdos em suas histórias abriu o leque de perspectivas da temática do gênero. O surrealismo já havia sido introduzido na telenovela desde os anos 60, em histórias sobre extra-terrestres ou super-heróis, não obtendo grande aceitação do público. A maneira de mesclar o realismo fantástico, o insólito, com a realidade e com o tipos folclóricos do país foram muito bem explorados pelo autor em novelas como O Bem Amado, Saramandaia ou Roque Santeiro e tiveram enorme aceitação. Roque Santeiro, aliás, continua até a atualidade a telenovela de maior audiência da TV.
Em relação aos temas fantásticos que aborda, Dias declarou: "Isso vem do entendimento de que é impossível fazer uma reflexão sobre o Brasil de uma maneira estritamente realista, sem a conotação do absurdo, pois ele faz parte do quotidiano".

Apesar do sucesso, o autor declarava continuamente que não pretendia mais fazer televisão e que chegava mesmo a abominá-la, em razão do veículo nocivo em que ela havia se transformado ao buscar sucesso e audiência a qualquer preço. Mesmo assim, foi sempre solicitado a escrever ou adaptar suas obras. Cansado do longo trabalho de fazer telenovelas, preferiu, nos últimos anos, realizar minisséries, que considerava mais imediatas e uma boa forma de abordagem dos temas nacionais.
Para ele: "uma novela boa tem três capítulos: começo, meio e fim. Parei de escrevê-las porque é o caminho mais curto para um enfarte. Assisti-las, então, nem pensar..."


OBRAS PARA TELEVISÃO:

TELENOVELAS
A PONTE DOS SUSPIROS
TV Globo - 1969. Baseado em obra de Michel Zevaco, o tema exibe romance, intrigas políticas, vinganças e reconciliações em Veneza (Itália), no século 16, no melhor estilo folhetinesco ainda em vigor na maioria das telenovelas brasileiras da década de 60. Dias Gomes usou o pseudônimo de Stela Calderón porque, além de não querer aparecer com o próprio nome, os textos e nomes com acentuação castelhana, nessa época, impressionavam melhor o público nacional. Exibida de 9 de julho a 30 de dezembro, inicialmente às 19h e mais tarde transferida para às 22h. Elenco: Carlos Alberto, Yoná Magalhães, Jardel Filho, Arlete Salles, Mario Lago, Maria Helena Dias, Emiliano Queiroz, Carlos Vereza e outros.


VERÃO VERMELHO
Rede Globo - 1970. História de problemas familiares com crise matrimonial, desquite e relacionamentos conflitantes entre pais e filhos. O tema abordou também algumas questões sociais brasileiras da época. Exibida de 10 de janeiro a 17 de julho, às 22h. Elenco: Jardel Filho, Dina Sfat, Ary Fontoura, Paulo Goulart, Arlete Salles, Maria Claudia, Ida Gomes, Carlos Vereza e outros.


ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Rede Globo - 1970. Trama de suspense policial com assassinato de personagem e de crise religiosa, na qual padre abandona a Igreja Católica para poder se casar. Para não se tornar um tema muito pesado o autor introduziu no texto elementos de humor. Exibida de 20 de julho de 1970 a 23 de março de 1971 às 22h.Elenco: Jardel Filho, Francisco Cuoco, Dina Sfat, Renata Sorrah, Mario Lago, Maria Claudia, Wanda Lacerda, Osmar Prado, Ary Fontoura, Maria Luiza Castelli, Heloisa Helena e grande elenco.


BANDEIRA 2
Rede Globo - 1971. História de rivalidades entre dois bicheiros, no Rio de Janeiro (RJ), com personagens paralelos que mostram a difícil luta pela vida nas zonas populares da cidade, tais como motorista de taxi, retirantes nordestinos, porta-bandeira de escola de samba e outros. Exibida de 01 de novembro de 1971 a 18 de julho de 1972, às 22h. Elenco: Paulo Gracindo, Marília Pera, Felipe Carone, Ziembinsky, Elisângela, José Wilker, Eloisa Mafalda, Milton Moraes, Miriam Pires, Grande Otelo, Sebastião Vasconcelos, Ilka Soares e outros.


O BEM AMADO
Rede Globo - 1973. Trama baseada em peça do próprio autor, é desenvolvida em um local imaginário (Sucupira), no interior da Bahia, aonde o prefeito Odorico Paraguassu é o protótipo do político sem caráter com todos os seus defeitos de malandragem, demagogia e corrupção. Como meta principal de seu governo, Odorico quer inaugurar um cemitério e não consegue obter um morto, apesar de todos os seus esforços e armadilhas.
Em tom de sátira, humor e muita metáfora, a novela expõe as misérias da política e da administração do país e os esforços de uma oposição política honesta, que não se deixa abater. Ao mesmo tempo, exibe a vida do interior brasileiro, através de situações e personagens muito bem construídos.
Primeira novela inteiramente colorida, tornou-se um marco na história da Televisão por sua trama, pelo interesse social que despertou, pela audiência obtida e pelo excelente nível de interpretação de seus atores, tanto nos papéis principais quanto secundários.
É considerada pela crítica especializada uma das melhores realizações, no gênero, da televisão brasileira.
Exibida de 24 de janeiro a 09 de outubro, às 22h., foi reprisada em 1977 e deu origem ao seriado do mesmo nome, exibido uma vez por semana, em 1980. Elenco: Paulo Gracindo, Lima Duarte, Jardel Filho, Emiliano Queiroz, Zilka Salaberry, Ida Gomes, Maria Claudia, Dirce Migliaccio, Milton Gonçalves, Dorinha Duval, Ruth de Souza, Ana Ariel, Carlos Eduardo Dolabella, Sandra Bréa e outros.


O ESPIGÃO
Rede Globo - 1974. Novela que tratou da urbanização selvagem de uma grande cidade (Rio de Janeiro) e a tentativa de luta de entidades contra a construção de prédios e conjuntos comerciais monumentais, anulando paisagens, demolindo edificações históricas e prejudicando estilo de vidas. O eixo da trama foi calcado no desejo de construção de um grande hotel, o maior do país, por poderoso e inescrupuloso empresário e a necessidade de demolição de um casarão pertencente a tradicional e empobrecida família da cidade. Exibida de 03 de abril a 01 de novembro, às 22 h. Elenco: Betty Faria, Claudio Marzo, Milton Moraes, Debora Duarte, Rosamaria Murtinho, Ary Fontoura, Suzana Vieira, Carlos Eduardo Dolabella, Suely Franco e outros


SARAMANDAIA
Rede Globo - 1976. Novela cujo tema introduziu diversos elementos surrealistas, misturando lendas e folclore regionais à realidade de uma pequena cidade do interior brasileiro, que desejava trocar de nome. Alguns grupos defendiam a mudança e outros, mais tradicionais, desejavam manter o nome. Na verdade, a novela tratou da constante luta entre as tentavivas de inovação e o conservadorismo, surgindo daí diversos problemas decorrentes das rivalidades das duas facções. Aproveitando a fase de realismo fantástico que fazia sucesso na literatura latino-americana, Dias Gomes o utilizou na televisão, obtendo grande êxito.
A novela também surpreendeu pela utilização de inúmeros recursos técnicos para realização de momentos fantásticos tais como professor virar lobisomem, coronel expelir formigas pelo nariz, mulher gorda explodir de tanto comer, personagem criar asas e voar e outros. Exibida de 03 de maio a 31 de dezembro, às 22h. Elenco: Juca de Oliveira, Dina Sfat, Antonio Fagundes, Yoná Magalhães, Castro Gonzaga, Milton Moraes, Ary Fontoura, Eloisa Mafalda, Sonia Braga, Brandão Filho, Wilza Carla e outros.


SINAL DE ALERTA
Rede Globo - 1978. Outra novela com denúncias à respeito das más condições de vida nas grandes metropóles, a história retrata a vida de um industrial, proprietário de fábricas que poluem os locais aonde estão instaladas e os esforços de seus oponentes para acabar com a poluição. Por se tratar de um tema árido, com situações tristes conseqüentes do ar envenenado que os personagens respiravam, Sinal de Alerta não teve grande aceitação do público, apesar da séria advertência que veiculou. Exibida de 31 de julho a 26 de janeiro de 1979, foi a última telenovela a ser exibida no horário das 22 h, na emissora. Elenco: Paulo Gracindo, Yoná Magalhães, Jardel Filho, Renata Sorrah, Isabel Ribeiro, Vera Fischer, Eduardo Conde, Elza Gomes, Bete Mendes, Milton Gonçalves e outros.


ROQUE SANTEIRO
Rede Globo - 1985. Uma das melhores sátiras sobre a vida brasileira ao nivel sócio-econômico, político e religioso e ao mesmo tempo uma das melhores exibições da ingenuidade e autenticidade do povo humilde do país, Roque Santeiro é considerada pela crítica especializada a obra mais importante de Dias Gomes.
Escrita em parceria com Aguinaldo Silva, Marcílio de Moraes e Joaquim Assis, a trama se passa numa pequena cidade do interior do Brasil, aonde o personagem Roque Santeiro, escultor de santos, tinha a fama de ter morrido defendendo a cidade do ataque de um perigoso bandido. Mitificado pelo povo do lugar, passou a ser considerado santo e a realizar milagres. Essa crença foi muito útil para enriquecer a prefeitura e empresários locais. Entretanto, Roque não havia morrido e volta ao lugarejo muitos anos depois. Os poderosos locais criam, então, todos os artifícios para que a verdade não seja revelada e assim poder manter os interesses políticos e econômicos preservados, mesmo que tenha de matar, de fato, o falso herói. Com as verdades vindo à tona, desenvolve-se um texto extremamente crítico, com analogias aos políticos e à classe dominante do país. Tendo um tratamento mais humorístico que dramático, a novela teve excelentes personagens, interpretados com boa atuação por todos os artistas nela envolvidos. Roque Santeiro foi exibida de 24 de junho a 21 de fevereiro de 1986, às 20h30. Elenco: Regina Duarte, José Wilker, Lima Duarte, Paulo Gracindo, Ari Fontoura, Heloisa Mafalda, Lucinha Lins,Yoná Magalhães, Fábio Jr., Armando Bogus, Cássia Kiss, Ewerton de Castro, Patrícia Pillar, Lídia Brondi, Claudio Cavalcanti, João Carlos Barroso, Nelson Dantas, Ilva Niño, Wanda Kosmo, Tony Tornado e outros.


MANDALA
Rede Globo - 1987. Novela escrita em co-autoria com Marcílio Moraes. Baseada em Édipo, de Sófocles, a trama se desenvolvia no Rio de Janeiro contemporâneo, de 1961 a 1987, com envolvimento de família carioca na busca de bebê que havia sumido, encontros com bicheiro e o sub-mundo do Rio e outras aventuras. Apesar da liberdade de tratamento, alguns aspectos básicos da peça grega foram mantidos. Exibida de 12 de outubro de 1987 a 14 de maio de 1988, às 20h30. Elenco: Nuno Leal Maia, Vera Fischer, Felipe Camargo, Lúcia Veríssimo, Carlos Augusto Strazzer, Gracindo Jr., Paulo Gracindo, Gianfrancesco Guarnieri, Ilka Soares, Walmor Chagas, Giulia Gam, Taumaturgo Ferreira e outros.


ARAPONGA
Rede Globo - 1990 . Em co-autoria com Lauro César Muniz e Ferreira Gullar. História policial na qual o detetive Araponga, tenta desvendar as causas e consequências da morte de um político num motel e o envolvimento de jornalista, jovem namorada e outros personagens. A novela tentou introduzir uma linguagem próxima a do seriado, com alguns assuntos resolvidos e outros se desencadeando, numa sequência de tramas que acabou por confundir o telespectador. Com pouca audiência foi encerrada antes do previsto. Exibida de outubro a fevereiro de 1991, às 21h30. Elenco: Tarcísio Meira, Paulo José, Taumaturgo Ferreira, Christiane Torloni, Carla Marins, Ary Fontoura, Ewerton de Castro, Ângela Leal e outros.


IRMÃOS CORAGEM
Rede Globo- 1995. De autoria de sua 1ª esposa Janete Clair, Dias Gomes, com a colaboração de Marcílio Moraes, atualizou a história que já havia sido exibida em 1970. O texto narra a saga de três irmãos, os irmãos Coragem, dos quais, dois são garimpeiros na pequena cidade de Coroado e o terceiro é um famoso jogador de futebol no Rio de Janeiro. Todos se envolvem em diferentes aventuras e romances. A trama central é baseada no amor do irmão mais velho, João, que apaixona-se por Lara, filha de seu maior adversário, o dono da firma exploradora do garimpo. Surgem daí todas as complicações decorrentes dessa inimizade. Além disso, a moça tem problemas mentais e transforma-se na sensual Diana e, no final, na equilibrada Márcia. Melodrama exagerado e folhetinesco, com muitas histórias paralelas, a novela contou com boa atuação de atores e excelente encenação. Exibida de 02 de janeiro a 01 de julho de 1995, às 18h. Elenco: Marcos Palmeira, Marcos Winter, Ilya São Paulo, Letícia Sabatella, Claudio Marzo, Laura Cardoso, Eliane Giardini, Murilo Benício, Gabriela Duarte, Reynaldo Gonzaga, Jonas Bloch, Rita Guedes e outros.

SERIADOS
CARGA PESADA
Rede Globo. Seriado realizado a partir de 1979, contando diversos fatos e aventuras da vida de dois camioneiros interpretados pelos atores Antonio Fagundes e Stênio Garcia. O autor Dias Gomes escreveu alguns episódios. Outros autores do seriado, que permeneceu no ar por mais de um ano, escreveram novas histórias. Exibido uma vez por semana, às 22h30.


O BEM AMADO
Rede Globo. Seriado escrito por Dias Gomes, baseado na novela homônima, dando continuidade a história, com fatos corriqueiros do dia a dia entre os mesmos personagens da novela, interpretado pelos mesmos atores.No ar, de 1980 a 1984,exibido uma vez por semana, às 22h30.
Elenco: Paulo Gracindo, Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Ida Gomes, Dirce Migliaccio, Milton Gonçalves e outros.


MINISSÉRIES
O PAGADOR DE PROMESSAS
Rede Globo - 1988. Adaptada para a televisão pelo próprio Dias Gomes, a história narra a dificuldade do personagem Zé do Burro em cumprir sua promessa carregando uma cruz do sertão baiano até uma igreja na cidade de Salvador. Querendo atualizar a história, Dias Gomes envolveu na trama problemas de reforma agrária e ocupação de terras, fazendo com que a censura interna da emissora vetasse a veiculação de parte da minissérie. Assim, idealizada para 12 capítulos, ela foi apresentada em apenas oito. Exibida de 5 a 15 de abril de 1988, às 22h30. Elenco: José Mayer, Walmor Chagas, Nelson Xavier, Denise Milfont, Osmar Prado, Carlos Eduardo Dolabella, Joana Fomm e outros.


AS NOIVAS DE COPACABANA
Rede Globo - 1992. De autoria de Dias Gomes em parceria com os autores Ferreira Gullar e Marcílio Moraes, esta trama policial tinha como fato base o interesse de um homem por anúncios de venda de vestidos de noiva, através dos quais ele reconstituía a trajetória de suas antigas proprietárias, as envolvia amorosamente e as matava. Após muitas mortes e dificuldades, o policial que investiga o caso consegue obter pistas e colocar o psicopata na cadeia. Exibida de 2 a 26 de junho de 1992, às 22h30. Elenco: Miguel Falabella, Reginaldo Faria, Patrícia Pillar, Tássia Camargo, Yara Lins, Cristiane Torloni, Zezé Polessa, Raul Cortez, Hugo Carvana e outros.


DECADÊNCIA
Rede Globo - 1995. História da ascenção econômica de um menino pobre de rua que, adotado por família socialmente importante, ao crescer torna-se um pastor de igreja evangélica milionário e corrupto. Entremeados a envolvimentos amorosos, perseguições religiosas e decadência social, o texto apresenta ainda fatos políticos como a morte do presidente Tancredo Neves, a renúncia do presidente Fernando Collor e as suas consequências no país. Pelo tipo de pregação religiosa feita pelo personagem principal e a crítica do texto ao fanatismo dos adeptos desse tipo de igreja, a minissérie causou polêmicas e protestos. Exibida de 5 a 22 de setembro de 1995, às 22h. Elenco: Edson Celulari, Milton Gonçalves, Rubens Correa, Stenio Garcia, Adriana Esteves, Ariclê Perez, Maria Padilha, Oswaldo Loureiro, Zezé Polessa, Betty Gofman e outros.


O FIM DO MUNDO
Rede Globo - 1996. Trama de realismo fantástico na qual um paranormal anuncia o fim do mundo, propiciando inúmeros acontecimentos de satisfação de paixões amorosas, desejos sexuais, vinganças, corrupção e outras transgressões sociais. Texto de intensa crítica social, a minissérie surpreendeu pelos bons efeitos técnicos e por boas interpretações. Com duração de 35 capítulos e inicialmente programada para às 22h30, foi veiculada de 6 de maio a 15 de junho de 1996, às 20h30, preenchendo esse horário de novelas até que uma nova atração da emissora ficasse pronta para ser exibida. Elenco: José Wilker, Paulo Betti, Otávio Augusto, Lima Duarte, Bruna Lombardi, Paloma Duarte, Ângela Vieira, Tato Gabus Mendes, Cininha de Paula, Vera Holtz, Mauricio Mattar e outros.


DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS
Rede Globo - 1998. Adaptação de Dias Gomes, Marcílio Moraes e Ferreira Gullar da famosa obra do escritor Jorge Amado, na qual uma viúva, Dona Flor, casada pela segunda vez, começa a ter visões da presença do seu primeiro marido, o malandro Vadinho. Boa ambientação e interpretação de atores, nessa adaptação que envolveu problemas políticos e culturais da Bahia, além da trama amorosa em si.
Exibida em abril e maio de 1998, às 22h. Elenco: Edson Celulari, Giulia Gam, Marco Nanini, Milton Gonçalves, Francisco Cuoco, Suely Franco, Walderez de Barros, Oscar Magrini, Claudia Liz, Myriam Muniz, Lilia Cabral e outros.