"Eu percebi que isso de deixar a marca do trabalho, do percurso da pincelada, do modo de fazer, é o que tem guiado o meu trabalho."
D'ART
- Célia, como foi sua formação? |
"EU
DIZIA DESSES DESENHOS DE LINHAS HORIZONTAIS QUE AS LINHAS TÊM O
TEMPO DA TINTA"
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"O
QUE EU BUSCAVA ERA TER O GESTO EM SI, SEM INTERMEDIAÇÃO.
EU QUERIA FAZER COINCIDIR A INTENÇÃO COM A AÇÃO
DE FORMA A NÃO TER UMA COISA MENTAL, E SIM UMA COISA MAIS CORPORAL.
MAS EU SEMPRE QUIS QUE FICASSE UM RASTRO DA MINHA AÇÃO..."
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"EU TINHA A SENSAÇÃO DE QUE TRABALHAVA COM UMA LAMA NEGRA INICIAL, ORIGINAL, E DELA PRECISAVA FAZER SURGIR ALGUMA COISA." |
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"AINDA
NÃO ME ACOSTUMEI COM O MODO DE TRABALHAR COM PINTURA. QUANDO FAÇO
UM DESENHO, ELE VAI SER AQUELE TRAÇO E NADA MAIS. NUMA PINTURA
VOCÊ AINDA VAI SOBREPOR, ACRESCENTAR MAIS COISAS, ENTÃO PENSO:
"COM QUE ENERGIA VOU DESFERIR O PRIMEIRO GOLPE SABENDO QUE ELE SERÁ
RECOBERTO, QUE VIRÃO OUTROS, E QUE AO MESMO TEMPO ELE SERÁ
DETERMINANTE? "
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Entrevista/Depoimento cedido à Pesquisadora da Equipe de Artes Plásticas
Maria Olimpia de Mello Vassão
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Célia
Euvaldo, artista plástica nascida em São Paulo em 1955,
passa sua infância e adolescência na cidade de São
José dos Campos. Licencia-se em Educação Artística
e Comunicação Visual pela PUC do Rio de Janeiro, onde exerce
atividades didáticas com crianças. Durante sua estada em
Paris, de 82 a 86, faz pós-graduação em Arte pela
Université de Paris VIII, freqüenta ateliê de pintura
e participa de Salões de Arte com suas pinturas, e de eventos alternativos
com suas instalações de luz neon.
Em seu retorno ao Brasil, inscreve-se no projeto Macunaíma inaugural e dele participa, em 88, com instalações onde explora a dimensão horizontal com linhas retas de luz neon. A partir dessas instalações desenvolve, de 89 a 91, a fase de desenhos com linhas horizontais paralelas, onde o modo de fazer relaciona-se diretamente com o movimento do corpo. Em 89 ganha o primeiro prêmio, "Viagem ao Exterior", do 11º Salão Nacional de Artes Plásticas da Funarte, no Rio de Janeiro. A trajetória de Célia é marcada pela coerência e concisão na produção de sua obra. Célia exige de si concentração absoluta, questionando-se quanto à intensidade do gesto com o pincel, que empunha como lápis, preocupada com o possível encobrimento desse gesto, na tentativa de eliminar zonas de opacidade de sua pintura, privilegiando a recuperação pelo olhar do gesto do fazer. Foi artista exclusiva de Paulo Figueiredo, de 90 a 95. A partir de 96, sua marchande passa a ser Marília Razuk. Tem obras no acervo do MAM-São Paulo (doação de Paulo Figueiredo), e na Pinacoteca Municipal do Centro Cultural São Paulo, desenhos sobre papel e sobre tela. Célia dispõe do seu tempo com disciplina ao conciliar a necessidade interior que impele seu fazer artístico e a dignidade com que se dedica a atividades que suportam sua subsistência, com o mesmo entusiasmo e intensidade. Assim trabalha por dez anos como coordenadora do Programa de Exposições, na Divisão de Artes Plásticas do Centro Cultural São Paulo, onde passa a trabalhar, a convite de Sonia Salzstein, em 89. Gosta muito de fazer tradução que vê como uma espécie de terapia. Identifica-se com o artista suíço Alberto Giacometti, que, nas palavras de Célia: "via a arte como algo cujo objetivo estivesse fora de alcance." Assim motivada, traduz livros que tratam do processo de criação desse artista. Em 99 consegue a publicação pela Editora Iluminuras de sua tradução do livro de James Lord, Um retrato de Giacometti 9 (Título original: A Giacometti Portrait. Museum of Modern Art, Nova York, 1965). Sua tradução do livro de Jean Genet, O ateliê de Giacometti (Título original: L'atelier d'Alberto Giacometti., Paris 1958) tem previsão de lançamento para junho desse ano pela Editora Cosac & Naify, especializada em livros de arte, onde Célia, a partir deste ano, trabalha na produção editorial. Sua produção atual de pinturas negras destina-se ao Centro Cultural São Paulo, onde foi convidada para realizar uma exposição, em junho próximo. |
| Capa | |Fernando Lemos | |Sumário | |Créditos | |Expediente | |Editorial | |Linha Aberta |