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Os
anos 1970 no Brasil foram marcados pela riqueza dos caminhos
culturais desenhados nos anos 50, quando São Paulo
inicia seu diálogo com o mundo, através do espírito
modernista na Arquitetura, na Poesia Concreta, nas Artes Plásticas,
no Design.
A crítica de Arte Maria Eugênia Franco, responsável
então pela Seção de Arte da Biblioteca
Mário de Andrade desde 1943, idealizou um projeto de
pesquisa da Arte Brasileira Contemporânea. Este projeto
foi concretizado em 20 de maio de 1975, pela Lei nº 8252,
com a criação do Departamento de Informação
e Documentação Artísticas, instalado
em janeiro de 1976 na chamada Casa da Marquesa, junto à
Secretaria de Cultura. O Idart, cuja primeira diretora foi
Maria Eugênia, absorveu a antiga Biblioteca de Arte
da Biblioteca Mário de Andrade e a antiga Discoteca
Municipal, inaugurando na cidade, um trabalho de pesquisa,
vinculado à criação e à investigação
artísticas, que viria a ser conhecido nacionalmente.
A viabilização desse Departamento é de
autoria de Décio Pignatari, que também foi seu
primeiro diretor. Um instrumento contemporâneo na época
que, em sua gênese, aponta para o futuro ainda hoje.
Desde 1963, Décio estuda a questão da linguagem
através da semiótica e das teorias da informação
e comunicação. Esse trabalho está em
plena sincronia com sua obra.
É de 1973, seu poema Noosfera, que para além
de sua concretude poética, aponta também, para
a hoje chamada telesfera (documentos disponíveis na
Web). Hoje, a prática eletrônica do pensamento
já se realizou no cotidiano - a ferramenta digital,
já está incorporada ao nosso sistema de pecepção,
fazendo parte integrante da nossa forma de assimilar, investigar,
interpretar e recriar o mundo.
Para Décio Pignatari, em 1975, a Hemeroteca e Arquivo
Multimeios significou célula básica para o Núcleo
de Recuperação da Informação -
o Banco de Dados, visando a implantação de sistemas
de recuperação digital, com um modelo de documentação
contínua, por 20 anos ao longo do tempo. Este trabalho
continua sendo feito em bases semi-artesanais, tentando manter
viva a informação ali depositada, ao longo do
tempo, em sua diversificação de técnicas,
suportes e linguagens.
O Centro de Pesquisas foi em 1976 uma novidade institucional
e cultural, que São Paulo apresentou. Os caminhos ali
apontados e os possíveis percursos continuam sendo
únicos.
O acervo do IDART se configura hoje como produto de 32 anos
de pesquisa e documentação, construído
na relação e confronto entre a natureza do objeto
analisado e sua relação com a natureza do instrumento
de leitura, gerados pelo próprio objeto e sua compreensão.
Com reconhecimento ou recusa deste princípio, o trabalho
se realizou ao longo do tempo e sua importância se legitimou
e é única.
A forma de seleção e organização
do material para esta mostra surge de grande quantidade de
documentos armazenados neste Acervo. Como toda quantidade,
instiga o crivo para a qualidade. Apresentamos o material
em diferentes suportes, para que os documentos se mostrem
em sua singularidade e diversidade, dispostos em linha do
tempo, um fio condutor que permite foco nos objetos, e ao
mesmo tempo propicia relações entre eles.
A disposição simultânea, visa uma espécie
de mostruário, apontando para uma possível tipologia.
Depois de conviverem separados por área de conhecimento
por tanto tempo, nós os devolvemos ao espaço
público de exposição, na situação
em que foram coletados, retiramos deles o confinamento para
que também se relacionem entre si, nesta mostra.
Todos os profissionais da Divisão de Pesquisas do CCSP,
participaram ativamente da seleção dos documentos
mais significativos em suas áreas de especialização,
assim como do projeto e da produção desta mostra.
Desde o primeiro momento, impôs-se como uma grande citação
e homenagem, a visualidade das edições do Laboratório
Gráfico do Idart, que impõe sua atualidade em
relação aos meios de produção
atuais. Sua personalidade gráfica foi delineada por
Cláudio Ferlauto, Décio Pignatari e Fernando
Lemos, em 1975. Desenvolvida e aplicada pelo próprio
Fernando Lemos, até 1978. Para essa vestimenta, nos
permitimos algumas licenças que o tempo, a tecnologia
e as condições de produção impõem,
ou permitem.
Esta mostra é portanto esse mostruário aberto,
um testemunho e um registro discreto, do pensamento e do fazer
cotidiano de profissionais que, ao longo de 32 anos, seja
qual for o vínculo com o Idart, ou sua intensidade,
dedicaram a integridade do seu trabalho ao projeto e tornaram
possível este acervo e o seu futuro.
Sonia
Fontanezi
Curadoria e Divisão de Pesquisas
Maio de 2007
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