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S o b r e    o    g r u p o:

O trabalho do Núcleo Passo Livre, sob a direção artística de Eliana e Sofia Cavalcante, tem se caracterizado pela exploração da dança em interação com outras linguagens, principalmente a poesia e o vídeo. Essa prática assumiu uma feição muito própria a partir de Ancas da tradição, espetáculo multimídia cujo tema é a relação do corpo humano com as imagens sem corpo que nos circunda: fotos, outdoors, imagens de TV e cinema, sons de rádio. A interação modifica o ritmo, a estrutura e a organização do espetáculo. Diante das novas condições, o corpo assume outras formas de comportamento e movimentação.

Essa linha de abordagem continuou em Agosto, que ganhou, em 1999, o prêmio de Estímulo à Dança da Secretaria de Estado da Cultura. O trabalho é o resultado de um tecido das diferentes linguagens que contribuíram para a sua realização (dança, música e projeção) e reflete a trama do romance homônimo de Rubem Fonseca. O objetivo prático da pesquisa corporal foi buscar os princípios de movimento sugeridos pelo material levantado em textos e acervos. Esses princípios subjacentes a práticas distintas de dança (butô, moderno, clássico, improvisação) nortearam o trabalho a medida em que se abria o leque de possibilidades expressivas.

Outro momento marcante foi o espetáculo Tandanz 8 Dogmas Novas Dobras, de 2001, que levou o prêmio EnCena Brasil, da Funarte e do Ministério da Cultura. Sob a direção de Renato Cohen, o evento foi criado por vários núcleos independentes que, a partir de oito dogmas, criaram pequenos trabalhos apresentados em espaços não convencionais.

A partir daí, o Passo Livre começou a pesquisar as possibilidades da dança em conjunto com a instalação, o que deu origem ao evento O selvagem, o poeta, o dançarino, de 2004 e ao espetáculo A pulga, de 2005, que é metade instalação e metade cena italiana.

Sobre o espetáculo Anjo novo:

Anjo Novo trabalha no ponto de intersecção entre a memória e a ação de pessoas que circulam pela cidade de São Paulo e a paisagem geográfica e arquitetônica que as envolve. O ponto de partida concreto é uma rua: dos Cariris, em Pinheiros. Em torno deste nome e de sua vizinhança foi criado o espetáculo de dança e projeção de vídeo que reflete a interação dos moradores, trabalhadores e transeuntes da região com a mutação contínua de sua paisagem.

Como a dança não fixa os eventos como fazem a fotografia e o vídeo, a relação do espetáculo com a memória se coloca de um jeito diferente: na observação e vivência das diferentes práticas e experiências corporais da região, e na sua projeção enquanto intervenção urbana nos espaços que estão sendo modificados. O movimento se caracteriza por, alternadamente, parar, observar, registrar, interagir, intervir, espelhar.

S o b r e   o s   a r t i s t a s:

Eliana Cavalcante (projeto, direção e interpretação)
Sua formação percorreu o balé clássico, a dança moderna e a dança contemporânea. A partir desta progressão, desenvolveu um trabalho corporal que procura sintetizar os princípios que envolvem a ação física dinâmica e a inação que possibilita resgatar e amplificar os ritmos internos e suas pulsações. Desenvolveu parcerias com os músicos Tom Zé e Lívio Tragtenberg e com os artistas plásticos Rachel Zuannon, Heloísa Passos e Tina Vieira. Ganhadora dos prêmios Movimentos de Dança SESC 1998, Estímulo para Novas Linguagens Coreográficas 1999 e Estímulo de Circulação Dança Contemporânea 2004, entre outros.

Sofia Cavalcante (projeto, direção e interpretação)
Possui formação variada, envolvendo diversas técnicas de dança (clássica, moderna, contemporânea) e outras abordagens corporais (tai chi chuan, princípios de bioenergética, educação somática, biodinâmica). Paralelamente, desenvolveu um estudo na Faculdade de Filosofia, na qual concluiu o Mestrado com a dissertação Ferocidade e boas maneiras - a estética apolínea na obra de George Balanchine. Ganhou diversos prêmios em parceria com Eliana Cavalcante. É representante do estado de São Paulo na Câmara Setorial de Dança no Ministério da Cultura.

Mônica Bammann (interpretação)
Bailarina, professora de dança, coreógrafa e produtora. Estudou balé clássico durante 15 anos com professores como Ana M. Pelegrino (Royal Academy of Dancing) e Sacha Svetloff (Escola do Teatro Bolshoi). Trabalhou durante seis anos como professora do curso de formação na técnica do movimento consciente e como coordenadora pedagógica da Escola Klauss Vianna. Juntamente com Jorge Luís Balbyns, dirigiu o Núcleo de Pesquisa da Técnica do Movimento Consciente. Desde 1999, é supervisora de atividades do curso dança e movimento da Universidade Anhembi Morumbi.

Paulo Petrella (interpretação)
Ator e bailarino, possui conhecimentos aprofundados na arte do movimento e do método Laban para análise do movimento. Atuou nos espetáculos Arlequino servidor de dois amos, A história do jardim zoológico, Anjo na contramão, Galeria de Zeca Nunes, A pulga, entre outros. É coordenador pedagógico da área de dança da Escola Municipal de Iniciação Artística desde 2002.

Alexandre Magno (interpretação)
Bailarino português, atua em São Paulo desde 2006 com a Companhia Atelier Manufatura Suspeita e Linhas Aéreas. Como ator, trabalhou na Cia. Borelli de Dança, nos espetáculos Carta ao pai e Metamorfose. Na França, participou do espetáculo Le Dernier Caravansérail, no Théàtre du Soleil. Como bailarino, também atuou no Ballet Thierry Verger de Paris, no espetáculo Le Cabaret, no Marrocos e no Ballet Peter Seybald, em Portugal, entre outros.

Honorato Aragão (interpretação)
Atuou nos espetáculos Campos de batalha, da Áttomos Cia de Dança; Saltimbanco, da Escola de BaIlet Ebateca; Lundu, da Escola de Dança Funceb, entre outros. Participou do projeto A hora do rush, no SESC Bahia, do Grupo Folclórico Art’Bahia e da Cia. Afro Primitivo em Belo Horizonte. Cursou técnica de balé clássico, técnica de dança moderna, dança popular regional, capoeira angola, capoeira regional, técnica Martha Graham, técnica Silvestre e danças de origem africana.

Samanta Barros (interpretação)
Iniciou seus estudos em ginástica olímpica na cidade de Mogi das Cruzes, São Paulo. Integrou a equipe do Teatro Vila Velha na cidade de Salvador. Em 2001, ingressou no curso de comunicações e artes do corpo da PUC-SP e atua como bailarina profissional desde então. Integrou a Cia. Corpos Nômades e a Cia Borelli de Dança. Como performer, participou do núcleo de artistas do coletivo Inspira em eventos como o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) e o Earth Dance.

João Arruda (projeto gráfico)
Como editor e designer gráfico, atuou no Centro Editorial Waldir Lima & CCAA Rio de Janeiro, no Studio Gabia (empresa de dublagem e edição de vídeo) São Paulo, em produtoras musicais em Amsterdã, na Holanda e na Sandes Lisboa, em Portugal. Como músico percussionista, fez parte da Banda Electro Côco, da Banda Estereomono, do Hair Musical 30th Anniversary Tour in Europe e da Banda Fuzuê. Possui quatro álbuns gravados.

Jorge Luiz Alves (cenografia)
Estudou eutonia (prática que proporciona o equilíbrio do tônus muscular) e teatro com Eugenia de Andrade. Profissionalizou-se em 2001, quando iniciou sua carreira com o espetáculo Nervos de Deus. Em 2004, participou da montagem do espetáculo O diabo e o bom Deus de Sartre, no qual desenvolveu a cenografia e os adereços. É pesquisador de artes plásticas. Participou de exposições coletivas na galeria Casa da Xiclet, em 2006. Desenvolveu teatro empresarial durante 15 anos, dirigindo e produzindo espetáculos relacionados a segurança e qualidade.

Karlla Girotto (figurino)
Formada em desenho de moda pela Faculdade Santa Marcelina, atua no mercado de moda há cinco anos e transita em outros ambientes de discussão estética, como as artes plásticas. Sua linguagem plástica parte de elementos que questionam o homem, seu tempo e seu espaço de ação. A eloqüência se dá na articulação de roupas e espaços que dialogam entre si, discutindo ambigüidades e polaridades, como o masculino/feminino, o peso/leveza, a agressividade/ suavidade, entre outros.

Cid Campos (trilha sonora)
Baixista e compositor, assimilou desde cedo as linguagens do pop, rock, jazz e MPB. Filho do poeta Augusto de Campos, em casa ouvia música de vanguarda e assistia a shows particulares de Caetano, Tom Zé e Novos Baianos. Realizou trilhas sonoras para filmes, vídeos, balés e instalações multimídia, sempre buscando o experimentalismo em seus arranjos. Entre seus trabalhos estão os discos Poesia é risco, com textos de Augusto de Campos, Ouvindo Oswald, sobre poemas de Oswald de Andrade e O olho do lago, com composições próprias.

Ricardo de Carvalho Bueno (projeto de luz)
Iluminador artístico. Participou do 1º Congresso Brasileiro de Iluminação GEPHIC em 2005. Realizou o projeto de luz para os espetáculos Passatempo, Para esquecer um grande amor, Agosto, entre outros. Como diretor de produção de eventos, atuou na Secretaria de Turismo e Cultura de Paraty e na Secretaria Municipal de Cultura de Guarulhos. Foi diretor técnico do Festival Contatos Cênicos, do Teatro Espaço, do SESC Ipiranga, entre outros.

  Atividades realizadas pelo fomento:

     Além do espetáculo Anjo Novo, o grupo realizou intervenções de rua, oficinas e o seminário Corpo Memória Cidade Cena.Uma contrapartida "extra edital" oferecida pelo Núcleo Passo Livre foi a adaptação de um espaço na rua dos Cariris, número 48, para abrigar os ensaios, itervenções e as 16 primeiras apresentações do espetáculo Anjo Novo. O Espaço Cariris é a sede de uma associação cultural de mesmo nome voltada a difundir a dança contemporânea, música, artes plásticas, filosofia, literatura e vídeo em diversas manifestações. Em sua programação será dada especial atenção a abordagens que privilegiem a reflexão sobre o bairro e a cidade, assim como a memória de seus habitantes.


Página do grupo:  www.ecariris.com