Fomento à dança
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À dança - por Iracity Cardoso

Em 2006, quando fui convidada pelo secretário Carlos Augusto Calil para trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura como assessora de dança, tomei o conhecimento da lei do Fomento à Dança e da necessidade de se criar um Edital.

Como estive muitos anos fora do Brasil, o meu contato com a dança paulistana era mínimo. A solicitação de criar um edital para publicação foi uma tarefa fora da minha área de atuação, e um novo aprendizado.

Somente com a ajuda fundamental do diretor do Departamento de Expansão Cultural (DEC), Rubens de Moura, e de Claudia Toni, conseguimos vencer os diversos obstáculos: a burocracia municipal, a objetividade e a clareza do texto, a formatação de idéias sobre os projetos e as idas e vindas à assessoria jurídica. Em cada edital existem mudanças a partir de sugestões feitas pelas comissões julgadoras, e creio que o terceiro edital (último deste ano) consegue alcançar melhor seu objetivo.

Sem o suporte e, sobretudo, a escuta atenta do secretário, nada seria realizado; assim como a disposição de todos os funcionários que trabalham na Secretaria e no DEC.

O encontro com os representantes do Mobilização Dança foi esclarecedor sobre a luta que esse movimento da classe estava travando para que a lei fosse aprovada e que o edital fosse publicado. Mas existia uma questão: qual a verba que seria destinada à dança? Nosso diálogo foi muito produtivo, e nosso pensamento e intenções caminhavam na mesma direção.

Finalmente, e depois que o secretário disponibilizou a verba de 2 milhões de reais, o primeiro edital foi publicado e as inscrições foram abertas em 17 de julho de 2006.

Com a aprovação dos projetos pela comissão julgadora, o segundo andar da Galeria Olido, que foi criado para acolher a dança, mas que foi desativado na troca de administração, pôde acolher os artistas nas suas salas de ensaio e no palco da Sala Paissandu, e o espaço reviveu. O público voltou a comparecer aos espetáculos de dança, sobretudo nas temporadas mais longas, desmistificando a idéia de falta de público em temporadas de dança.

O Centro Cultural São Paulo, parceiro e tradicional apoiador da dança paulistana, com sua equipe liderada pelo diretor Martin Grossmann, tem se desdobrado para que o Centro de Dança da Galeria Olido se transforme em um lugar de referência na cidade.

O Centro de Dança oferece espaço para que a dança independente paulistana tenha lugar garantido para desenvolver seu trabalho artístico. Será o guardião do acervo de projetos e relatórios dos selecionados, irá disponibilizar material de pesquisa em dança - coleção que contou com a generosa doação de grupos e companhias, do Consulado Americano de São Paulo e dos equipamentos multimídia, pelo superintendente da Receita Federal - e será aberto ao público interessado, gratuitamente.

A primeira mostra é o início de um processo que deverá dar muitos frutos para a atual e para as próximas gerações de artistas da dança.

Iracity Cardoso
Assessora e curadora de dança da SMC

 

 O que é a Lei de Fomento à Dança?
 1ª Mostra do Fomento à Dança
 Centro de Dança da Galeria Olido