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novembro de 2009 |
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| ... acesso em reverso_acesso ao revés_acesso de revés... Alguns instantes: ...em um filme uma mulher cega guia o visitante do museu comentando minuciosamente detalhes de uma pintura exposta... O músico Hermeto Paschoal diz que o ponto de seu corpo onde ele mais sente a música é na nuca... Um escritor cego relata que ao tocar as coisas, as coisas também o tocam... José Saramago diz: "Para conhecer as coisas, há que dar-lhes a volta, dar-lhes a volta toda"... Perguntas: nós, os "normais", estamos criando acesso a essas outras sensibilidades, a essas outras percepções de mundo? Estamos abertos para uma negociação entre essas micro-teorias de conhecimento e as macro que determinam a nossa realidade? Estamos, neste início de século, libertando-nos do monopólio da visão que perdura há mais de cinco séculos? Estamos dispostos a transformar nossa cultura e nossas instituições para que elas passem a operar como interfaces da multiplicidade de percepções e entendimentos que modelam a arte e o conhecimento? Adicionando: quem dá acesso a quem? Quem promove a inclusão? O pensar e o promover o acesso ao reverso_acesso ao revés_acesso de revés, permeiam o projeto Livre Acesso do CCSP e, em destaque, o seminário internacional Acesso em Reverso que o Centro Cultural São Paulo, em parceria com o Centro Cultural da Espanha em São Paulo, realiza neste mês de novembro. Reuniremos no final do mês, na Sala Tarsila do Amaral, filósofos, artistas, educadores, agentes e gestores culturais, bem como o público interessado, para debater aspectos filosóficos, históricos e empíricos da noção geral de "cultura de acessibilidade" e seus desdobramentos em diferentes esferas da cultura e da ciência. Desde o início desta gestão, em setembro de 2006, a acessibilidade está no centro de nossas atenções. Transferimos a Biblioteca Louis Braille para a Praça das Bibliotecas, integrando-a ao complexo das Bibliotecas deste Centro Cultural e inserindo assim a cegueira no âmago da cultura visual. Novos equipamentos, que facilitam o acesso de pessoas com deficiência às publicações pertencentes aos acervos de nossas bibliotecas, estão à disposição dos usuários. O piso tátil interliga os principais espaços socioculturais do edifício. Parte de nossa programação já conta com audiodescrição e com tradução em libras. A Divisão de Curadoria e Programação e a Divisão de Ação Cultural e Educativa já desenvolvem programação e serviços que levam em conta a acessibilidade e suas implicações. Com o apoio das equipes da casa e parceiros externos, acreditamos que estamos promovendo experiências e ações em nossa instituição que alimentam uma cultura de acessibilidade àquela que, posteriormente ao Pós-Modernismo e ao Pós-Colonialismo, capacita-se em levar adiante uma democracia cultural ao fomentar o livre acesso à informação e às manifestações artísticas, bem como o hibridismo e novas formas de expressão e de participação. Martin
Grossmann
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