|
Texto de Ermelinda Moutinho
Pataca
curadora convidada
É com grande alegria que apresentamos o
Este mundo é meu! 2008, que trata da temática ambiental
de forma sensível, criativa e reflexiva. Arte, Espiritualidade,
Ética, Educação, Cultura, Ciência e
Participação. Sete expressões, sete sementes
que simbolizam o que pretendemos na sétima edição
do evento. Acreditamos que a partir da multiplicação
dessas sementes a humanidade interage com a natureza, conduzindo
a um dos caminhos possíveis para a sensibilização,
a consciência e a mudança de atitudes da sociedade
em relação ao meio ambiente.
A sensibilização, primeiro passo
em um processo educativo que visa à mudança de atitudes,
pode ser explorada com as artes. Nessa perspectiva, o Centro Cultural
São Paulo, com sua vocação artística,
está inovando na relação entre arte e meio
ambiente ao fomentar diversas manifestações com
expressões sobre a natureza, registradas em nossa memória
coletiva por intermédio das lendas, mitos e canções
populares. Espetáculos de dança, de teatro e de
música buscaram no meio ambiente sua inspiração
temática.
O cerimonial de Semeadura, idealizado por Lizette
Negreiros para a abertura do evento, já expressa o diálogo
entre áreas distintas na constituição de
uma nova sociedade. Seu formato inovador pretende sintetizar todo
o processo de elaboração do evento de forma simbólica,
lúdica e artística. Com foco nos espaços
interno e externo do próprio Centro Cultural São
Paulo, foram relacionadas questões locais, regionais e
globais. Os jardineiros, que em sua rotina diária visualizam
ao longe os espetáculos e o público do Centro Cultural,
serão os grandes homenageados na cerimônia da semeadura.
Numa articulação entre as diversas
áreas do conhecimento, idealizamos um Fórum de Reflexões
sobre as Integrações Socioambientais na cidade de
São Paulo. A reflexão sobre a problemática
ambiental permite a consciência da população
sobre sua atuação na sociedade e no meio ambiente.
Ambientalistas, geógrafos, sociólogos, geólogos,
filósofos, artistas, educadores, biólogos e engenheiros
realizarão um diálogo interdisciplinar sobre as
várias facetas da problemática ambiental da cidade
de São Paulo.
Da reflexão partiremos para a ação.
Chamamos grupos, projetos, associações e instituições
para relatarem suas experiências educacionais, artísticas
e culturais sobre o meio ambiente. Experiência em ação:
experimentAÇÃO. O próprio nome deste Fórum
que conjuga coletivos de educadores já expressa seus objetivos
de socializar e divulgar práticas ambientais realizadas
por escolas, universidades, institutos de pesquisa e organismos
culturais na busca da sustentabilidade socioambiental.
A importância da educação,
articulada à cultura, às artes e às ciências,
que configurou o evento, será expressa em atividades lúdicas
e educativas que retratam a natureza de forma sensível
e reflexiva. Nos workshops, as crianças terão a
oportunidade de desenvolver a percepção ambiental
por meio de lendas indígenas, histórias, filmes
e construção de instrumentos musicais com sucata.
Já nas expedições paulistas,
o público será conduzido em pequenas "viagens"
por São Paulo, cuja origem é o próprio Centro
Cultural São Paulo, localizado às margens do riacho
Itororó, tão conhecido no imaginário popular
e enterrado pelo asfalto de São Paulo. A importância
de alguns rios paulistas, como o Ipiranga, o Anhangabaú,
o Itororó e o Pinheiros, será resgatada em estudos
do meio que conjugam a história com as ciências e
o meio ambiente no reconhecimento dos territórios drenados
por esses rios. Os espaços internos do Centro Cultural
serão explorados pelas crianças juntamente com o
cabo Rocha e mais seis bombeiros que terão um importante
enigma para resolver: "Cadê o Itororó?"
As questões globais também
serão abordadas no evento. Para isso, a curadoria de cinema
selecionou uma mostra de filmes que retratam o Aquecimento Global
de forma crítica e reflexiva, associada ao debate com especialistas
na área.
Ermelinda Moutinho Pataca
Curadora convidada
|