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Mostra
Paulista de Dramaturgia Nordestina
In memorian
Altimar Pimentel
(Maceió, AL, 1936 - João Pessoa, PB, 2008)
Sua curiosidade intelectual rendeu pesquisas e estudos preciosos
sobre o folclore. Último exemplo é uma coleção
de seis livros, que publicou em 2005 com o título geral de
Folclore Paraibano, cada livro sobre uma dança dramática,
com seu histórico e sua dinâmica enriquecidos pela
inclusão de músicas do brinquedo, gravadas em CD com
a participação de músicos e cantores regionais.
A coleção, que aborda Fandango, Lapinha, Barca, Boi
de reis, Coco de roda e Ciranda de adultos, testemunha a grandeza
intelectual de Altimar Pimentel no registro desses folguedos, expostos
por meio de comentários cuja evidente erudição
não elimina o coloquial da linguagem, cheia de sorrisos e
de alegria.
No teatro, o nome de Altimar Pimentel ganhou intenso brilho em 1969,
com a encenação de sua peça A construção
no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Conforme o teatrólogo
Yan Michalski, ao contar a história de charlatões
e falsos beatos que exploram a fé dos romeiros e lhes tiram
dinheiro, alegando que o padre Cícero mandou construir uma
grande igreja no local, "o autor urdiu, através de uma
série de pequenos flagrantes concebidos com habilidade, um
impressionante clima de primitivismo místico resultante da
miséria e da ignorância". A peça, ainda
segundo Michalski, "deu margem a um inesquecível espetáculo
experimental do Grupo A Comunidade, dirigido por Amir Haddad".
Observando o comportamento do sertanejo, ouvindo-lhes as histórias,
Altimar constituiu obra dramática de altíssimo nível
poético, que o coloca entre os nossos maiores dramaturgos
modernos. Nele, o dramaturgo e o pesquisador de folclore convivem
harmonicamente, mas não se confundem. O folclore alimenta
sua imaginação, mas ao se apropriar de elementos do
folclore para a criação dramatúrgica, esses
elementos já deixam de ser folclore e viram "realidades"
cênicas, conflitos atávicos, reflexos do inconsciente
coletivo que iluminam a inteligência poética.
Mesmo quando trabalha sobre matéria bruta, extraída
de pesquisa etnográfica realizada por Mario Souto Maior,
o dramaturgo se embebe daquele conhecimento para criar obra própria.
Sua leitura daquele universo surge transformada na comédia
Como nasce um cabra da peste, que abre a Mostra Paulista de Dramaturgia
Nordestina, dedicada à memória de Altimar de Alencar
Pimentel.
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