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Associação dos Dramaturgos do Nordeste

Texto de Racine Santos

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Viva a dramaturgia nordestina

Na história do teatro brasileiro a contribuição de autores nordestinos ao desenvolvimento da dramaturgia fica evidente desde o princípio, ainda no século 19, com nomes merecedores de reverências, como o de Gonçalves Dias (MA), autor de Leonor de Mendonça, obra-prima absoluta do drama romântico tupiniquim; ou de José de Alencar (CE) que, apesar de romântico, introduziu o realismo no teatro brasileiro; ou de Artur Azevedo (MA), que, além de escrever belas comédias, deu forma e conteúdo ao gênero que imperou na cena brasileira na primeira metade do século 20: o teatro de revista; ou Nelson Rodrigues (PE), um dos maiores poetas dramáticos do último século e o maior de língua portuguesa desde Gil Vicente. Isto sem falar de Coelho Neto, que ainda criança mudou-se de Caxias, no interior do Maranhão, para o Rio de Janeiro, e foi um dos mais férteis dramaturgos da nossa história.

Não é pequena, portanto, a contribuição do Nordeste para a dramaturgia brasileira. Mas cada um desses autores representou certo aspecto do teatro brasileiro da sua época, não particularizando o imaginário e as características socioculturais de uma região. Isto começa a acontecer de fato nos anos 50, e resulta na eclosão poética de autores como Ariano Suassuna (PB), Hermilo Borba Filho (PE), Joaquim Cardozo (PE), Luis Marinho (PE), Dias Gomes (BA), Altimar Pimentel (AL), Aldo Leite (MA), que no âmbito do teatro moderno deram à cena um sotaque inconfundível, no contexto do imaginário essencialmente brasileiro e brilhante.

Tudo isso confirma que a presença do autor nordestino teve e tem preponderância na história do teatro brasileiro. Com tais precedentes é impossível ignorar ou manter ignorada a dramaturgia nordestina produzida na atualidade, da qual o também dramaturgo Paulo Vieira nos dá breve (mas nunca superficial) panorama, em seu artigo. Uma dramaturgia que se levanta do caos do imaginário popular e, mesmo buscando requintadas formas narrativas contemporâneas, tem como alimento manifestações populares, a cultura tradicional, e nela encontra situações exemplares, pois as situações exemplares a aciona e move.

A Mostra Paulista de Dramaturgia Nordestina, que contém no seu núcleo a VI Semana do Teatro Nordestino, tem o propósito de contribuir no sentido de tornar acessível a rica dramaturgia e as técnicas de encenação correntes naquela Região ao público e aos criadores cênicos paulistas, ou que vivem em São Paulo, diminuindo assim a distância entre esses mundos. Para isso, as palestras, que propiciarão diálogo com os poetas, o acesso a obras dramáticas através da encenação, da leitura ou da publicação, e os contatos com grupos nordestinos em workshops, poderão oferecer ao animador cultural, ao praticante de teatro e aos estudiosos paulistas da cultura dramática novas perspectivas sobre a dramaturgia e a encenação no Nordeste de hoje.

A Semana do Teatro Nordestino acontece anualmente, desde 2003, em Natal, RN, sede da Associação dos Dramaturgos do Nordeste, que a organiza e realiza. Ao deslocá-la para São Paulo em 2008 - proposta da Curadoria de Teatro do Centro Cultural São Paulo aceita pela Associação dos Dramaturgos do Nordeste - cumpre-se uma das funções principais da Associação: a difusão da literatura dramática contemporânea produzida no Nordeste.

O evento tornou-se possível graças à parceria do Centro Cultural São Paulo com o Centro Cultural Banco do Brasil - SP, tendo o patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Rouanet, e o apoio da Associação Amigos do Centro Cultural São Paulo. Constitui um gesto do Sudeste na tentativa de aproximação à experiência histórica dos povos do Nordeste, através do teatro.

A Mostra de Espetáculos, nesta I Mostra Paulista de Dramaturgia Nordestina, é homenagem póstuma ao singular e apaixonado estudioso da Cultura Popular e um dos grandes dramaturgos brasileiros contemporâneos, o alagoano/paraibano Altimar Pimentel, que nos deixou em fevereiro deste ano de 2008.

Sebastião Milaré
Curador de Teatro do CCSP

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