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A pedra do nosso reino
Paulo Vieira
Os Fundadores e os fundamentos
Até meados da década de quarenta, século XX,
o Nordeste, embora tivesse apresentado ao mundo os seus melhores
romancistas, não tinha um único nome que pudesse figurar
como um grande dramaturgo. Talvez pudéssemos ter Orris Soares,
cujo texto mais instigante, Rogério, é de uma
absurda contemporaneidade, tanto pela linguagem quanto pelo tema
que gira em torno de uma revolução que depois se transforma
numa sanguinária ditadura. Para um texto escrito em 1920
não deixa de ser curiosa a sua contemporaneidade, sobretudo
após a decepção que todas as revoluções
armadas produziram no mundo. Mas não apenas pelo tema, a
forma, diálogos curtos e rápidos colocariam Orris
Soares no campo dos inovadores da dramaturgia brasileira, se não
fosse o fato de a sua obra somente vir a ser montada por volta de
1994, com a direção de Fernando Teixeira, em João
Pessoa.
O Regionalismo, movimento literário que teve início
com a publicação de A Bagaceira, de José Américo
de Almeida, em 1928, produziu extraordinários romances, e
dois dos romancistas desse grupo, Jorge Amado e José Lins
do Rego, criaram obras que remeteram aos ciclos econômicos
do cacau na Bahia e da cana-de-açúcar na Paraíba.
Entretanto, nenhum foi capaz de escrever para teatro. A dramaturgia
não participou nem como fonte de discussão e muito
menos de inspiração para o ideário regionalista.
Correndo de encontro a esse vazio de dramaturgia no teatro Nordestino,
ou ao menos uma ausência de dramaturgos que estivessem próximos
em qualidade e em quantidade ao que o romanceiro apresentava, o
jovem Hermilo Borba Filho, que já tinha ao Ariano Suassuna
como companheiro de idéias e lutas, proferiu, no início
da década de quarenta, na Faculdade de Direito do Recife,
conferência em que exortava a construção de
uma dramaturgia que olhasse para o Nordeste, a sua realidade, e
pudesse extrair da paisagem, do ambiente social, da história,
da herança cultural ibérica, os dramas humanos, considerando
que, no Nordeste, povo e natureza se ofereciam à criação
estética.
Assim como os grandes dramaturgos europeus contemporâneos,
a exemplo de Ibsen, Strindberg ou Brecht, são ainda fontes
de influência para os dramaturgos atuais, na dramaturgia do
Nordeste eu diria que a nossa fonte de inspiração
é Hermilo Borba Filho, seguido por Ariano Suassuna e, em
escala menor, Paulo Pontes, este por caminho diverso, mas não
oposto ao de Hermilo e Ariano. Todos tinham - e tem - como premissa
fundamental o encontro, a junção entre o erudito e
o popular. Ariano e Hermilo com temáticas rurais, sertanejas,
com o aproveitamento da cultura tradicional tão rica no Nordeste,
com a incorporação do teatro de terreiro, os bumbas,
os folguedos, as danças dramáticas, o teatro de mamulengo,
a rica e vasta literatura de cordel que inspirou o Auto da Compadecida,
e o não menos enciclopédico, perturbador e brilhante
romance armorial A Pedra do Reino, que, a meu ver, se junta
a Os Sertões de Euclídes da Cunha e Grande
Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, para compor
um gigantesco e imprescindível painel sobre o Brasil do interior,
o Brasil brasileiro, cantado em verso e prosa pelos artistas do
povo.
É difícil escrever sobre a dramaturgia nordestina
porque o Nordeste não é apenas uma vasta região,
é um recorte cultural que vai do norte de Minas Gerais aos
limites do Maranhão. Os dramaturgos de que falarei são
aqueles que estão mais próximos da minha realidade,
o que implica dizer que incorrerei no erro de omitir nomes e obras.
Mas essa omissão reflete um problema que é muito maior
do que um simples recorte regional. É um problema da historiografia
do teatro brasileiro, que por motivos de distância entre as
regiões, por insuficiência de registro e de pesquisa,
não possui ainda um panorama de cada Estado e por isso trata
o específico como geral. A vasta obra de historiografia do
teatro brasileiro ainda está para ser feita, e isso somente
será possível com o esforço de pesquisadores
de todas as regiões, ampliando o panorama proposto por Sábato
Magaldi .
Os Mestres
A influência de Ariano Suassuna e de Hermilo Borba Filho ainda
se faz presente na atual dramaturgia nordestina. Tome-se como exemplo
a dramaturgia do recentemente falecido Altimar Pimentel, um autor
que com certeza merece figurar na galeria dos grandes dramaturgos
do Nordeste, autor de, entre muitos outros, A Construção,
texto que na década de sessenta deu a Amir Haddad o Prêmio
Molière, quando este fez a direção do espetáculo.
Em A Construção, Altimar Pimentel se dedicou
a abordar a construção de um mito popular no Nordeste,
o Padre Cícero Romão, líder político
e religioso que ainda hoje - e talvez cada vez mais - provoca a
romaria de milhares de fiéis que se deslocam de lugares os
mais recônditos e obscuros para prestar homenagem e implorar
bênçãos ao homem que é o santo do povo,
apesar de ignorado pelo Vaticano. Mas não foi apenas sobre
a religiosidade católica que ele escreveu com a visão
crítica que jamais deixou de lado. Um dos seus textos mais
famosos, Cemitério das Juremas, tem como tema o candomblé
em sua versão paraibana, a umbanda, que cultua não
os Orixás como o faz a Bahia, mas aos Caboclos que têm
na Jurema a sua árvore sagrada. O cemitério das juremas
em questão é hoje um sítio arqueológico
no litoral de Alhandra, PB, onde eram enterrados em segredo os escravos
mestres da umbanda.
Altimar Pimentel é também senhor de uma vasta obra
sobre os mais diversos aspectos da cultura popular. Recentemente
publicou uma série de livros sobre a arte do Boi de Reis,
o Fandango, a Barca, a Lapinha e o Coco de Roda , cada livro
com as marcações coreográficas devidamente
registradas, acompanhado por um disco com a gravação
dos cantares compondo um precioso painel sobre as artes populares
na Paraíba.
Há em todos os autores, que eu tomo por mestres - inspirado
pela obra de John Gassner - um esforço comum para estabelecer
uma identidade brasileira, nordestina, apesar da obra de Durval
Muniz de Albuquerque Júnior que nos alerta de que o Nordeste
não é um país, não é uma região,
é uma invenção política, uma engenharia
econômica, um imaginário cultural, "o meu abismo",
como do Brasil escreveu Jomard Muniz de Brito no seu Inventário
de um Feudalismo Cultural.
Em Altimar Pimentel essa identidade é apaixonada quando trata
de observar os saberes populares, e crítica, quando trata
de escrever para teatro. É o caso do seu último texto
teatral editado: Flor do Campo . A luta sindical e real de
Margarida Maria Alves, assassinada com um tiro à queima-roupa
na porta da sua casa, nos anos oitenta, em Alagoa Grande, PB, é
o tema desta peça. Na obra, Margarida é Rosa Maria,
líder sindical que luta por direitos trabalhistas, assim
como o seu marido, Casimiro, que morre assassinado por lutar pela
mesma causa dos trabalhadores rurais contra os grandes proprietários
de terras. Há muito da influência de Brecht nessa obra
do autor de Viva a Nau Catarineta, chegando por vezes a lembrar
Os Fuzis da Senhora Carrar, do autor alemão. Brecht,
por sua vez, é uma forte influência na geração
que é a de Altimar Pimentel e Paulo Pontes. A obra de Altimar
Pimentel ainda está para ser dimensionada, a despeito de
Romualdo Palhano , escrevendo sobre o grupo Teca, criado por Altimar
em Cabedelo, PB, ter analisado parte de sua obra, justamente as
peças que foram produzidas pelo grupo. O último texto
de Altimar montado com enorme sucesso é Como Nasce um
Cabra da Peste, uma rara comédia na obra de um dramaturgo
que pode e deve estar entre os grandes nomes da dramaturgia brasileira.
Outro nome que deve figurar entre os fundadores do teatro nordestino
é o de Lourdes Ramalho. Nascida em uma família de
poetas repentistas, Lourdes tomou o caminho da dramaturgia e através
dela, da crítica social, principalmente com textos como As
Velhas , extraordinário drama sobre as frentes de emergência
nos períodos de seca, e que já proporcionou belas
montagens sob a direção de Moncho Rodrigues, na década
de 90 e, recentemente, de Duilio Cunha. Lourdes recuperou a tradição
de sua família quando abandonou a prosa na construção
do texto dramático e enveredou pela versificação
ao modo de cordel, refazendo a ponte que une a cultura popular do
Nordeste com as suas raízes ibéricas. Autora de vastíssima
obra, que inclui textos tragicômicos como A Feira ou mesmo
dramas que revelam um universo opressivo, a exemplo de Os Mal-amados,
Lourdes Ramalho é um dos nomes mais importantes da dramaturgia
nordestina.
O contrário de Lourdes Ramalho é o dramaturgo Luiz
Marinho, de Pernambuco, que criou obras leves, ligeiras, engraçadas
como o seu maior sucesso, Um Sábado em Trinta, que
esteve por não menos enigmáticos trinta anos em cartaz
sob a direção de Waldemar de Oliveira, no Teatro de
Amadores de Pernambuco, talvez o grupo teatral mais antigo em atividade
no Brasil. Um homem simples e afável, Luiz Marinho construiu
a sua obra imagem e semelhança de si mesmo. Somente no fim
da vida surgiu com textos densos e reflexivos como o monólogo
Corpo Corpóreo e o drama A Estrada .
Altimar Pimentel, Lourdes Ramalho e Luiz Marinho são três
dos autores modernos do Nordeste que possui, cada um, vasta e importante
dramaturgia, formando um amplo painel da vida no Nordeste, com enfoque
preferencial para o povo campesino, as vezes com obras de contestação
social, a exemplo de Altimar e Lourdes, as vezes com o gozo ingênuo
da mera existência, celebrando a vida sem maiores preocupações,
como é o caso de Luiz Marinho em quase toda a sua produção.
Paulo Pontes, sem se importar com a importância dada as raízes
ibéricas da cultura nordestina, à maneira dos demais,
e sem nem mesmo entrar no mérito do debate, embora fosse
um cultuador e pesquisador da linguagem popular, escreveu um texto
marcante para a década de sessenta, Paraí-bê-a-bá,
de enorme sucesso, juntando os nomes mais importantes do teatro
paraibano. Pouco depois migrou para o Rio de Janeiro e foi o responsável
pela reinvenção da comédia de costume carioca.
Construiu a sua obra a partir de outra realidade, atingindo o auge
da carreira quando escreveu em companhia de Chico Buarque de Holanda
um dos mais vigorosos textos do teatro brasileiro, Gota D'Água.
Os Discípulos
Após a morte de Paulo Pontes, Alarico Corrêa Neto escreveu
A cara do povo do jeito que ela é, em que presta homenagem
ao amigo. Mas o mais importante de sua lavra é o texto
Columbita Pavão, no qual o dramaturgo demonstra o processo
de exploração das jazidas minerais na Paraíba,
e que serviram para a fabricação da bomba atômica.
Alarico assina ainda, ao lado de Carmélio Reinaldo e de Fernando
Teixeira o texto premiado BR 230, cujo tema trata da vida
das populações à margem da construção
da estrada que rasgou a Paraíba de leste a oeste.
Fernando Teixeira, mais conhecido como diretor, é autor de
um texto bastante instigante: O que vai fazer, chamar a polícia?,
em que mãe e filha vivem uma relação de ódio
e de incesto, que culmina com a morte da filha em um processo angustiante
de autodestruição.
Outro que é também mais lembrado por suas atuações
fenomenais como ator cômico e pouco ou quase nada lembrado
como autor de alguns poucos textos de comédia de costumes
é Ednaldo do Egypto, cujo texto mais importante, Os Novos
Ricos, faz a crítica de uma classe média em ascensão,
à maneira de um Paulo Pontes.
Marcus Vinícius integra a galeria dos pouco lembrados, ao
lado de Ednaldo, de Alarico e de Fernando Teixeira. A meu ver esses
nomes somente ficam de fora quando se discute dramaturgia em função
de esta não ser a atividade principal que exercem ou exerceram
em teatro. Marcus Vinícius é músico, compositor,
e, provavelmente, é esse o motivo de a sua obra dramatúrgica
ter ficado em segundo plano. Marcus Vinícius é autor,
dentre outras obras, de Domingo Zeppelin, texto premiado
pelo então Serviço Nacional de Teatro, SNT, em 1975,
cujo tema é a revolução de 1930 na Paraíba,
Estado que ficou profundamente marcado por aqueles acontecimentos
que mudaram, inclusive, o nome da capital, então Parahyba
hoje João Pessoa, em homenagem popular ao líder que
teria dito a Antenor Navarro que preferiria mil vezes Júlio
Prestes a uma revolução. Morto, João Pessoa
foi a própria bandeira da revolução na Paraíba.
Ainda como liame entre os mestres do teatro nordestino e os autores
mais jovens, há que se falar em Elpídio Navarro, cuja
produção dramatúrgica somente surgiu mais recentemente,
após a sua aposentadoria da cadeira de professor da Universidade
Federal da Paraíba. Elpídio escreve comédias
que ao mesmo tempo divertem mas que deixam certo sabor amargo no
riso, pela contundência de suas observações
quanto ao sentido que as coisas fazem, como é o caso do texto
O Velório. No caminho das peças históricas,
Elpídio Navarro escreveu Ágaba, que o inspirado
orador Amaury Vasconcelos chamaria de "apologia do amor".
Na cena Potiguar, é inegável o talento de Racine Santos,
talvez o mais consciente seguidor das premissas poéticas
de Hermilo Borba Filho, com texto em que não falta cangaceiro,
seca, sertão, dor e solidão, embora também
não falte entusiasmo criador nesse que é principalmente
o grande nome da dramaturgia do Rio Grande do Norte.
Uma nova geração
Bráulio Tavares, multimídia, é autor de roteiros
para shows, para televisão, cinema e, em teatro, escreveu
um texto - Quinze anos depois - que quando lançado
nos dava a todos a impressão de que estivesse a se referir
aos anos de ditadura militar. É uma deliciosíssima
e despretensiosíssima comédia sobre a separação
de um casal durante quinze anos (motivo do título), em que
a moça fica a espera do amante que não dá notícia.
Os textos de Bráulio para teatro são anedotas levadas
numa extensão de tempo maior do que se contaria se fosse
pessoa a pessoa, como num papo ao redor de um copo, mas com ritmo
e verve humorísticas bem impressionantes.
Bráulio Tavares faz linque com a nova geração,
que tem em Tarcísio Pereira o seu mais profícuo dramaturgo.
Embora ainda jovem, Tarcísio Pereira é autor de mais
de vinte textos para teatro, alguns deles premiados em concursos
nacionais, isto sem contar com quase uma dezena de romances escritos
e quase todos publicados. Em Tarcísio, fica evidente a influência
de Altimar Pimentel. Os seus textos têm o mesmo discurso no
sentido do popular, embora por vezes ousado, como quando escreveu
Nua na Igreja. Reafirmando a manutenção de
uma cultura, de uma tradição ou de um pensamento,
Tarcísio tem escrito textos em cordel, recuperando o veio
peninsular da cultura Nordestina, e com essa nova tendência
chegou a ter um de seus textos premiado em concurso local e outro,
Os Mares de Antônio, em que trata da saga do Padre
Antônio Vieira em suas sete travessias do Atlântico,
finalista de um recente concurso Brasil-Portugal de dramaturgia.
Tomando outra orientação, surge no Recife Luiz Felipe
Botelho, cujo texto, Coiteiros de Paixões, trata de
forma surpreendente as relações pessoais em um grupo
de cangaceiros acoitados em uma grota esquecida no meio do sertão.
Os cangaceiros transformaram-se em mais um dos mitos que compõem
a consciência popular do Nordeste. É a nossa aventura
no Oeste, o nosso bang-bang, nacional e popular, e que ainda não
foi totalmente explorado e por isso mesmo sempre pode surpreender,
sobretudo quando um autor apresenta com segurança o tema
do homossexualismo, como o fez Luiz Felipe Botelho, subvertendo
o que se espera do cangaceiro, em nosso imaginário homem
rude e valente, salteador disposto à morte, jamais amante
sensível às coisas do homoerotismo.
Newton Moreno é outro dramaturgo que surge com força
da melhor expressão nordestina. O seu texto Agreste,
sob a direção de Márcio Aurélio, transformou-se
em São Paulo num grande sucesso de público, e deu
ao autor os prêmios Shell de Teatro e da Associação
Paulista de Críticos de Arte - APCA.
Gil Vicente Tavares, cujo nome há de nos fazer lembrar de
nossa raiz ibérica, ao contrário do lusitano, é
um baiano autor do texto Sade, no qual a temática
do homoerotismo chega com força total.
Tantos são os dramaturgos nordestinos que merecem destaque
ou menção, entre eles João Falcão, que
é, assim como Bráulio, roteirista de cinema e televisão,
para os quais escreveu obras importantes. Da produção
do autor pernambucano eu gosto de lembrar de O Pequenino Grão
de Areia, delicada obra infanto-juvenil, um público sempre
difícil de ser atingido, para o qual João Falcão
escreveu uma obra de rara felicidade.
Outros nomes que dão a certeza de que esse assunto somente
se esgotaria em um compêndio são o maranhense Aldo
Leite, com o seu jamais esquecido Tempo de Espera, com o
qual arrebatou um Molière; Vital Farias, outro detentor de
um Molière e o seu Auto das Sete Luas de Barro, ícone
do teatro em Caruaru; Eliézer Rolim, autor e diretor dos
mais instigantes na Paraíba; Álvaro Fernandes, autor
de um drama denso e poético, Última Estação;
não se pode esquecer de Waldemar José Solha, paulista-paraibano,
autor de textos intrigantes, além do potiguar-pernambucano
performático João Denys, autor de A Pedra do Navio,
de Deus Danado, textos premiados em concursos e que são
a própria expressão de João Denys, barroco
e sertanejo, com imensa profusão de personagens, de situações,
de discursos que parecem transcender aos próprios textos,
mas que revelam a força poética de um autor vigoroso
e abundante, nas idéias e nas realizações.
Enfim, o teatro nordestino parece que se mantém ainda fiel
aos princípios exortados por Hermilo Borba Filho e brilhantemente
defendidos em obras e realizações por Ariano Suassuna,
embora, como é natural, à distância, o tempo,
a nova ordem geral do mundo, a internet que separa e aproxima os
desejos humanos, tenham introduzido visões destoantes nesse
lajedo cultural, a pedra do nosso reino, que aparenta ser uno, mas
que é múltiplo, que é mil.
Paulo Vieira
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