Página principal

Associação dos Dramaturgos do Nordeste

Texto de Racine Santos

Programação

Programação completa
Versão para impressão
CCSP por dia
CCSP por área
CCBB por dia
CCBB por área

Artigos

A pedra do nosso reino
Dramaturgia nas ruas do Nordeste
Cultural popular e dramaturgia
Boneco

Imagens da mostra

Imagens

Ficha Técnica

Ficha técnica completa

 

Centro Cultural São Paulo - CCSP
Rua Vergueiro 1000, Paraiso São Paulo. CEP:01504-000
(11) 3383-3402
e-mail: ccsp@prefeitura.sp.gov.br

Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB
Rua Álvares Penteado 112. Centro. São Paulo. CEP: 01012-000
(11) 3113-3651/3652
e-mail: ccbbsp@bb.com.br

 

A pedra do nosso reino
Paulo Vieira

Os Fundadores e os fundamentos
Até meados da década de quarenta, século XX, o Nordeste, embora tivesse apresentado ao mundo os seus melhores romancistas, não tinha um único nome que pudesse figurar como um grande dramaturgo. Talvez pudéssemos ter Orris Soares, cujo texto mais instigante, Rogério, é de uma absurda contemporaneidade, tanto pela linguagem quanto pelo tema que gira em torno de uma revolução que depois se transforma numa sanguinária ditadura. Para um texto escrito em 1920 não deixa de ser curiosa a sua contemporaneidade, sobretudo após a decepção que todas as revoluções armadas produziram no mundo. Mas não apenas pelo tema, a forma, diálogos curtos e rápidos colocariam Orris Soares no campo dos inovadores da dramaturgia brasileira, se não fosse o fato de a sua obra somente vir a ser montada por volta de 1994, com a direção de Fernando Teixeira, em João Pessoa.
O Regionalismo, movimento literário que teve início com a publicação de A Bagaceira, de José Américo de Almeida, em 1928, produziu extraordinários romances, e dois dos romancistas desse grupo, Jorge Amado e José Lins do Rego, criaram obras que remeteram aos ciclos econômicos do cacau na Bahia e da cana-de-açúcar na Paraíba. Entretanto, nenhum foi capaz de escrever para teatro. A dramaturgia não participou nem como fonte de discussão e muito menos de inspiração para o ideário regionalista. Correndo de encontro a esse vazio de dramaturgia no teatro Nordestino, ou ao menos uma ausência de dramaturgos que estivessem próximos em qualidade e em quantidade ao que o romanceiro apresentava, o jovem Hermilo Borba Filho, que já tinha ao Ariano Suassuna como companheiro de idéias e lutas, proferiu, no início da década de quarenta, na Faculdade de Direito do Recife, conferência em que exortava a construção de uma dramaturgia que olhasse para o Nordeste, a sua realidade, e pudesse extrair da paisagem, do ambiente social, da história, da herança cultural ibérica, os dramas humanos, considerando que, no Nordeste, povo e natureza se ofereciam à criação estética.
Assim como os grandes dramaturgos europeus contemporâneos, a exemplo de Ibsen, Strindberg ou Brecht, são ainda fontes de influência para os dramaturgos atuais, na dramaturgia do Nordeste eu diria que a nossa fonte de inspiração é Hermilo Borba Filho, seguido por Ariano Suassuna e, em escala menor, Paulo Pontes, este por caminho diverso, mas não oposto ao de Hermilo e Ariano. Todos tinham - e tem - como premissa fundamental o encontro, a junção entre o erudito e o popular. Ariano e Hermilo com temáticas rurais, sertanejas, com o aproveitamento da cultura tradicional tão rica no Nordeste, com a incorporação do teatro de terreiro, os bumbas, os folguedos, as danças dramáticas, o teatro de mamulengo, a rica e vasta literatura de cordel que inspirou o Auto da Compadecida, e o não menos enciclopédico, perturbador e brilhante romance armorial A Pedra do Reino, que, a meu ver, se junta a Os Sertões de Euclídes da Cunha e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, para compor um gigantesco e imprescindível painel sobre o Brasil do interior, o Brasil brasileiro, cantado em verso e prosa pelos artistas do povo.
É difícil escrever sobre a dramaturgia nordestina porque o Nordeste não é apenas uma vasta região, é um recorte cultural que vai do norte de Minas Gerais aos limites do Maranhão. Os dramaturgos de que falarei são aqueles que estão mais próximos da minha realidade, o que implica dizer que incorrerei no erro de omitir nomes e obras. Mas essa omissão reflete um problema que é muito maior do que um simples recorte regional. É um problema da historiografia do teatro brasileiro, que por motivos de distância entre as regiões, por insuficiência de registro e de pesquisa, não possui ainda um panorama de cada Estado e por isso trata o específico como geral. A vasta obra de historiografia do teatro brasileiro ainda está para ser feita, e isso somente será possível com o esforço de pesquisadores de todas as regiões, ampliando o panorama proposto por Sábato Magaldi .

Os Mestres
A influência de Ariano Suassuna e de Hermilo Borba Filho ainda se faz presente na atual dramaturgia nordestina. Tome-se como exemplo a dramaturgia do recentemente falecido Altimar Pimentel, um autor que com certeza merece figurar na galeria dos grandes dramaturgos do Nordeste, autor de, entre muitos outros, A Construção, texto que na década de sessenta deu a Amir Haddad o Prêmio Molière, quando este fez a direção do espetáculo. Em A Construção, Altimar Pimentel se dedicou a abordar a construção de um mito popular no Nordeste, o Padre Cícero Romão, líder político e religioso que ainda hoje - e talvez cada vez mais - provoca a romaria de milhares de fiéis que se deslocam de lugares os mais recônditos e obscuros para prestar homenagem e implorar bênçãos ao homem que é o santo do povo, apesar de ignorado pelo Vaticano. Mas não foi apenas sobre a religiosidade católica que ele escreveu com a visão crítica que jamais deixou de lado. Um dos seus textos mais famosos, Cemitério das Juremas, tem como tema o candomblé em sua versão paraibana, a umbanda, que cultua não os Orixás como o faz a Bahia, mas aos Caboclos que têm na Jurema a sua árvore sagrada. O cemitério das juremas em questão é hoje um sítio arqueológico no litoral de Alhandra, PB, onde eram enterrados em segredo os escravos mestres da umbanda.
Altimar Pimentel é também senhor de uma vasta obra sobre os mais diversos aspectos da cultura popular. Recentemente publicou uma série de livros sobre a arte do Boi de Reis, o Fandango, a Barca, a Lapinha e o Coco de Roda , cada livro com as marcações coreográficas devidamente registradas, acompanhado por um disco com a gravação dos cantares compondo um precioso painel sobre as artes populares na Paraíba.
Há em todos os autores, que eu tomo por mestres - inspirado pela obra de John Gassner - um esforço comum para estabelecer uma identidade brasileira, nordestina, apesar da obra de Durval Muniz de Albuquerque Júnior que nos alerta de que o Nordeste não é um país, não é uma região, é uma invenção política, uma engenharia econômica, um imaginário cultural, "o meu abismo", como do Brasil escreveu Jomard Muniz de Brito no seu Inventário de um Feudalismo Cultural.
Em Altimar Pimentel essa identidade é apaixonada quando trata de observar os saberes populares, e crítica, quando trata de escrever para teatro. É o caso do seu último texto teatral editado: Flor do Campo . A luta sindical e real de Margarida Maria Alves, assassinada com um tiro à queima-roupa na porta da sua casa, nos anos oitenta, em Alagoa Grande, PB, é o tema desta peça. Na obra, Margarida é Rosa Maria, líder sindical que luta por direitos trabalhistas, assim como o seu marido, Casimiro, que morre assassinado por lutar pela mesma causa dos trabalhadores rurais contra os grandes proprietários de terras. Há muito da influência de Brecht nessa obra do autor de Viva a Nau Catarineta, chegando por vezes a lembrar Os Fuzis da Senhora Carrar, do autor alemão. Brecht, por sua vez, é uma forte influência na geração que é a de Altimar Pimentel e Paulo Pontes. A obra de Altimar Pimentel ainda está para ser dimensionada, a despeito de Romualdo Palhano , escrevendo sobre o grupo Teca, criado por Altimar em Cabedelo, PB, ter analisado parte de sua obra, justamente as peças que foram produzidas pelo grupo. O último texto de Altimar montado com enorme sucesso é Como Nasce um Cabra da Peste, uma rara comédia na obra de um dramaturgo que pode e deve estar entre os grandes nomes da dramaturgia brasileira.
Outro nome que deve figurar entre os fundadores do teatro nordestino é o de Lourdes Ramalho. Nascida em uma família de poetas repentistas, Lourdes tomou o caminho da dramaturgia e através dela, da crítica social, principalmente com textos como As Velhas , extraordinário drama sobre as frentes de emergência nos períodos de seca, e que já proporcionou belas montagens sob a direção de Moncho Rodrigues, na década de 90 e, recentemente, de Duilio Cunha. Lourdes recuperou a tradição de sua família quando abandonou a prosa na construção do texto dramático e enveredou pela versificação ao modo de cordel, refazendo a ponte que une a cultura popular do Nordeste com as suas raízes ibéricas. Autora de vastíssima obra, que inclui textos tragicômicos como A Feira ou mesmo dramas que revelam um universo opressivo, a exemplo de Os Mal-amados, Lourdes Ramalho é um dos nomes mais importantes da dramaturgia nordestina.
O contrário de Lourdes Ramalho é o dramaturgo Luiz Marinho, de Pernambuco, que criou obras leves, ligeiras, engraçadas como o seu maior sucesso, Um Sábado em Trinta, que esteve por não menos enigmáticos trinta anos em cartaz sob a direção de Waldemar de Oliveira, no Teatro de Amadores de Pernambuco, talvez o grupo teatral mais antigo em atividade no Brasil. Um homem simples e afável, Luiz Marinho construiu a sua obra imagem e semelhança de si mesmo. Somente no fim da vida surgiu com textos densos e reflexivos como o monólogo Corpo Corpóreo e o drama A Estrada .
Altimar Pimentel, Lourdes Ramalho e Luiz Marinho são três dos autores modernos do Nordeste que possui, cada um, vasta e importante dramaturgia, formando um amplo painel da vida no Nordeste, com enfoque preferencial para o povo campesino, as vezes com obras de contestação social, a exemplo de Altimar e Lourdes, as vezes com o gozo ingênuo da mera existência, celebrando a vida sem maiores preocupações, como é o caso de Luiz Marinho em quase toda a sua produção.
Paulo Pontes, sem se importar com a importância dada as raízes ibéricas da cultura nordestina, à maneira dos demais, e sem nem mesmo entrar no mérito do debate, embora fosse um cultuador e pesquisador da linguagem popular, escreveu um texto marcante para a década de sessenta, Paraí-bê-a-bá, de enorme sucesso, juntando os nomes mais importantes do teatro paraibano. Pouco depois migrou para o Rio de Janeiro e foi o responsável pela reinvenção da comédia de costume carioca. Construiu a sua obra a partir de outra realidade, atingindo o auge da carreira quando escreveu em companhia de Chico Buarque de Holanda um dos mais vigorosos textos do teatro brasileiro, Gota D'Água.

Os Discípulos
Após a morte de Paulo Pontes, Alarico Corrêa Neto escreveu A cara do povo do jeito que ela é, em que presta homenagem ao amigo. Mas o mais importante de sua lavra é o texto Columbita Pavão, no qual o dramaturgo demonstra o processo de exploração das jazidas minerais na Paraíba, e que serviram para a fabricação da bomba atômica. Alarico assina ainda, ao lado de Carmélio Reinaldo e de Fernando Teixeira o texto premiado BR 230, cujo tema trata da vida das populações à margem da construção da estrada que rasgou a Paraíba de leste a oeste.
Fernando Teixeira, mais conhecido como diretor, é autor de um texto bastante instigante: O que vai fazer, chamar a polícia?, em que mãe e filha vivem uma relação de ódio e de incesto, que culmina com a morte da filha em um processo angustiante de autodestruição.
Outro que é também mais lembrado por suas atuações fenomenais como ator cômico e pouco ou quase nada lembrado como autor de alguns poucos textos de comédia de costumes é Ednaldo do Egypto, cujo texto mais importante, Os Novos Ricos, faz a crítica de uma classe média em ascensão, à maneira de um Paulo Pontes.
Marcus Vinícius integra a galeria dos pouco lembrados, ao lado de Ednaldo, de Alarico e de Fernando Teixeira. A meu ver esses nomes somente ficam de fora quando se discute dramaturgia em função de esta não ser a atividade principal que exercem ou exerceram em teatro. Marcus Vinícius é músico, compositor, e, provavelmente, é esse o motivo de a sua obra dramatúrgica ter ficado em segundo plano. Marcus Vinícius é autor, dentre outras obras, de Domingo Zeppelin, texto premiado pelo então Serviço Nacional de Teatro, SNT, em 1975, cujo tema é a revolução de 1930 na Paraíba, Estado que ficou profundamente marcado por aqueles acontecimentos que mudaram, inclusive, o nome da capital, então Parahyba hoje João Pessoa, em homenagem popular ao líder que teria dito a Antenor Navarro que preferiria mil vezes Júlio Prestes a uma revolução. Morto, João Pessoa foi a própria bandeira da revolução na Paraíba.
Ainda como liame entre os mestres do teatro nordestino e os autores mais jovens, há que se falar em Elpídio Navarro, cuja produção dramatúrgica somente surgiu mais recentemente, após a sua aposentadoria da cadeira de professor da Universidade Federal da Paraíba. Elpídio escreve comédias que ao mesmo tempo divertem mas que deixam certo sabor amargo no riso, pela contundência de suas observações quanto ao sentido que as coisas fazem, como é o caso do texto O Velório. No caminho das peças históricas, Elpídio Navarro escreveu Ágaba, que o inspirado orador Amaury Vasconcelos chamaria de "apologia do amor".
Na cena Potiguar, é inegável o talento de Racine Santos, talvez o mais consciente seguidor das premissas poéticas de Hermilo Borba Filho, com texto em que não falta cangaceiro, seca, sertão, dor e solidão, embora também não falte entusiasmo criador nesse que é principalmente o grande nome da dramaturgia do Rio Grande do Norte.

Uma nova geração
Bráulio Tavares, multimídia, é autor de roteiros para shows, para televisão, cinema e, em teatro, escreveu um texto - Quinze anos depois - que quando lançado nos dava a todos a impressão de que estivesse a se referir aos anos de ditadura militar. É uma deliciosíssima e despretensiosíssima comédia sobre a separação de um casal durante quinze anos (motivo do título), em que a moça fica a espera do amante que não dá notícia. Os textos de Bráulio para teatro são anedotas levadas numa extensão de tempo maior do que se contaria se fosse pessoa a pessoa, como num papo ao redor de um copo, mas com ritmo e verve humorísticas bem impressionantes.
Bráulio Tavares faz linque com a nova geração, que tem em Tarcísio Pereira o seu mais profícuo dramaturgo. Embora ainda jovem, Tarcísio Pereira é autor de mais de vinte textos para teatro, alguns deles premiados em concursos nacionais, isto sem contar com quase uma dezena de romances escritos e quase todos publicados. Em Tarcísio, fica evidente a influência de Altimar Pimentel. Os seus textos têm o mesmo discurso no sentido do popular, embora por vezes ousado, como quando escreveu Nua na Igreja. Reafirmando a manutenção de uma cultura, de uma tradição ou de um pensamento, Tarcísio tem escrito textos em cordel, recuperando o veio peninsular da cultura Nordestina, e com essa nova tendência chegou a ter um de seus textos premiado em concurso local e outro, Os Mares de Antônio, em que trata da saga do Padre Antônio Vieira em suas sete travessias do Atlântico, finalista de um recente concurso Brasil-Portugal de dramaturgia.
Tomando outra orientação, surge no Recife Luiz Felipe Botelho, cujo texto, Coiteiros de Paixões, trata de forma surpreendente as relações pessoais em um grupo de cangaceiros acoitados em uma grota esquecida no meio do sertão. Os cangaceiros transformaram-se em mais um dos mitos que compõem a consciência popular do Nordeste. É a nossa aventura no Oeste, o nosso bang-bang, nacional e popular, e que ainda não foi totalmente explorado e por isso mesmo sempre pode surpreender, sobretudo quando um autor apresenta com segurança o tema do homossexualismo, como o fez Luiz Felipe Botelho, subvertendo o que se espera do cangaceiro, em nosso imaginário homem rude e valente, salteador disposto à morte, jamais amante sensível às coisas do homoerotismo.
Newton Moreno é outro dramaturgo que surge com força da melhor expressão nordestina. O seu texto Agreste, sob a direção de Márcio Aurélio, transformou-se em São Paulo num grande sucesso de público, e deu ao autor os prêmios Shell de Teatro e da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA.
Gil Vicente Tavares, cujo nome há de nos fazer lembrar de nossa raiz ibérica, ao contrário do lusitano, é um baiano autor do texto Sade, no qual a temática do homoerotismo chega com força total.
Tantos são os dramaturgos nordestinos que merecem destaque ou menção, entre eles João Falcão, que é, assim como Bráulio, roteirista de cinema e televisão, para os quais escreveu obras importantes. Da produção do autor pernambucano eu gosto de lembrar de O Pequenino Grão de Areia, delicada obra infanto-juvenil, um público sempre difícil de ser atingido, para o qual João Falcão escreveu uma obra de rara felicidade.
Outros nomes que dão a certeza de que esse assunto somente se esgotaria em um compêndio são o maranhense Aldo Leite, com o seu jamais esquecido Tempo de Espera, com o qual arrebatou um Molière; Vital Farias, outro detentor de um Molière e o seu Auto das Sete Luas de Barro, ícone do teatro em Caruaru; Eliézer Rolim, autor e diretor dos mais instigantes na Paraíba; Álvaro Fernandes, autor de um drama denso e poético, Última Estação; não se pode esquecer de Waldemar José Solha, paulista-paraibano, autor de textos intrigantes, além do potiguar-pernambucano performático João Denys, autor de A Pedra do Navio, de Deus Danado, textos premiados em concursos e que são a própria expressão de João Denys, barroco e sertanejo, com imensa profusão de personagens, de situações, de discursos que parecem transcender aos próprios textos, mas que revelam a força poética de um autor vigoroso e abundante, nas idéias e nas realizações.
Enfim, o teatro nordestino parece que se mantém ainda fiel aos princípios exortados por Hermilo Borba Filho e brilhantemente defendidos em obras e realizações por Ariano Suassuna, embora, como é natural, à distância, o tempo, a nova ordem geral do mundo, a internet que separa e aproxima os desejos humanos, tenham introduzido visões destoantes nesse lajedo cultural, a pedra do nosso reino, que aparenta ser uno, mas que é múltiplo, que é mil.

Paulo Vieira