Criação poéticaConduzida
pela atriz e escritora Marina Teixeira Wisnik, a oficina Criação
poética ocorreu de 13/8 a 1º/10/2010, com o objetivo de levar
os participantes a ampliarem seu repertório expressivo, desenvolverem sua
criatividade a partir de dinâmicas lúdicas, aventurarem-se na criação
de poesias e refletirem coletivamente sobre as produções realizadas.
Veja, abaixo, uma seleção de poesias produzidas durante a oficina.
Sem título, de Geraldino Bomfim Moreira
Sua
pelagem é cinza no concreto O olhar que lembra a superfície Azul
de um lago gelado O corpo, uma corrente um tanto enrigecida Simpatia de
um caminho áspero, porém seguro Sua educação da
experiência vivida Esforçado como um motor persistente Curioso
como um filhote que quer brincar
Inefável, de Aline Leão
Quantas
palavras Vivas, inexatas Encontram-se no espaço De uma linha
qualquer. Quanto silêncio Que há
em um momento Para o barulho do vento Poder recriar? Quantos
olhares Cabem no corpo E dizem, no entanto Bem mais que o falar? Quantas
surdez Há no corpo presente Quando os olhos se fecham Para o
mundo inspirar! Quantos pensares Trocam-se
cruzam-se Nesse mundo gigante que conseguimos criar? E
a inspiração? Como se conta O quanto se cabe Em entrelinhas
De um pensamento?

Sim-cro-ni-cidade, de Shiva Murah
De
repente, viver olhando pelo buraco do ralo, Por onde caiu meu celular água
abaixo Até a merda gigantesca fétida De milhões de
intestinos pré-congelados Meu pé-sadelo
é um shopping de cabeça pra baixo, Cheio de putas nervosas e
mal-pagas. Mas há portas na Babilônia Que
se abrem para dentro, na ressaca Buda me mostrou em cada quarto de uma paisagem
lânguida, espiralando, brincando com meu néon derretendo como lava
de cristal. Num fim de tarde eu me apaixonei pelo sol Enquanto
os velhos morrem de luxo poluente; Minha canoa singra, com amigos exóticos,
até a ilha onde jovens se reúnem. Olhar-índio, fitam o
ídolo de pedra que abençoa o círculo antes do ritual. A
nova religião, É muito velha poesia Amigo... Celebremos
mais um fim do mundo, Antes que a criança fique doida.

O ciclo poético, de Rodolfo Dias
Cá
estamos nós Cortados à metade Com os corações
moles Já repletos de saudade
Mas
não é o fim Só o recomeço Como a vida, Uma
roda ao avesso Não fiquemos tristes Sempre
felizes... Pois tais experiências, Só ocorrem em crises. Crises
de loucura, Ou crises de amor. Crises de bravura Ou talvez de dor. Mas
sempre tente Ser diferente Tal que o indiferente Nem a gente entende. 
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