Projeto
de reforma do Centro Cultural proriza acessibilidade
de deficientes
texto: Marcelo Cárgano
O
Centro Cultural São Paulo(CCSP) passará
em breve por mudanças que o deixarão
mais acessível.Uma reforma que está
em processo de licitação vai deslocar
a Biblioteca Braille de um local mais periférico
para um ponto mais central do CCSP. A reforma
faz parte das comemorações dos
60 anos da Biblioteca Braille, que ocorre no
fim de abril, e dos 25 anos do Centro Cultural,
em meados de maio.
Planejada e equipada para atender portadores
de deficiência visual, a Biblioteca Braille
reúne em seu acervo livros didáticos,
técnicos, literários, infanto-juvenis
e também periódicos. Sua coleção,
a maior do gênero no País, conta
com aproximadamente 5.600 obras e cerca de 19
mil volumes. A Biblioteca também atua
como editora, produzindo livros em Braille e
livros falados.
A idéia é levar a Biblioteca Braille,
localizada em um dos cantos do Centro Cultural,
para uma área mais nobre, próxima
das demais biliotecas. "Como o Centro é
todo segmentado, hoje o usuário vai para
a Braille e de lá vai embora", diz
Martin Grossmann, diretor do CCSP. Segundo ele,
a atual localização da biblioteca,
somada à falta de infra-estrutura para
o acesso dos deficientes, limita o acesso dos
cegos apenas à Braille.
O plano de reforma leva em conta o resultado
de consultas feitas a diversas associações
representativas de deficientes, em especial
a CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade),
órgão consultivo e deliberativo
sobre normas e legislação sobre
acessibilidade na Cidade de São Paulo.
Fazem parte dela funcionários de diversas
Secretarias da Prefeitura, além de integrantes
de ONGs. Também participaram das reuniões
organizações que lidam especificamente
com deficientes visuais, como a Dorina Nowill
e a Laramara.
Em janeiro, um grupo da CPA visitou o CCSP e
constatou que as alterações previstas
para a nova área vão dotar o Centro
Cultural de melhores condições
de acesso ao público portador de deficiência.
"O Centro Cultural não tem um plano
de acessibilidade. Trazer essa biblioteca para
a área central é um motivo para
que ele inteiro fique disponível para
quem tem deficiência", diz diretor
Grossmann.
De acordo com a arquiteta Ana Lúcia Cerqueira
Pimenta, uma das responsáveis pela reforma
do CCSP, na primeira etapa serão executadas
as obras necessárias para possibilitar
o acesso dos deficientes à biblioteca,
como corrimãos e piso tátil, a
partir de qualquer uma das entradas do Centro
como foi sugerido pela CPA. "A gente só
vai fazer a mudança quando o novo espaço
estiver concluído", garante Grossmann,
o que deverá ocorrer ainda neste primeiro
semestre.
Apesar da diminuição de área
da sala da Biblioteca Braille - o espaço
que ela ocupa possui 910 m², contra apenas
610 m² da nova sala -, seus usuários
terão um espaço maior à
disposição, de acordo com o diretor
do CCSP. Isso porque, ao contrário do
que ocorre hoje, a biblioteca não terá
de dividir espaço com sua editora de
livros, que vai funcionar em um espaço
de 450m² no porão do Centro. A Biblioteca
também atua como editora, produzindo
livros em Braille e livros falados.
Oswaldo Fantini, engenheiro da Secretaria Especial
da Pessoa com Deficiência e Mobilidade
Reduzida (Seped) e membro da CPA, aponta outras
vantagens na mudança da Biblioteca, para
a área central do CCSP. "Do jeito
que está, a Braille e seus freqüentadores
ficam no canto, escondidos, como num gueto.
Trazendo-a para o meio, você cria o convívio.
Quem vai com seu filho peuqeno ao Centro já
o acostuma à presença do deficiente".
A Biblioteca Braille funciona de terça
a sexta-feira, das 10h às 18h ( o expediente
será ampliado até as 20h após
a mudança) e aos sábados, das
10 às 17h. Com quatro pavimentos e uma
área de 46.500 m², o Centro Cultural
São Paulo fica na rua Vergueiro, 1.000,
ao lado da avenida 23 de Maio.
Notícia
publicada no Diário Oficial Cidade de
São Paulo em 11 de abril de 2007.
Outras
informações
