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   Quem fez, quem faz o CCSP - 25 anos - maio de 2007

 



A fotógrafa Sônia Regina Parma, 51 anos, trabalha no Centro Cultural São Paulo desde 1988. Sosô, como é mais conhecida, relata nesta entrevista como é o CCSP visto pelas lentes de uma câmera, fala sobre os quase 20 anos de convivência com a instituição e narra histórias de sua vida profissional.

entrevista: Márcia Dutra
foto: Carlos Rennó

Como é ser fotógrafa no CCSP?

Sônia - É um grande prazer estar em contato com todos os tipos de arte. Nós, fotógrafos, somos muito privilegiados, porque a gente tem acesso direto, estamos sempre na primeira fila, temos prioridade. No aniversário do CCSP, por exemplo, foram programados eventos especiais que encheram de gente, foram festas bonitas, e nós estamos dentro dessa pulsação.

Como você começou a trabalhar aqui?

Sônia - Eu mostrei meu trabalho para o João Mussolin, que era o supervisor de fotografia, e para o diretor da época, eles gostaram e me contrataram. Até então, eu era freelancer, fiz muitos trabalhos com crianças, muitos casamentos. Fotografar essas coisas era o mesmo que fotografar teatro para mim, era uma cena com começo, meio e fim previsíveis. Eu fazia as coisas da mesma maneira que faço aqui, tudo na verdade é uma representação.

Conte alguma história que te marcou nesses 20 anos de CCSP.

Sônia - Uma das situações mais tristes para mim foi uma enchente enorme que teve aqui em 1990. Eu tenho que registrar todas as coisas, e nesse dia tive que fotografar a chuva caindo dentro do Centro Cultural. O bom fotógrafo perde um amigo, mas não perde a foto. Só que eu fotografava chorando, dos meus olhos saiam lágrimas, porque a rampa virou um rio, era muito triste. Você olhava para baixo e estava caindo tudo nos computadores, todo mundo correndo, foi uma tragédia.

E quanto aos momentos felizes?

Sônia - Um dia eu estava super triste aqui no Centro Cultural, era uma sexta-feira e eu estava indo embora. Alguma coisa tinha acontecido, nem me lembro o quê. De repente, resolvi entrar na sala Adoniran Barbosa, onde estava rolando um show do grupo Barca. Aquilo foi uma surpresa, meu coração foi se aliviando, eu fiquei até o final e uma grande alegria tomou conta de mim. Minha sexta-feira mudou, fui para casa de um outro jeito. Minhas grandes alegrias aqui são sempre quando eu estou de frente para uma manifestação artística.

Você se sente parte da história do CCSP?

Sônia - Às vezes a gente não se dá conta do valor que nosso trabalho tem, mas nós somos a história do Centro Cultural. Nós, fotógrafos, participamos ativamente, pois ajudamos a guardar a imagem de tudo o que aconteceu. A gente ajuda a construir a história de São Paulo.

O que você tem a dizer do público?

Sônia - Acho que é um engano pensar que a população de baixa renda ou o público jovem não gosta de cultura. O Centro Cultural traz uma diversidade de público muito absurda e nós devemos gerar oportunidades de integração. A gente fala em inclusão social, mas o que significa isso para o Centro Cultural? Quem trabalha aqui acaba não vindo passear, mas este é um lugar agradabilíssimo, é lindo! Tem árvore, tem essa arquitetura ousada. Muitos não conhecem e nós deveríamos tentar atrair mais as pessoas. Eu acho que o Centro Cultural tinha que estar constantemente lotado, é muito grande isso aqui.

 


 

 

 

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