
A
fotógrafa Sônia
Regina Parma, 51 anos, trabalha no
Centro Cultural São Paulo desde 1988.
Sosô, como é mais conhecida, relata
nesta entrevista como é o CCSP visto
pelas lentes de uma câmera, fala sobre
os quase 20 anos de convivência com a
instituição e narra histórias
de sua vida profissional.
entrevista:
Márcia Dutra
foto: Carlos Rennó
Como
é ser fotógrafa no CCSP?
Sônia
- É um grande prazer estar em contato
com todos os tipos de arte. Nós, fotógrafos,
somos muito privilegiados, porque a gente tem
acesso direto, estamos sempre na primeira fila,
temos prioridade. No aniversário do CCSP,
por exemplo, foram programados eventos especiais
que encheram de gente, foram festas bonitas,
e nós estamos dentro dessa pulsação.
Como você começou a trabalhar
aqui?
Sônia
- Eu
mostrei meu trabalho para o João Mussolin,
que era o supervisor de fotografia, e para o
diretor da época, eles gostaram e me
contrataram. Até então, eu era
freelancer, fiz muitos trabalhos com crianças,
muitos casamentos. Fotografar essas coisas era
o mesmo que fotografar teatro para mim, era
uma cena com começo, meio e fim previsíveis.
Eu fazia as coisas da mesma maneira que faço
aqui, tudo na verdade é uma representação.
Conte alguma história que te marcou
nesses 20 anos de CCSP.
Sônia
- Uma
das situações mais tristes para
mim foi uma enchente enorme que teve aqui em
1990. Eu tenho que registrar todas as coisas,
e nesse dia tive que fotografar a chuva caindo
dentro do Centro Cultural. O bom fotógrafo
perde um amigo, mas não perde a foto.
Só que eu fotografava chorando, dos meus
olhos saiam lágrimas, porque a rampa
virou um rio, era muito triste. Você olhava
para baixo e estava caindo tudo nos computadores,
todo mundo correndo, foi uma tragédia.
E quanto aos momentos felizes?
Sônia
- Um
dia eu estava super triste aqui no Centro Cultural,
era uma sexta-feira e eu estava indo embora.
Alguma coisa tinha acontecido, nem me lembro
o quê. De repente, resolvi entrar na sala
Adoniran Barbosa, onde estava rolando um show
do grupo Barca. Aquilo foi uma surpresa, meu
coração foi se aliviando, eu fiquei
até o final e uma grande alegria tomou
conta de mim. Minha sexta-feira mudou, fui para
casa de um outro jeito. Minhas grandes alegrias
aqui são sempre quando eu estou de frente
para uma manifestação artística.
Você se sente parte da história
do CCSP?
Sônia
- Às
vezes a gente não se dá conta
do valor que nosso trabalho tem, mas nós
somos a história do Centro Cultural.
Nós, fotógrafos, participamos
ativamente, pois ajudamos a guardar a imagem
de tudo o que aconteceu. A gente ajuda a construir
a história de São Paulo.
O que você tem a dizer do público?
Sônia
- Acho
que é um engano pensar que a população
de baixa renda ou o público jovem não
gosta de cultura. O Centro Cultural traz uma
diversidade de público muito absurda
e nós devemos gerar oportunidades de
integração. A gente fala em inclusão
social, mas o que significa isso para o Centro
Cultural? Quem trabalha aqui acaba não
vindo passear, mas este é um lugar agradabilíssimo,
é lindo! Tem árvore, tem essa
arquitetura ousada. Muitos não conhecem
e nós deveríamos tentar atrair
mais as pessoas. Eu acho que o Centro Cultural
tinha que estar constantemente lotado, é
muito grande isso aqui.
