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   Quem fez, quem faz o CCSP - 25 anos - maio de 2007


Ricardo Moreira Rodrigues, 32 anos, esteve em contato com o Centro Cultural das mais diversas formas. Usuário, estagiário, funcionário e convidado para eventos, o ator conta um pouco dessa trajetória e divide as lembranças que guarda de cada uma dessas fases.


entrevista: Juliene Codognotto e Márcia Dutra
edição: Juliene Codognotto e Paula Bassi
fotos: Carlos Rennó



Quando e como você começou a trabalhar no Centro Cultural?

Ricardo - Em 1994, na divisão de artes cênicas. Eu era estudante de educação artística com habilitação em artes cênicas e fui estagiário por dois anos até ser contratado como assistente de programação de teatro infantil, passando depois para teatro adulto.

Como foi seu primeiro contato com o CCSP?

Ricardo - Eu conheci o Centro Cultural em 1989, aos 14 anos. Nessa época, comecei a me interessar por expressão corporal. Eu vim de Guaianases e a minha prima me trouxe aqui. A minha sensação foi de encantamento mesmo, de ver ferro e vidro em pé, livros, palcos e uma arena, tudo no mesmo lugar. Imagina, eu com 14 anos via o mundo lá de baixo ainda, então o CCSP era gigante, era muito impressionante. A partir daí, vim várias vezes assistir a espetáculos e usar a biblioteca. Até chegar a estagiário eu já era íntimo do CCSP.


Como foi a transição de esta- giário para funcionário?

Ricardo - Um pouco antes de o contrato de estágio terminar, fui consultado sobre o interesse em trabalhar aqui, mas de uma forma muito indireta pra não causar expectativa. Durante o meu estágio, eu tive que organizar uma pilha de programas e cartazes de eventos. Demorei meses pra arquivar tudo, mas adorei, eu lia tudo! Depois, conheci os artistas, núcleos e espetáculos sobre os quais eu tinha lido e que voltaram pra cá. Fiquei muito integrado. Por isso, o desligar foi difícil, eu estava acabando a faculdade e não tinha emprego. Quando acabou o estágio, foram 40 dias de expectativa, por mais que não tivessem me dado nenhuma, eu fiquei na expectativa de voltar, eu queria.


O que significou para você esse convite para se tornar funcionário?

Ricardo - Por eu ser de periferia, minha educação era a da carteira profissional, do compromisso, do INSS, da aposentadoria. Isso é o que o pai ensina, o que ele conhece. Então, acabando o estágio, veio a aflição: "o que eu vou fazer agora?". Aqui, neste pólo de produção, as coisas vêm prontas e precisam de uma pauta. É uma troca: aqui tem um espaço que precisa ser ocupado e o outro tem um trabalho que precisa ser apresentado em algum lugar. O Centro Cultural me mostrou quem era a classe artística daquele momento, o que ela estava fazendo, as linguagens que surgiam e, a partir daí, quais eram as linguagens que me interessavam. E isso foi me fomentando, me formando.

Como foi a saída do CCSP?

Ricardo - Foi por causa daqui que eu saí daqui, no bom sentido. Uma das produções que passou pelo Centro Cultural foi o Circo Mínimo, do Rodrigo Matheus. Ele me convidou pra fazer administração e produção para ele. Eu via as companhias, os núcleos voltando todo ano com uma coisa nova e eu ali de novo para fazer o mesmo processo. Isso me incomodava como artista. Então, eu topei, troquei de horário aqui, eu fazia lá das 9h às 12h, e aqui das 13h30 até as 21h. Ou seja, eu tinha dois trabalhos, morando em Guianases, indo para a Lapa e voltando aqui pro Paraíso. Quando saí daqui, fui muito questionado. Falavam: "como assim? Você está na prefeitura, a prefeitura é para sempre". Mas eu fui. Outro problema foi me administrar sem uma estrutura burocrática, social clara, segura. Mas deu tudo certo, eu aprendi um monte.


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