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   Quem fez, quem faz o CCSP - 25 anos - maio de 2007


A bibliotecária Alice Tomie Sano está há quase 25 anos no Centro Cultural São Paulo. Atualmente, ela exerce o cargo de diretora de Coleções Especiais, mas já trabalhou em todos os setores da Divisão de Bibliotecas - do atendimento ao público ao restauro e catalogação do acervo.

entrevista: Márcia Dutra
foto: Carlos Rennó






Como foi o começo de sua carreira no Centro Cultural São Paulo?


Alice - Sou bibliotecária concursada, entrei na prefeitura em 1976. Trabalhei em bibliotecas infanto-juvenis por seis anos e depois optei pelo Centro Cultural. Tomei posse em 17 de março de 1983, quando a biblioteca abriu. Organizei o espaço, coloquei os livros nas estantes, participei ativamente desse começo.

Teve algum motivo especial para escolher trabalhar aqui?

Alice - Eu moro perto do Centro Cultural desde 1980, então acompanhei todo o projeto pelos jornais. Este lugar já estava no meu coração durante a sua construção: quando as estantes estavam sendo organizadas e a biblioteca ainda não tinha sido inaugurada, eu pedi a Deus que me trouxesse para cá, permitisse que eu pudesse estar aqui. O lugar me encantou com seu projeto inovador e arrojado, mas ainda assim favorável a todos. Realmente, é um privilégio estar aqui.

E quanto à sua evolução profissional aqui dentro?

Alice - Nossa biblioteca é diferenciada. Aqui, o acesso ao acervo é horizontal, direto, o que deixa tanto funcionários quanto público em um mesmo nível. Primeiro, eu trabalhei no atendimento ao usuário. Depois, passei pelos vários setores da Divisão de Bibliotecas. Trabalhei na Braille, na Discoteca, na Gibiteca. A experiência na Braille foi muito rica, trabalhei por dois anos com deficientes visuais, foi um mundo novo pra mim. Hoje, sou diretora da subdivisão de Coleções Especiais, composta pela Braille e pela Gibiteca.

Em que medida seu trabalho no CCSP a modificou como pessoa?

Alice - Houve um enriquecimento espiritual muito grande. Eu sou bibliotecária, sou veículo das informações de que as pessoas precisam. Para exercer meu papel, eu quero saber de tudo. Atualmente, estou entrando no mundo do mangá, as histórias em quadrinhos japonesas, que para mim são algo novo. Eu tenho me renovado, creio que este espaço é favorável a isso. Quando observo os jovens que vêm aqui, fico contente que eles aproveitam o lugar e me enxergo um pouco neles - é a mesma motivação, mesma alegria de estar aqui, de continuar aprendendo.

Fale um pouco sobre o trabalho na Gibiteca Henfil.

Alice - Antigamente, a Gibiteca ocupava um espaço à parte e hoje ela está dentro da divisão de bibliotecas, mais integrada aos outros acervos. Queremos apresentar o mundo das histórias em quadrinhos para pessoas que não o conhecem, pois existe a falsa impressão de que se trata de literatura infantil. A Gibiteca tem um papel importante, nós recebemos pesquisadores, ela é fundamental no estudo e divulgação dessa forma de expressão.

Existe alguma história que você possa nos contar?

Alice - Houve o ano em que a biblioteca foi inundada. Teve uma tempestade bastante forte e voou um galho que quebrou o teto, de acrílico. A água chegou até o joelho das pessoas. Foi um dia muito assustador. Tiveram que desligar todas as luzes. Eu estava na biblioteca Braille trabalhando com os deficientes visuais e eles ficaram muito apavorados porque começaram a ouvir o barulho. Eu tive que acudir, enchi meus dois braços com um monte de cegos para sair de lá, porque a gente não sabia se ia dar curto-circuito. Nós tivemos que ficar cerca de dois anos secando os livros. Montamos uma equipe, mexemos livro por livro, arejamos, fizemos um grande mutirão.

E os bons momentos?

Alice - Teve uma vez em que eu era chefe do restauro e recebi 50 crianças de um projeto do governo estadual. Eram crianças não alfabetizadas de cerca de cinco anos de idade, e eu deveria mostrar o que é um livro e como era o nosso trabalho. Pensei que seria uma tarefa complicada, mas reuni a equipe de funcionários, todos colaboraram e fizemos a oficina, em que cada criança montou o seu próprio livrinho. Eu sempre tento apresentar a realidade do livro, o cuidado que a gente tem que ter. Usei comparações, adaptei para a realidade daquelas crianças, que não eram escolarizadas e viviam uma realidade difícil.

Houve algum evento marcante para você?

Alice - O mais recente foi a comemoração pelos 60 anos da biblioteca Braille. Eu vim assistir ao show do Jair Rodrigues. Comprei os CDs dele, fui pedir autógrafo, apreciei bastante porque eu via quanto o pessoal da Braille cantava junto com ele. O Jair foi eleito pelo público para participar do aniversário e eu fiquei maravilhada porque todos foram atendidos.



 

 

 

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