
Aloysio Nogueira,
46, é coordenador e responsável
pelos acervos digitais e Discoteca Oneyda Alvarenga.
Sua
carreira no serviço público começou
em 1981, quando trabalhava na Biblioteca de
artes, um dos núcleos do Departamento
de informação e documentação
artísticas (Idart). Em 1982, o Centro
Cultural São Paulo foi inaugurado e Aloysio
foi transferido para cá. Leia abaixo
entrevista em que o funcionário fala
sobre sua experiência em 25 anos de
CCSP.
entrevista: Márcia Dutra
edição: Paula Bassi
fotos: Sônia Parma
Como
você resumiria sua evolução
dentro do CCSP?
Aloysio -
Quando eu comecei a trabalhar na Biblioteca
de Artes, conheci um mundo novo. Eu queria fazer
faculdade de jornalismo, mas me apaixonei por
biblioteconomia e prestei o curso na ECA-USP.
Quando vim para o CCSP, eu comecei a atuar na
área de conhecimentos gerais, no atendimento
da hemeroteca, na parte das enciclopédias.
A biblioteca era freqüentada por mais de
três mil pessoas por dia. As filas iam
da portaria até a entrada do metrô
Vergueiro. O pessoal realmente queria entrar
na Biblioteca e usar o material, considerado
de ponta na época. Eu terminei a faculdade
e me especializei na área de informática.
Fui assistente de direção da biblioteca
e, em 1995, fundei e organizei o Núcleo
de Informática do CCSP. Em maio de 2006,
fui convidado a coordenar a discoteca.
Quantos
anos você tem de CCSP?
Aloysio - Vamos
dizer que eu tenho 25. Na verdade, eu fiquei
afastado dois anos, na época do Jânio
Quadros. Nós fomos convidados a passar
um tempinho fora da prefeitura. Fomos readmitidos
em 1989, com o governo de Luísa Erundina.
Depois disso, eu prestei concurso para Bibliotecário
e me efetivei. Até então eu tinha
sido arquivista musical e escriturário.
Como
você foi convidado a se retirar da prefeitura?
Aloysio - Em
1985, no primeiro ano de governo do Jânio,
os funcionários públicos fizeram
uma greve salarial, uma greve bem forte, de
que todo mundo participou. O prefeito solicitou
que os envolvidos deveriam ser exonerados. Como
nós éramos admitidos e não
efetivos, eu e mais 22 funcionários relacionados
em uma lista fomos demitidos. Éramos
considerados líderes grevistas. Não
era verdade, mas foi assim.
Quais
fatos ou histórias lhe marcaram nesses
25 anos de casa?
Aloysio
- Há um folclore, logo
no início, quando a gente veio para o
CCSP, que até hoje não sei se
é verdade ou não. Acho que é
mentira. Diziam que os tijolos que cercam todo
o Centro Cultural de ponta a ponta levavam as
letras RB. Essa sigla supostamente fazia alusão
ao nome do ex-prefeito Reynaldo de Barros. Muitos
falam que era o nome da olaria dele, uma brincadeira.
Todos levam na brincadeira.
Quais
espetáculos marcantes você presenciou?
Aloysio
- Vi grandes espetáculos.
Vi Língua de Trapo, Ira!, Chico César.
Na época, o CCSP lançou muitos
artistas que depois se tornaram famosos: Renato
Teixeira lotava o teatro, Belchior também.
Um evento especial para mim o "Navegar
é Preciso", realizado na comemoração
dos 500 anos do descobrimento do Brasil.
O
que você diria público do CCSP?
Aloysio - É
um público cativo; ele adotou o Centro
Cultural, ele gosta de vir aqui por várias
razões - para namorar, conversar, estudar,
ir ao teatro. O Centro Cultural é dele.
Existe uma comunidade grande no Orkut sobre
o CCSP, criada por um usuário. Lógico,
o número de freqüentadores diminuiu
um pouco, porque existem outros centros culturais,
outras bibliotecas. O Centro sofreu porque ficou
dois anos fechado por inundação,
entre 1991 e 1992. Mas depois de uns anos, o
local voltou a ter um outro público,
voltou a crescer. Hoje ele está mais
aparelhado.
E
o que você acha de trabalhar no Centro
Cultural?
Aloysio
- Acho que os funcionários,
além de tudo, são apaixonados
pelo Centro Cultural. Não só os
mais antigos, mas os que estão chegando
também se apaixonam pelo lugar. Pela
sua estrutura, pelo que ele pode proporcionar.
Como eu sou uma "cria" do Centro Cultural,
fica difícil falar. Você não
pode estar satisfeito com tudo, existem problemas,
mas é um bom lugar para se trabalhar.
