O
projeto

A história do Centro Cultural São
Paulo começa na década de 70,
quando o terreno entre a rua Vergueiro e a Avenida
23 de Maio foi cedido para a prefeitura. Fruto
das desapropriações ocasionadas
pela construção do metrô,
a área de aproximadamente 300 mil metros
quadrados foi alvo de diversas especulações.
Em julho de 1973, na administração
de Miguel Colassuono, surgiu o Projeto Vergueiro,
cujo objetivo era promover a urbanização
do local, onde seriam construídos um
complexo de escritórios, hotéis,
um shopping center e uma grande biblioteca pública.
O prazo para o término das obras era
de cinco anos.
Dois
anos depois, a administração de
Olavo Setúbal cancelou o Projeto Vergueiro,
tendo que arcar com a indenização
ao consórcio Prounb, que havia vencido
a licitação para as obras. Do
plano antigo restou somente a construção
da biblioteca pública. Para isso, foi
instalada uma comissão de estudos que
contava com bibliotecários, professores
e o arquiteto Aron Cohen. A idéia do
grupo era construir uma biblioteca moderna em
que o leitor tivesse livre acesso ao material,
de forma que o objetivo não seria mais
guardar a informação e sim escancará-la
para o público. O arquiteto Eurico Prado
Lopes venceu a concorrência aberta em
1976, e as obras tiveram início em 1978.
A
gestão seguinte, do prefeito Reynaldo
de Barros, resolveu reformular o projeto da
biblioteca e adaptá-lo ao de um centro
cultural multidisciplinar nos moldes dos que
estavam surgindo no mundo todo como o Georges
Pompidou, fundado em 1977 na cidade de Paris
(França). O então secretário
municipal de cultura, Mário Chamie, alegava
que a localização era ideal para
a instalação de uma instituição
como essa. Além disso, argumentava-se
que a obra era grande demais para abrigar somente
uma biblioteca. Ficou decidido, então,
que o centro cultural contaria com cinema, teatro,
espaço para recitais e concertos, ateliês
e áreas de exposições.
Os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles
continuaram à frente do projeto.
A
concepção do centro cultural foi
baseada em extensa pesquisa para entender o
que significava o acesso à informação
em um país como o Brasil. O edifício
foi projetado com o objetivo de facilitar ao
máximo o encontro do usuário com
aquilo que seria oferecido no centro cultural.
Dessa maneira, a arquitetura do prédio
não obedeceu a padrões pré-estabelecidos,
privilegiando as dimensões amplas e as
múltiplas entradas e caminhos.

A construção
O
Centro Cultural São Paulo começou
a ser construído nos últimos anos
da ditadura no Brasil. A proposta de valorizar
o aspecto multidisciplinar dos espaços
e evitar a compartimentação foi
alvo de muitas polêmicas. Nas palavras
do arquiteto Luiz Telles: "Ficávamos
de prontidão, para ver com o que iam
implicar. Não que fôssemos subversivos,
os outros é que eram retrógrados".
(para ler a entrevista completa, clique aqui
linkar para http://www.centrocultural.sp.gov.br/ccsp_entrevista.asp)
O
projeto foi amplamente discutido na mídia,
pois, além de apresentar conceitos inéditos
como integração e multidisciplinaridade,
sua construção contou com alguns
problemas de ordem técnica, já
que apresentava muitas inovações
arquitetônicas. Pesquisas e experimentações
tiveram que ser realizadas antes que se pudesse
chegar ao produto final. Para viabilizar as
formas arrojadas pretendidas pelos arquitetos,
utilizou-se os mais variados materiais, como
vidro, aço, concreto, acrílico,
tijolo e tecido.
As
estruturas mistas previstas no projeto fizeram
com que conceitos tradicionais de execução
tivessem que ser modificados, dando lugar a
novas técnicas muito específicas,
em um processo que beirou o artesanal. Durante
a construção do prédio,
Emilie Chamie, esposa do então secretário
de cultura, Mário Chamie, criou o logotipo
da instituição. O desenho é
a representação de uma junção
de curvas e foi pensado, segundo sua criadora,
a partir das estruturas do prédio.

A
inauguração
A
lei de criação do Centro Cultural
São Paulo, promulgada em 6 de maio de
1982, estabelecia que suas funções
incluíam: "planejar, promover, incentivar
e documentar as criações culturais
e artísticas; reunir e organizar uma
infra-estrutura de informações
sobre o conhecimento humano; desenvolver pesquisas
sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo
subsídios para as suas atividades; incentivar
a participação da comunidade,
com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa
de seus membros, permitindo a estes o acesso
simultâneo a diferentes formas de cultura;
e oferecer condições para estudo
e pesquisa, nos campos do saber e da cultura,
como apoio à educação e
ao desenvolvimento científico e tecnológico".
A
inauguração aconteceu no dia 13
de maio de 1982. O prefeito Reynaldo de Barros
e o secretário de cultura Mário
Chamie receberam um grande público entre
convidados, participantes da obra e a população
em geral. Após a cerimônia, os
presentes percorreram as dependências
do edifício, assistiram a espetáculos
musicais com o Coral Paulistano e com o pianista
João Carlos Martins e puderam apreciar
as obras em exibição na Pinacoteca.

Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente
8,5 milhões de habitantes, grande parte
deles espalhada pela periferia. A intenção
do centro cultural que nascia era a de agregar
essa população heterogênea,
fornecendo um espaço em que todos tivessem
acesso aos mais variados gêneros culturais.
Mário
Chamie destacou em seu discurso todo o trabalho
que a obra demandou, apontando que "durante
dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs,
tardes e madrugadas adentro, trabalhou-se na
construção desse espaço".
Segundo Chamie, era necessário abrigar
em um só espaço cultura popular
e erudita, e todo tipo de manifestação
cultural de grupos ou comunidades as mais diversas,
para refletir "toda essa igualdade cultural
brasileira que é feita justamente das
diferenças".
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