No ano de 2007, o Centro Cultural São Paulo comemorou
25 anos de existência com uma série de eventos
especiais. Um deles foi o show com o cantor inglês
Cleveland Watkiss, realizado dia 14/12/2007. Abaixo, entrevista
com o músico.
Os
shows de Cleveland Watkiss
se caracterizam pela improvisação vocal jazzística, mas
sua música percorre estilos variados. Londrino de origem
jamaicana, o músico já trabalhou com artistas que vão de
Bob Dylan a Carlinhos Brown e de Pete Townshend a Björk.
Nesta entrevista, ele fala de seu trabalho e da sua relação
com o Brasil.
entrevista: Flávia Ragazzo de
Barros
edição: Flávia Ragazzo de
Barros e Paula Bassi
Quais são as principais características da sua música?
Cleveland Watkiss Meu
estilo se compõe de gêneros variados, porém o que eu faço
é essencialmente improvisação vocal. Existe a presença de
ritmos africanos, caribenhos, reggae e gospel na minha produção.
Tenho influências de música do mundo todo, mas tudo acaba
convergindo para uma improvisação de jazz mesmo.
O que você conhece da música brasileira?
Cleveland Watkiss Conheço
sambistas mais antigos, como Flora Purim, coisas dos anos
60 e 70. Também os sons mais tradicionais, como Tom Jobim.
Amo a música brasileira, especialmente a da Bahia, que tem
um som e um movimento bem africano. Eu me identifico muito
com isso tudo por ser originário do Caribe, minha família
é da Jamaica.
Como você entrou em contato com a cultura brasileira?
Cleveland Watkiss Estive
no país pela primeira vez em 1997, quando me apresentei
no Free Jazz Festival. Descobri que tenho algumas raízes
aí, já que a minha avó era de uma tribo no Caribe que veio
originalmente do norte do Brasil. Conheci meu grande amigo
DJ Patife, encontrei-o alguns anos depois em Londres, e
ele me convidou para cantar em seu álbum. A partir disso,
eu tenho ido ao Brasil com freqüência, conheci muitos lugares,
todas as grandes cidades.
Como vai ser o show no Centro Cultural São Paulo?
(realizado dia 14/12/2007)
Cleveland Watkiss O
projeto que eu vou apresentar se chama Vocal Suite, uma
performance solo de jazz. Nela, eu uso a minha voz como
um instrumento e crio diferentes tipos de texturas e camadas.
Há um dispositivo com o qual eu capto a minha voz e que
permite que eu a transforme em todo tipo de som. Então,eu
posso cantar o baixo, a bateria, melodias e até poesia.
Não há nenhum instrumento, somente a minha voz, nada é pré-gravado.
Vou trabalhar com a Luciana Saul, uma dançarina fantástica
que eu conheci em São Paulo recentemente, e com o Cadu,
um artista visual que vai projetar imagens enquanto eu canto
e a bailarina dança. Vou contar com alguns convidados especiais,
mas ainda não posso revelar quem serão.
Quais são suas expectativas em relação à apresentação?
Cleveland Watkiss Poder
mostrar o que eu faço como artista. Quero expor as diferentes
dimensões da minha arte e da minha abordagem em relação
à música e à improvisação. Pretendo apresentar os meus conceitos
e levar isso até as pessoas. Eu estive no Centro Cultural
em setembro e me encontrei com um dos programadores, que
me levou para uma visita ao lugar. Tive a oportunidade de
ver a maravilhosa arquitetura do prédio. Estou ansioso para
me apresentar aí.
dia
14/12/2007
- sexta-feira
às
19h
Cleveland Watkiss
O cantor britânico de jazz, que já participou
de shows de Bob Dylan, Stevie Wonder, Art Blakey e The Who,
mostra inúmeros recursos vocais.
Entrada
franca - Sala Adoniran Barbosa