No dia 3/11/2007, o grupo Blues Etílicos
se apresentou no CCSP e fez parte das comemorações
dos 25 anos da instituição. Confira, abaixo,
galeria de fotos do show e entrevista com o artista.
Blues Etílicos
Formado por Greg Wilson (vocal e guitarra), Otávio
Rocha (guitarra), Cláudio Bedran (baixo), Pedro Strasser
(bateria) e Flávio Guimarães (gaita e vocal),
a banda é a mais antiga de seu gênero no Brasil.
Em 2007, eles comemoraram 20 anos de seu primeiro LP, homônimo
à banda, com o lançamento do décimo
álbum, Viva Muddy Waters. Em entrevista, Flávio
Guimarães fala sobre o novo trabalho, a presença
do blues no Brasil e a participação nas comemorações
dos 25 anos do Centro Cultural São Paulo.
entrevista:
Flávia Ragazzo
edição: Flávia Ragazzo e
Paula Bassi
A
entrevista também está disponível em
áudio, no formato de MP3. Para ouvir, clique aqui.
No
release da banda, vocês afirmam que só agora
se sentiram aptos a fazer um tributo a Muddy Waters. Por
quê?
Flávio Guimarães
- O repertório de Muddy Waters é
bastante sofisticado. As músicas estão na
linguagem do blues, mas têm algo a mais em termos
de arranjos e estruturação. É fácil
tocar Muddy Waters mal, mas tocar com uma certa competência
leva um tempo. É como para um guitarrista tocar Jimi
Hendrix, por exemplo, ou para um saxofonista de jazz tocar
Charlie Parker. São territórios sagrados.
Nós somos a banda de blues que mais fez shows e que
vendeu mais discos do segmento no Brasil. Nunca paramos
de tocar, permanecemos em atividade durante mais de 20 anos.
Por conta de todo esse tempo tocando, há um entrosamento
muito grande. A banda tem um som único, com bastante
personalidade, que é típico de grupos que
ficam muito tempo juntos.
Como
é a receptividade do público brasileiro para
o blues?
Flávio Guimarães
- No fim dos anos 1980, o estilo teve uma grande
presença na mídia. Aconteceu o primeiro festival
internacional em Ribeirão Preto e houve cobertura
de todos os jornais de São Paulo e do Brasil. Durante
a década seguinte, o blues viveu um momento de grande
expansão e apogeu por aqui. Já havia uma tradição
de rock, e o pessoal que gostava descobriu que o blues é
pai do rock. Quem gostava de jazz também sempre teve
uma grande simpatia pelo estilo. Mas depois a gente notou
que o blues já não era tão relevante
para a mídia, que está sempre atrás
de novidade, e o espaço diminuiu muito.
E
quanto ao mercado fonográfico?
Flávio Guimarães - Hoje em dia,
o mercado fonográfico vive uma grande transformação
em todos os gêneros no Brasil. Quanto ao blues, os
discos estão vendendo cada vez menos nas lojas. Até
porque existem os downloads gratuitos, o que é uma
coisa juridicamente ilegal. Isso prejudica o músico
e prejudica a gravadora porque existe um custo para produzir
um álbum profissionalmente. Mas neste momento não
tem como querer remar contra a correnteza, a juventude já
se acostumou a essa cultura de pegar as músicas de
graça na rede.
Mas
o acesso às músicas pela Internet não
populariza o som das bandas?
Flávio Guimarães
- Isso é o aspecto positivo, o outro lado
da moeda. Há uma exposição muito grande,
inclusive fora do Brasil. Começamos a ter pessoas
que acompanham o nosso trabalho no mundo inteiro, é
a globalização da música. Recebemos
e-mails de fora do país, acabamos tocando em várias
rádios do mundo e também em rádios
via Internet. Ficamos muito felizes de tocar em países
como Inglaterra, Itália, França, Japão,
Polônia. É uma coisa legal e a médio
prazo espero que surjam convites para turnês internacionais.
Fale
um pouco da história da banda no Centro Cultural
São Paulo
Flávio Guimarães
- A gente pegou o tempo áureo do CCSP,
fazíamos temporadas grandes entre 1990 e 1996. A
lotação era tão grande que tínhamos
que fazer sessão dupla. Foi um momento de apogeu
em que não só o Blues Etílicos como
outros nomes da MPB se apresentavam no Centro Cultural com
um público imenso. Nos dias atuais, a gente sente
um resgate deste espaço, que é tão
importante pra cidade de São Paulo.
Como é participar das comemorações
dos 25 anos do CCSP?
Flávio Guimarães
- Para nós é uma grande emoção,
afinal de contas todos os discos do Blues Etílicos
tiveram lançamento no Centro Cultural. O nosso público
já tem uma tradição de comparecer ao
local. Sabendo que a entrada á franca, a gente pode
apostar com convicção que quem não
chegar cedo não vai conseguir assistir ao show, porque
vai lotar.