No dia 25/11/2007, o cantor se apresentou no CCSP e
fez parte das comemorações dos 25 anos da instituição.
Confira, abaixo, galeria de fotos do show e entrevista com
o artista.
Arnaldo Antunes
Arnaldo
Antunes utiliza diversos formatos para construir sua arte
- poesia, música, caligrafia e o que mais julgar conveniente,
tomando sempre a palavra como ponto de partida. Músico
consagrado no cenário nacional, ele falou ao site do
CCSP sobre sua carreira e seu relacionamento com a instituição.
entrevista:Flávia Ragazzo edição:Flávia Ragazzo e Paula
Bassi
O que faz um artista buscar meios de expressão tão
diversificados?
Arnaldo
Antunes - Eu
nunca me senti muito especializado, para mim sempre foi natural
o trânsito entre as linguagens. Acho que isso é
herança da modernidade e essa característica
foi acentuada pela própria tecnologia. No computador,
você pode mexer com texto, imagem, palavra, foto, vídeo
e música, tudo em um mesmo aparato. Eu sempre cresci
dentro disso, trabalhei com diferentes linguagens sem muito
problema. Agora, o que me impulsiona é sempre o trabalho
com a palavra, seja ela cantada, escrita, em movimento na
tela de um vídeo ou em outros tipos de suporte. De
certa forma, a palavra é um porto seguro de onde eu
me aventuro, o trampolim de onde eu me lanço em direção
a outros códigos.
Existe algum formato que é mais especial para você?
Arnaldo
Antunes - O
que tem mais destaque em minha carreira é a música,
porque ela me possibilita uma agenda de shows constante. Acho
que eu só gravo discos para poder fazer shows. É
claro que existe o prazer de escrever, editar um livro, fazer
um poema visual e fazer caligrafia. São prazeres diferenciados,
é difícil dizer o que é mais especial.
Em que você está trabalhando hoje?
Arnaldo
Antunes - Eu
estou para lançar o DVD do show do álbum Qualquer,
pela gravadora Biscoito Fino. Estou fazendo essa apresentação
há um ano, desde que o disco saiu. Pretendo continuar
com o show do Qualquer pelo menos até a metade de 2008,
depois vou gravar um disco novo. Estou com um projeto para
o ano que vem de uma nova exposição na Galeria
Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro.
Como é conciliar a produção artística
com a agenda de shows?
Arnaldo
Antunes - Para
mim, isso é natural. Existem fases em que eu fico muito
concentrado, quando eu estou gravando um disco não
penso em outra coisa, quando eu estou finalizando um livro
fico muito ocupado com aquilo. Mas em geral, nos dias em que
não há apresentação, eu estou
na minha casa em São Paulo e acabo escrevendo, fazendo
um trabalho visual, uma coisa ou outra.
Assim como o CCSP, você também está
completando 25 anos de carreira. De que forma a sua história
se relaciona com a da instituição?
Arnaldo
Antunes - O
Centro Cultural é um lugar que eu já freqüentei
muito esses anos todos, desde a inauguração
até hoje. Lembro do espaço no começo
da década de 1980, foi um dos primeiros lugares onde
eu me apresentei com os Titãs, quando a banda começou.
Os shows eram lotados, muito animados, porque o lugar propicia
que o público interaja com o artista. Também
assisti a inúmeros shows, visitei as exposições.
Acho importantíssimo um espaço desses para a
cidade, onde você tem a oportunidade de conviver com
várias linguagens, com música, com artes plásticas,
com a biblioteca. Tem uma importância enorme principalmente
pelo custo dos eventos, que são ou gratuitos ou muito
baratos, o que é uma coisa rara em São Paulo.