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Acesso à internet
"Mais possibilidades de
estar em contato com o mundo"
O acesso aos meios de comunicação
é um dos muitos obstáculos que os portadores de
deficiência visual precisam vencer em seu dia-a-dia. Atividades
cotidianas como ler um livro ou acessar a internet tornam-se uma
barreira para essas pessoas no sentido de obter informações
e adquirir cada vez mais independência. A Biblioteca Louis
Braille fornece alguns equipamentos e programas que facilitam
esse acesso.
Uma das possibilidades mais utilizadas são
cinco equipamentos especiais equipados com programas que, ao acessar
conteúdos digitais da própria máquina ou
da Internet, os convertem em áudio, ou seja, em palavras
faladas. Os softwares utilizados para tal finalidade são
o Virtual Vision e o HPR, por meio dos quais o usuário
explora as mesmas funções tradicionalmente realizadas
com o mouse. Na internet, esses programas "lêem"
os links com uma voz diferente da que lê os demais conteúdos,
e, então, o internauta pode decidir acompanhar aquele link
acionando a tecla enter.
A diferença entre o Virtual Vision e o HPR
é que o primeiro é mais abrangente - acessa documentos
do pacote Office, área de trabalho, internet, entre outros,
mas requer conhecimentos do Pacote Office e de outros comandos.
O HPR é mais limitado, pois foi adaptado especialmente
para sites, o que, por outro lado, faz com seu uso seja mais prático.
"Ele tem atalhos muito bons, você consegue chegar rapidinho
aonde precisa, sem precisar conhecer o Pacote Office. Para navegação
de Internet ele é excelente, ele tem um manualzinho e aprendendo
4 ou 5 comandos você navega. Principalmente para as páginas
que estão em texto, é uma maravilha". A Louis
Braille possui quatro licenças do Virtual Vision, doadas
pela IBM. O HPR também é um programa doado pela
empresa, mas não se trata de uma licença, pois o
HPR não é comercializado, só existe em algumas
instituições.
Os softwares ajudam, mas a legibilidade para cegos
também depende da estrutura do site visitado. O funcionário
Ricardo Sigolo dá algumas dicas para melhorar essa acessibilidade,
como, por exemplo, evitar o uso de recursos em flash, imagens
e animações. Além disso, nos textos, é
importante construir frases que façam sentido ainda que
estejam fora de contexto, evitando, por exemplo, expressões
como "clique aqui". "Mesmo para os programas mais
sofisticados, a acessibilidade é de no máximo de
40% dos sites existentes na Internet, se tanto", comenta
Ricardo. O funcionário também afirma que o Telecentro
da Braille é muito utilizado por jovens em busca de empregos:
"a maioria dos deficientes visuais não possui acesso,
não está em condições financeiras
nem de comprar computador".
Para Ricardo, acessar a Internet é
mais uma liberdade conquistada pelos cegos. "A gente tem
muito mais possibilidades de estar em contato com o mundo, de
fazer pesquisas mais profundas, porque a Internet é a biblioteca
do mundo. É uma grande chance de estar mais bem informado",
exemplifica. Ele destaca, ainda, que por meio da Internet é
possível diminuir a defasagem que há na reprodução
em Braille dos lançamentos do mercado editorial, pois é
possível conhecer as novidades nos sites das editoras e,
ainda, acessar obras que são de domínio público.
"Existe um site chamado Ler para Ver (http://www.lerparaver.com/),
em que a gente baixa as obras já no formato que vai ler
com o Virtual Vision, então isso já facilita muito.
Você tem uma obra rapidinho na mão, é só
baixar e acabou, enquanto aqui teria todo o processo de digitalizar"
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