Uma semana para Elis

Em janeiro de 1983, antes de seu primeiro aniversário, o Centro Cultural São Paulo recebeu a primeira edição de um evento que se repetiria ao longo destes últimos 30 anos: a Semana Elis Regina. Uma semana inteira em homenagem a uma das maiores cantoras do país num espaço que Elis não teve tempo de conhecer. Ela morreu em 19 de janeiro de 1982, quatro meses antes da inauguração do CCSP, que, ao longo de suas três décadas, recebeu ao menos cinco edições da Semana, entre 1983 e 1989.

Realizada de 14 a 21 de janeiro de 1983, a I Semana Elis Regina aconteceu graças a uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura e a Rede Globo de Televisão. Além de uma exposição de fotos e materiais da cantora, espetáculo de dança e mímica com Denise Stoklos, o evento trouxe ao CCSP compositores lançados por Elis, como Belchior e Ivan Lins, e artistas em início de carreira, entre eles Tetê Espíndola e o Duofel, refletindo a vocação de Elis e do CCSP de abrir espaço para trajetórias iniciantes.

Na ocasião, foi apresentado pela Associação Brasileira Elis em Movimento - responsável pelas reedições da Semana - um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas para que o CCSP se chamasse Centro Cultural Elis Regina. Em 1984, o prefeito Mário Covas e o então Secretário Municipal de Cultura Gianfrancesco Guarnieri inauguraram, no bairro do Butantã, a Praça Elis Regina, um espaço dedicado à memória da cantora na cidade que acompanhou de perto as fases mais criativas de sua trajetória.

Elis, gaúcha, escolheu São Paulo para viver. Mudou-se, em março de 1964, de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, onde viveu por quase uma década. Mas, em 1974, após se casar com o pianista Cesar Camargo Mariano, transferiu-se definitivamente para a capital paulista. E aqui pretendia ficar até o fim. "Planalto de Piratininga e não abro!", afirmou em entrevista ao programa Jogo da Verdade, da TV Cultura, dias antes de morrer.

São Paulo foi a cidade onde Elis comandou, ao lado de Jair Rodrigues, o programa O Fino da Bossa, da TV Record, na década de 60. Aqui, estreou, aos 30 anos, o maior sucesso de sua carreira: o espetáculo Falso Brilhante, que ficou em cartaz de dezembro de 1975 a fevereiro de 1977 no extinto Teatro Bandeirantes, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Ao longo da vida, Elis trabalhou com importantes nomes do cenário artístico paulistano, como Myriam Muniz, Naum Alves de Souza (respectivamente, diretora e cenógrafo do show Falso Brilhante), Ademar Guerra, Marika Gidali (responsáveis pela direção e coreografia do espetáculo Saudade do Brasil, de 1980) e Elifas Andreato (cenógrafo do show Trem Azul, de 1981).

Neste ano em que se comemoram seus 30 anos de história construída junto à cidade, aos funcionários, público e artistas, o CCSP homenageia mais uma vez Elis, com a exposição do projeto Viva Elis. Uma celebração à memória da artista e do próprio espaço, ambos fundamentais para a cultura de São Paulo e do país.

Material de pesquisa: Acervo Folha

Arquivo Multimeios Furacão Elis, de Regina Echeverria (Editora Globo, 2002)