Histórico

O projeto

A década de 1970 é mundialmente conhecida por sua efervescência cultural. As revoluções dos anos anteriores contribuíram para a formação de uma geração que questionou intensamente a forma de ver e fazer cultura, culminando em um evento que marcaria tantas gerações seguintes: o Festival Woodstock. No Brasil, a sociedade sorvia as borbulhas dessa efervescência e as adaptava para os contextos culturais nacionais.

E foi nesse contexto que teve início o projeto do Centro Cultural São Paulo. Em um período de expansão econômica e desenvolvimento do país, a Prefeitura Municipal de São Paulo decidiu dar uso a uma área de quase 300 mil metros quadrados entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de maio, fruto de desapropriações para as obras do metrô.

Em julho de 1973, o intuito era promover a urbanização do local, com possíveis complexos de escritórios, hotéis, um shopping center e uma grande biblioteca pública. Dois anos depois, o assim chamado “Projeto Vergueiro” foi cancelado pela administração de Olavo Setúbal. A desistência rendeu não só o cancelamento das obras, mas também uma indenização milionária, decorrente do descumprimento da licitação que já havia sido realizada e vencida pelo consórcio Prounb.

De toda estrutura e planejamento feitos, restou somente a construção da biblioteca pública. Para isso, foi instalada uma comissão de estudos que contava com bibliotecários, professores e o arquiteto Aron Cohen.

O projeto inicial: construir uma biblioteca moderna em que o leitor tivesse livre acesso ao material, de forma que o objetivo não seria mais guardar a informação e sim escancará-la para o público. O arquiteto Eurico Prado Lopes venceu a concorrência aberta em 1976, e as obras tiveram início em 1978.

Na gestão seguinte, o então prefeito Reynaldo de Barros reformulou o projeto da biblioteca e o adaptou, propondo o que hoje conhecemos como centro cultural multidisciplinar. A ideia se assemelhava à estrutura do Centro Cultural George Pompidou, localizado em Paris e fundado em 1977.

Assim, mais do que uma enorme biblioteca, o espaço agregaria cinema, teatro, locais para recitais e concertos, ateliês e áreas de exposições. Para isso, os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles tomaram a frente do projeto. O Secretário Municipal de Cultura da época, Mário Chamie, ressaltou na ocasião que a localização geográfica era privilegiada para a instalação do projeto. Eis a base do Centro Cultural São Paulo.

O principal desafio para concepção do Centro Cultural foi responder a pergunta: O que significa o acesso à informação em um país como o Brasil? A resposta é a concretização do edifício, projetado com o intuito de facilitar o encontro entre o público e os recursos oferecidos pelo Centro Cultural. E que completa em 2012 sua terceira década.


A construção

Construído durante os últimos anos da ditadura militar no Brasil, o Centro Cultural São Paulo foi pensado a partir de uma proposta arquitetônica que buscava a valorização dos espaços com aspecto multidisciplinar e propícios ao convívio e ao encontro – e foi alvo de polêmicas por essa razão. Nas palavras do arquiteto Luiz Telles: "Ficávamos de prontidão, para ver com o que iam implicar. Não que fôssemos subversivos, os outros é que eram retrógrados".

O projeto foi amplamente discutido na mídia, não só por apresentar conceitos inéditos como a integração dos espaços, mas também por suas inovações arquitetônicas, e, ainda, pelos problemas técnicos que elas acarretaram.

Também por conta da ousadia do projeto, uma série de pesquisas e experimentações foi realizada, resultando na essência do espaço de que dispomos hoje. As formas arrojadas desenhadas pelos arquitetos utilizaram do vidro ao concreto, do tecido ao acrílico, do aço ao tijolo.

Com estruturas mistas, conceitos tradicionais de execução foram modificados, substituídos por técnicas específicas e até mesmo experimentais em um processo quase artesanal. Tanto trabalho rendeu a Emilie Chamie, esposa do Secretário de Cultura da gestão, Mário Chamie, inspiração para o logotipo do CCSP, cujo desenho é a representação de uma junção de curvas que remete às estruturas inovadoras do edifício e é utilizado até hoje pela instituição.


A inauguração

“Planejar, promover, incentivar e documentar as criações artísticas;
reunir e organizar uma infra-estrutura de informações sobre o conhecimento humano;
desenvolver pesquisas sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades;
incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura;
oferecer condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura, como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico.”

Todos esses itens compõem a lei de criação do Centro Cultural São Paulo, de 6 de maio de 1982.

A inauguração do CCSP aconteceu no dia 13 de maio de 1982 e contou com a presença do o prefeito Reynaldo de Barros e do Secretário de Cultura Mário Chamie. Após a cerimônia, o público presente, os convidados e os participantes da obra assistiram a espetáculos musicais com o Coral Paulistano e com o pianista João Carlos Martins, inaugurando o conceito de espaço multidisciplinar defendido pelos arquitetos.

Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, com grande parte espalhada pela periferia. O nascimento do Centro Cultural tinha (e sua existência hoje ainda tem) a intenção de agregar essa população heterogênea, oferecendo um espaço em que todos tivessem acesso às mais variadas atividades culturais.

Em seu discurso na inauguração, o Secretário de Cultura Mário Chamie destacou todo o trabalho que a obra demandou, apontando que "durante dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs, tardes e madrugadas adentro, trabalhou-se na construção desse espaço".

Também segundo ele, era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e erudita, e também todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades as mais diversas, para refletir "toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças".