Quem fez, quem faz

Lea Silvestre funcionária aposentada desde 2010, Lea Valquiria de Moraes Silvestre começou a trabalhar no Idart (Departamento de Informação e Documentação Artísticas) em 1980 e, desde a inauguração do CCSP, sempre integrou a equipe administrativa da instituição. Nesta entrevista, ela fala sobre a sua história profissional e comenta fatos marcantes da trajetória do CCSP.

  Como você começou a trabalhar no Centro Cultural?
Eu entrei por meio de concurso, em maio de 1980. Iniciei meu trabalho na Prefeitura na área administrativa. Primeiro, trabalhei na seção pessoal, mas fiquei pouco tempo lá. O CCSP naquela época ainda era Idart, na Casa das Retortas. O Departamento editava publicações de pesquisas feitas. Havia vários anuários de teatro, de rádio, de cinema. A gente distribuía essas publicações para bibliotecas e instituições culturais. Eu saí da seção pessoal porque precisavam de gente para fazer com que essas publicações chegassem aos seus destinos. Depois disso, sempre estive na administração. Fui chefe da seção de expediente durante 6 anos. Trabalhei também no jurídico, durante 9 anos, com os procuradores que por aqui passaram e com Lourdes Fonseca, que foi um exemplo de dedicação ao trabalho e com quem muito aprendi.

  Ao longo desses anos, quais as principais mudanças que você pôde perceber no Centro Cultural?
Nesse tempo todo, o Centro Cultural mudou muito. Ele foi inaugurado inacabado e, por isso, nós tivemos problemas com relação à estrutura mesmo, ao prédio com goteiras. O prédio teve que ser fechado para uma grande reforma.

  Como foi esse período de reforma?
Isso foi por volta de 1990. Alguns funcionários foram encaminhados para a secretaria e outros para o gabinete. Eu saí do Centro Cultural um pouco antes do seu fechamento e trabalhei na Subprefeitura da Mooca, próxima à minha casa. Fiquei lá por cinco anos.

  Por que você foi para a Subprefeitura e, depois, por que retornou ao Centro Cultural?
Na verdade, depois que a gente trabalha na Cultura e no Centro Cultural São Paulo, é muito difícil se adaptar a qualquer outro lugar da Prefeitura. Eu tinha muitas facilidades na Subprefeitura, por ser próxima à minha casa. Eu tinha mais tempo para dedicar à minha família, mas, na verdade, não consegui me adaptar. Fiquei cinco anos lá, fiz bons amigos, que eu tenho até hoje. Mas aquela saudade do Centro Cultural bateu, eu acabei retornando e fui muito bem recebida de volta. É um trabalho em que a gente se envolve muito, se doa e vê o resultado também. Isso é muito gratificante. Você passa por grandes dificuldades, né? Mas, de repente, você logo vê o resultado e isso é muito bom, eu acho que proporciona um prazer muito grande.

  A experiência no Centro Cultural transformou você de alguma maneira?
Nós sempre aproveitamos aquilo que vivenciamos. O ambiente do Centro Cultural faz com que você conviva com pessoas de todos os tipos, de todas as maneiras. Mesmo os frequentadores são muito diversificados, você se depara com pessoas em situação de rua, que vêm aqui e frequentam o nosso cinema. E, de repente, há também pessoas em uma condição social bem melhor. Tudo isso proporciona uma visão diferente das coisas e você muda mesmo. Não saberia dizer exatamente como isso pode ter mudado a minha vida, mas aqui há uma gama muito grande de acontecimentos e situações. Isso faz a gente abrir a cabeça mesmo, vivenciar e apreciar as coisas com mais qualidade, mais importância.

  Houve algum evento aqui no CCSP que marcou você?
Nós realizamos muitos eventos grandes. Tivemos um do Mercosul Cultural. A meu ver, acho que foi o maior evento que nós já fizemos aqui, em termos de trazer pessoas de outros países. Tivemos apresentações de tango com artistas argentinos, foi uma movimentação artística bastante agitada. Tivemos até membros de uma escola de samba se apresentando. Foi um dos eventos mais marcantes.

  Você se sente parte da história do Centro Cultural São Paulo?
Eu fico emocionada porque gosto muito daqui. O Centro Cultural faz parte de mim, aqui tem um pedaço de mim e eu levo um pedaço do Centro Cultural comigo. Então, realmente, olhar para trás, ver tudo que foi isso e o que é hoje, é toda uma vida pra mim. Representa assim quase toda a minha vida de trabalho, aqui no CCSP, então me emociona muito.