Quem fez, quem faz

Aloysio Lazzarini de Almeida Nogueira
é servidor público há mais de 30 anos. Atualmente, integra a equipe da Discoteca Oneyda Alvarenga, mas sua carreira teve início, em 1981, na Biblioteca de Artes, um dos núcleos do Departamento de Informação e Documentação Artísticas (Idart). No Centro Cultural São Paulo, trabalha desde a inauguração da instituição, em 1982. Nesta entrevista, ele comenta sua história no CCSP e alguns acontecimentos marcantes ao longo destes anos.



  Como você resumiria sua evolução dentro do CCSP?

Quando eu comecei a trabalhar na Biblioteca de Artes, conheci um mundo novo. Eu queria fazer faculdade de jornalismo, mas me apaixonei por biblioteconomia e prestei o curso na ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo). Quando vim para o CCSP, eu comecei a atuar na área de conhecimentos gerais, no atendimento da hemeroteca, na parte das enciclopédias. A biblioteca era freqüentada por mais de três mil pessoas por dia. As filas iam da portaria até a entrada do metrô Vergueiro. O pessoal realmente queria entrar na Biblioteca e usar o material, considerado de ponta na época. Eu terminei a faculdade e me especializei na área de informática. Fui assistente de direção da Divisão de Bibliotecas e, em 1995, fundei e organizei o Núcleo de Informática do CCSP. Em maio de 2006, fui convidado a coordenar a Discoteca.


  Quantos anos você tem de CCSP?

Vamos dizer que eu tenho 30. Na verdade, eu fiquei afastado dois anos, na época do Jânio Quadros. Nós fomos convidados a passar um tempinho fora da Prefeitura. Fomos readmitidos em 1989, no governo de Luiza Erundina. Depois disso, eu prestei concurso para Bibliotecário e me efetivei. Até então eu tinha sido arquivista musical e escriturário.


  Como você foi convidado a se retirar da Prefeitura?

Em 1985, no primeiro ano de governo do Jânio, os funcionários públicos fizeram uma greve salarial, uma greve bem forte, de que todo mundo participou. O prefeito solicitou que os envolvidos deveriam ser exonerados. Como nós éramos admitidos e não efetivos, eu e mais 22 funcionários relacionados em uma lista fomos demitidos. Éramos considerados líderes grevistas. Não era verdade, mas foi assim.


  Você se lembra de algum fato ou história marcante nesses 30 anos de casa?

Há um folclore, que eu soube logo no início, quando a gente veio para o CCSP, e que até hoje não sei se é verdade ou não. Acho que é mentira. Diziam que os tijolos que cercam todo o Centro Cultural de ponta a ponta levavam as letras RB. Essa sigla supostamente fazia alusão ao nome do ex-prefeito Reynaldo de Barros. Muitos falam que era o nome da olaria dele, uma brincadeira. Todos levam na brincadeira.


  Quais espetáculos marcantes você presenciou?

Vi grandes espetáculos. Vi Língua de Trapo, Ira!, Chico César. Na época, o CCSP lançou muitos artistas que depois se tornaram famosos: Renato Teixeira lotava o teatro, Belchior também. Um evento especial para mim foi o Navegar é Preciso, realizado na comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil.


  Nestes anos de convívio, como você percebe o público do CCSP?

É um público cativo; ele adotou o Centro Cultural, ele gosta de vir aqui por várias razões - para namorar, conversar, estudar, ir ao teatro. O Centro Cultural é dele. Lógico, o número de freqüentadores diminuiu um pouco, porque existem outros centros culturais, outras bibliotecas. O Centro sofreu porque ficou dois anos fechado por conta de uma inundação, entre 1991 e 1992. Mas depois de uns anos, o local voltou a ter público, voltou a crescer. Hoje ele está mais aparelhado.


  Como é trabalhar no Centro Cultural São Paulo?

Acho que os funcionários, além de tudo, são apaixonados pelo Centro Cultural. Não só os mais antigos, mas os que estão chegando também se apaixonam pelo lugar. Pela sua estrutura, pelo que ele pode proporcionar. Como eu sou uma "cria" do Centro Cultural, fica até difícil falar.